back to top
24 C
Brasilia
terça-feira, 12 maio 2026, 18:46:18
Publicidade
Publicidade
InícioBrasilPolíticaCâmara aprova tornozeleira imediata para agressor em risco

Câmara aprova tornozeleira imediata para agressor em risco

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Marta Borges

Cobertura relacionada

Protestos cobram rejeição ao PL da Dosimetria no Brasil

Manifestantes de diversas cidades brasileiras foram às ruas neste...

Brasil endurece regras e mira abuso infantil online

ECA Digital começa a valer no Brasil com regras para redes sociais, jogos, apostas e proteção online de menores. © Rovena Rosa/Agência Brasil

A queda de Zambelli expõe o buraco institucional do país

Agora sim, vamos conversar no bom e velho estilo...

Professores da rede pública passam a poder acumular qualquer cargo público

O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (19) a Emenda...

Senado aprova ampliação da licença-paternidade

Projeto aprovado no Senado amplia gradualmente a licença-paternidade para até 20 dias e cria o salário-paternidade. © Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Fim da escala 6×1 e jornada de 40h entram na pauta de 2026

Lula e Hugo Motta colocam o fim do 6x1 e a jornada de 40h no radar de 2026; Senado tem PEC pronta e Câmara divide o debate.
Publicidade

Projeto amplia proteção a mulheres e envia proposta de monitoração ao Senado

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 10 de março, o PL 2.942/2024, que permite ao juiz determinar o uso imediato de tornozeleira eletrônica por agressor de mulher em situação de violência doméstica e familiar quando houver risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da vítima ou de seus dependentes. A proposta foi aprovada com substitutivo da relatora, deputada Delegada Ione (Avante-MG), e seguirá agora para análise do Senado.

O texto é de autoria dos deputados Marcos Tavares (PDT-RJ) e Fernanda Melchionna (Psol-RS). Pela versão aprovada, a monitoração eletrônica passa a integrar expressamente o rol de medidas protetivas de urgência da Lei Maria da Penha, podendo ser aplicada em conjunto com outras providências judiciais.

Tornozeleira vira prioridade em casos de alto risco e descumprimento

A imposição da tornozeleira terá prioridade quando houver risco iminente à vítima ou quando o agressor já tiver descumprido medidas protetivas anteriores. O texto também determina que, se o juiz decidir encerrar o uso do equipamento, a decisão deverá ser fundamentada expressamente.

Outro ponto relevante é que, em municípios que não são sede de comarca, a medida poderá ser aplicada pelo delegado de polícia, que deverá comunicar o fato ao Ministério Público e ao juiz em até 24 horas. Depois disso, caberá ao Judiciário decidir se mantém ou não a medida protetiva. Hoje, nessas localidades, o delegado já pode determinar o afastamento imediato do lar em situações específicas, mas não a monitoração eletrônica.

Vítima receberá dispositivo de alerta e pena por descumprimento aumenta

O projeto também prevê que, sempre que houver tornozeleira no agressor, a vítima receba um dispositivo portátil de segurança capaz de emitir alerta automático em caso de aproximação indevida. Esse aviso deverá ser enviado simultaneamente à mulher e à unidade policial mais próxima quando houver violação do perímetro de exclusão fixado judicialmente.

Além disso, o texto aumenta de um terço à metade a pena de reclusão de 2 a 5 anos para casos de descumprimento de medidas protetivas relacionados à violação de áreas monitoradas eletronicamente ou à remoção, violação ou alteração da tornozeleira sem autorização judicial. Também amplia de 5% para 6% a cota do Fundo Nacional de Segurança Pública destinada a ações de enfrentamento da violência contra a mulher, incluindo compra e manutenção dos equipamentos.

Dados de feminicídio ajudam a explicar a pressão por medida mais dura

O debate legislativo ocorre em meio à persistência dos feminicídios no país. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 registrou 1.492 feminicídios em 2024, e cerca de 13,4% das vítimas tinham medida protetiva ativa no momento do crime. O mesmo anuário aponta que metade dos feminicídios ocorreu em municípios de até 100 mil habitantes, contexto em que a estrutura de proteção costuma ser mais frágil.

Esses números ajudam a explicar o argumento central dos defensores do projeto: não basta conceder medida protetiva no papel se o Estado não tem meios concretos para fiscalizar seu cumprimento. A tornozeleira, nesse desenho, tenta transformar proibição formal de aproximação em mecanismo efetivo de vigilância e resposta. Ainda assim, sua eficácia dependerá de estrutura policial, cobertura tecnológica e rapidez institucional. Lei sem execução, nesse tema, é só burocracia com tragédia anunciada.

Fontes e documentos:
Câmara aprova uso imediato de tornozeleira eletrônica por agressor de mulher que permaneça em risco (Câmara dos Deputados)
– Parecer de Plenário ao PL 2942/2024 e apensados (Câmara dos Deputados)
– Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 – base de dados (Fórum Brasileiro de Segurança Pública)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.