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Desemprego cai a 5,3% menor taxa desde 2012

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Brasil tem menor taxa para o período desde 2012

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto. O resultado é o menor já registrado para esse período desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012.

O índice recuou em relação ao trimestre encerrado em maio e também ficou abaixo do resultado observado um ano antes. A taxa era de 5,6% nas duas bases de comparação, mostrando melhora tanto no curto prazo quanto na leitura anual.

A população desocupada caiu para 5,8 milhões de pessoas. O contingente representa queda de 4,6% frente ao trimestre de março a maio, o equivalente a 281 mil pessoas a menos procurando trabalho.

Ocupação bate recorde

O número de trabalhadores ocupados chegou a 103,5 milhões, o maior da série histórica. O contingente cresceu 0,8% em relação ao trimestre encerrado em maio, com acréscimo de 774 mil pessoas no mercado de trabalho.

A indústria e a construção puxaram parte relevante desse avanço. A indústria geral cresceu 2%, com mais 265 mil pessoas ocupadas, enquanto a construção avançou 4,1%, com acréscimo de 306 mil trabalhadores.

O recorde de ocupação mostra um mercado de trabalho aquecido, mas não elimina desigualdades na qualidade dos vínculos. A expansão do número de pessoas trabalhando convive com informalidade elevada e diferenças importantes entre emprego protegido, trabalho por conta própria e ocupações sem garantias trabalhistas.

Carteira assinada também atinge maior nível

O setor privado com carteira assinada alcançou 39,5 milhões de trabalhadores. Esse também é o maior patamar da série histórica e reforça o peso do emprego formal na melhora recente do mercado de trabalho.

A carteira assinada é importante porque amplia proteção ao trabalhador. Férias, 13º salário, FGTS, seguro-desemprego e contribuição previdenciária tornam o vínculo formal mais protegido do que boa parte das ocupações informais.

O avanço formal, porém, não elimina o tamanho da informalidade. A taxa de informalidade ficou em 37,5%, o que corresponde a 38,8 milhões de trabalhadores sem o mesmo conjunto de garantias disponíveis no emprego formal.

Renda e massa salarial crescem

O rendimento médio mensal do trabalhador chegou a R$ 3.777. O valor ficou acima dos R$ 3.752 registrados no trimestre encerrado em maio e permaneceu próximo do maior patamar da série, de R$ 3.783, observado no trimestre encerrado em fevereiro.

A massa salarial atingiu R$ 385,6 bilhões, também recorde da série. O total representa a soma de todos os rendimentos do trabalho e cresceu 1,4% no trimestre, com acréscimo de R$ 5,2 bilhões.

Esse dinheiro tem efeito direto sobre a economia cotidiana. Salários maiores e mais pessoas ocupadas ampliam renda disponível para consumo, pagamento de dívidas, poupança, investimento e circulação de recursos no comércio e nos serviços.

Contribuição à Previdência chega ao maior número

O Brasil também registrou recorde de trabalhadores contribuindo para institutos de Previdência. O total chegou a 68,5 milhões de pessoas, o equivalente a 66,2 de cada 100 trabalhadores ocupados.

A contribuição previdenciária amplia a rede de proteção do trabalhador. Ela está ligada a direitos como aposentadoria, benefício por incapacidade e pensão por morte, além de reduzir a exposição social em momentos de perda de renda.

O avanço é relevante porque formalização e contribuição não são a mesma coisa. Parte dos trabalhadores por conta própria e empregadores também pode contribuir, enquanto parte dos ocupados segue fora da proteção previdenciária.

Desalento cai em um ano

A população desalentada somou 2,4 milhões de pessoas no trimestre encerrado em agosto. O grupo ficou estável em relação ao trimestre anterior, mas caiu 11,9% na comparação com o mesmo período de 2025.

O desalento mede uma face menos visível do mercado de trabalho. Ele reúne pessoas que gostariam de trabalhar, mas deixaram de procurar vaga por acreditarem que não conseguiriam emprego.

A queda anual desse grupo é positiva, mas o número ainda mostra a existência de barreiras de entrada. Para milhões de brasileiros, o desafio não é apenas conseguir uma vaga, mas voltar a acreditar que a busca pode dar resultado.

Pesquisa mede todas as formas de ocupação

A PNAD Contínua considera pessoas de 14 anos ou mais e acompanha diferentes formas de trabalho. Entram na pesquisa ocupações com carteira, sem carteira, temporárias, por conta própria e outras formas de inserção produtiva.

Pelos critérios da pesquisa, só é considerada desocupada a pessoa que procurou trabalho nos 30 dias anteriores à entrevista. Quem não procurou vaga nesse período pode aparecer em outras categorias, como desalento ou fora da força de trabalho.

Esse detalhe ajuda a entender por que desemprego não resume sozinho a situação do trabalho no país. Taxa de ocupação, informalidade, rendimento, massa salarial, contribuição previdenciária e desalento completam o quadro.

O que os números dizem sobre o trabalho no país

O Brasil chega ao trimestre encerrado em agosto com sinais fortes de melhora no mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu, a ocupação bateu recorde, o emprego com carteira alcançou o maior nível da série e a massa salarial avançou.

O desafio agora é transformar quantidade de trabalho em qualidade de trabalho. A informalidade ainda atinge 38,8 milhões de pessoas, e isso significa menos proteção, menor previsibilidade de renda e mais vulnerabilidade em momentos de crise.

O dado central para o cidadão é simples: há mais gente trabalhando, mas o tipo de vínculo continua fazendo diferença. Emprego, renda e contribuição previdenciária melhoram a vida concreta das famílias quando vêm acompanhados de proteção, estabilidade e possibilidade real de planejamento.

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