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HRT faz reconstrução mamária em 32 mulheres no DF

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Iniciativa reuniu cirurgia reparadora e micropigmentação paramédica para pacientes que passaram por mastectomia após câncer de mama

HRT realiza mutirão de reconstrução mamária para 32 mulheres no DF

Trinta e duas mulheres atendidas pelo Hospital Regional de Taguatinga (HRT) passaram por cirurgia de reconstrução mamária durante o 11º Mutirão de Reconstrução de Mamas, iniciado em 22 de outubro. A ação integra a programação do Outubro Rosa e atende pacientes que tiveram uma ou as duas mamas retiradas em decorrência do tratamento do câncer.

Entre as participantes, 30 também receberam micropigmentação paramédica, técnica utilizada para redesenhar visualmente a aréola e o mamilo após a reconstrução.

Reconstrução faz parte do cuidado após a mastectomia

A reconstrução mamária não trata o câncer, mas integra o processo de recuperação de mulheres submetidas à mastectomia. O procedimento busca reparar a mama depois da retirada total ou parcial causada pelo tratamento da doença e pode ser realizado no mesmo momento da cirurgia oncológica ou posteriormente, conforme as condições clínicas da paciente.

A legislação brasileira assegura a cirurgia reconstrutiva pelo Sistema Único de Saúde nos casos de mutilação decorrente do tratamento do câncer. Quando a reconstrução imediata não é possível, a paciente deve continuar em acompanhamento até reunir condições clínicas para realizar o procedimento.

No mutirão do HRT, a assistência envolveu uma equipe multiprofissional com mastologistas, cirurgiões plásticos, anestesistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas e profissionais responsáveis pela micropigmentação.

A mobilização reuniu mais de uma centena de profissionais e estudantes, permitindo concentrar diferentes etapas do cuidado em uma mesma ação.

Micropigmentação ajuda a completar a reconstrução

A micropigmentação paramédica funciona como uma etapa complementar da reconstrução para algumas pacientes. A técnica produz uma representação tridimensional da aréola e do mamilo e pode ser realizada depois que a recuperação cirúrgica permite o procedimento.

A legislação brasileira também inclui a reconstrução do complexo aréolo-mamilar entre os procedimentos relacionados à cirurgia reparadora.

O impacto desse cuidado vai além da aparência física. Depois de uma trajetória marcada por diagnóstico, quimioterapia, radioterapia e cirurgia, a reconstrução pode contribuir para que a paciente retome sua relação com o próprio corpo e avance na recuperação com maior autonomia.

A história de Josimeira

Entre as mulheres atendidas estava Josimeira Barbosa de Moura, de 59 anos, moradora de Taguatinga. Ela descobriu um nódulo durante uma consulta de rotina e passou por quimioterapia, radioterapia e mastectomia em fevereiro de 2024.

Depois de atravessar diferentes etapas do tratamento na rede pública, Josimeira chegou ao mutirão para a reconstrução.

Sua trajetória mostra que o tratamento do câncer de mama não termina necessariamente quando o tumor é retirado. Cirurgias reparadoras, acompanhamento clínico, fisioterapia e outros cuidados podem fazer parte do percurso posterior à fase mais intensa do tratamento.

Câncer de mama deve ter mais de 78 mil novos casos por ano

O Brasil deve registrar cerca de 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028. O tumor é o câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras quando os casos de pele não melanoma são excluídos.

Algumas alterações nas mamas exigem avaliação profissional, como aparecimento de nódulo, saída espontânea de líquido pelo mamilo, mudança no formato do mamilo, alterações persistentes na pele ou crescimento incomum de uma das mamas.

Esses sinais não significam automaticamente a presença de câncer, mas precisam ser investigados.

Na rede pública do Distrito Federal, a unidade básica de saúde é a porta de entrada para avaliação inicial e encaminhamento aos exames necessários.

Onde a mamografia está disponível no DF?

A mamografia pode ser realizada em diferentes pontos da rede pública do Distrito Federal, mediante encaminhamento conforme o fluxo assistencial.

Entre as unidades que oferecem o exame estão os hospitais regionais de Sobradinho, Asa Norte, Região Leste, Samambaia, Gama, Taguatinga e Ceilândia, além do Hospital Materno Infantil de Brasília, do Centro Especializado em Saúde da Mulher e do Centro de Radiologia de Taguatinga.

Quem perceber alguma alteração nas mamas deve procurar uma UBS para avaliação, sem esperar por campanhas ou mutirões.

Reconstrução também é continuidade do tratamento

O mutirão chama atenção para uma etapa do tratamento do câncer que costuma receber menos visibilidade: o cuidado depois da mastectomia. Combater a doença envolve diagnóstico e terapias capazes de controlar o tumor, mas também exige olhar para as consequências físicas e emocionais deixadas pelo tratamento.

A reconstrução não apaga a experiência do câncer nem representa o fim automático do acompanhamento médico. Ela integra uma assistência que precisa reconhecer a paciente para além da doença e oferecer condições para que a recuperação continue depois da cirurgia oncológica.

Quando esse cuidado é incorporado à rede pública, o acesso deixa de depender apenas da capacidade financeira individual. O desafio permanente é fazer com que o direito à reconstrução esteja disponível de maneira oportuna para todas as pacientes que tenham indicação e condições clínicas para realizá-la.

Fontes e Documentos:

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