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Ibovespa ignora crise externa e fecha acima de 166 mil pontos

Publicado em:

Repórter: Fabíola Fonseca

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As turbulências no mercado internacional até fizeram barulho, mas não derrubaram a bolsa brasileira. Pelo contrário. O Ibovespa, principal índice da B3, bateu recorde histórico nesta terça-feira (20) e fechou, pela primeira vez, acima dos 166 mil pontos, mostrando que o capital estrangeiro continua olhando para o Brasil com atenção — e calculadora na mão.

O índice encerrou o dia aos 166.277 pontos, com alta de 0,87%. Pela manhã, o cenário foi de cautela e queda leve. No entanto, o humor virou após a abertura das bolsas nos Estados Unidos, quando investidores passaram a migrar recursos para mercados emergentes, aproveitando juros mais altos e ativos ainda descontados.

No fim da tarde, o discurso de um ano de governo do presidente Donald Trump trouxe volatilidade e chegou a empurrar o Ibovespa abaixo dos 166 mil pontos. A reação, porém, veio rápido. Nos minutos finais do pregão, ações de mineradoras, bancos e petroleiras — setores com maior peso no índice — puxaram a recuperação e garantiram o fechamento histórico.

No câmbio, o clima foi menos animado. O dólar comercial encerrou vendido a R$ 5,375, com alta de 0,3%. A moeda chegou a bater R$ 5,40 ainda pela manhã, mas perdeu força ao longo do dia. A alta refletiu o aumento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Europa, que seguem escalando sem sinal claro de trégua.

O estopim mais recente veio da França. O presidente Emmanuel Macron ameaçou acionar um mecanismo de defesa comercial que permitiria à União Europeia aplicar tarifas de até 93 bilhões de euros sobre produtos norte-americanos. A reação ocorre após Trump reiterar declarações sobre a possível anexação da Groenlândia e ameaçar elevar tarifas contra produtos europeus.

Para completar o cenário, o Parlamento Europeu decidiu suspender a tramitação do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos, firmado em julho do ano passado e que previa tarifa de 15% sobre produtos europeus. O gesto político adicionou mais lenha à fogueira e aumentou a aversão ao risco nos mercados globais.

Ainda assim, o Brasil conseguiu passar relativamente ileso. A diferença entre os juros brasileiros e os juros norte-americanos funcionou como colchão de proteção. Investidores que deixaram as bolsas dos Estados Unidos — que fecharam em forte queda — encontraram no Brasil um destino atrativo, o que ajudou a conter a pressão sobre o dólar e sustentou o desempenho da bolsa.

Agora, o foco do mercado se volta para Brasília. Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para decidir os rumos da Taxa Selic, hoje em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. Até lá, o recado do mercado já foi dado: em tempos de incerteza global, juro alto ainda fala alto — e em bom português.

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