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quinta-feira, 11 junho 2026, 13:48
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CCJ aprova PEC da maioridade penal aos 16 anos

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Texto ainda passará por comissão especial, plenário da Câmara e Senado antes de virar lei

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, a admissibilidade da proposta que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. A votação terminou com 44 votos favoráveis e 18 contrários.

A decisão da CCJ não altera imediatamente a Constituição nem muda, por enquanto, a forma de responsabilização de adolescentes. A comissão analisou apenas se a proposta pode tramitar do ponto de vista constitucional, jurídico e regimental. O mérito ainda será discutido em uma Comissão Especial.

Esse ponto é essencial. A aprovação na CCJ é avanço político relevante, mas ainda é só a primeira porta de um corredor longo. Para virar emenda constitucional, a proposta terá de passar por comissão especial, dois turnos no plenário da Câmara e depois repetir rito semelhante no Senado.

PEC ainda não vai direto ao plenário

O próximo passo será a criação de uma Comissão Especial temporária pela Mesa Diretora da Câmara. Esse colegiado analisará o conteúdo da proposta, poderá realizar audiências públicas, receber sugestões, propor alterações e votar um relatório final.

Se for aprovada na Comissão Especial, a PEC seguirá para o plenário da Câmara dos Deputados. Como se trata de mudança constitucional, o texto precisará de apoio mínimo de três quintos dos deputados, o equivalente a 308 dos 513 parlamentares, em dois turnos de votação.

Caso passe pela Câmara, a matéria seguirá ao Senado Federal, onde também precisará ser aprovada em dois turnos por maioria qualificada. Só depois desse percurso poderá ser promulgada como emenda constitucional.

Proposta tramita desde 2015

A PEC 32/2015 foi apresentada originalmente em maio de 2015 pelo então deputado Gonzaga Patriota, do PSB de Pernambuco, e outros parlamentares. O texto inicial propunha a plena maioridade civil e penal aos 16 anos.

A proposta ficou por mais de uma década sob análise na CCJ, passou por diferentes relatores e chegou a ser arquivada em 2019, antes de voltar à tramitação. Em 2026, o tema ganhou novo impulso, com parecer favorável do deputado Coronel Assis, do PL de Mato Grosso.

A votação desta quarta ocorreu depois da rejeição de requerimentos de adiamento apresentados por parlamentares contrários à proposta.

Substitutivo preserva regras civis atuais

Embora o texto original tratasse de maioridade civil e penal, o relator apresentou substitutivo que mantém as regras civis atuais. Assim, a proposta aprovada na CCJ não altera direitos políticos nem a maioridade civil.

Na prática, o alistamento eleitoral continuaria facultativo aos 16 anos e obrigatório apenas a partir dos 18. A mudança discutida se concentra na responsabilização penal de adolescentes a partir dos 16 anos.

Esse ajuste reduz o alcance do texto original, mas mantém o centro do debate: se jovens de 16 e 17 anos devem responder criminalmente como adultos.

Defensores falam em responsabilização e segurança

Parlamentares favoráveis à PEC argumentam que a redução da maioridade penal responde a uma demanda social por segurança pública e responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes graves.

Esse grupo sustenta que jovens de 16 e 17 anos já teriam discernimento suficiente para responder penalmente por seus atos e que o sistema atual não daria resposta proporcional a determinados crimes.

Na leitura dos defensores, a mudança teria efeito de justiça e de prevenção. O argumento central é que a regra atual protegeria excessivamente adolescentes que cometem crimes graves.

Críticos apontam risco a direitos fundamentais

Parlamentares contrários afirmam que a redução da maioridade penal viola direitos fundamentais previstos na Constituição e não enfrenta as causas estruturais da violência. Também defendem que o foco deveria estar em educação, proteção social, prevenção, fortalecimento do sistema socioeducativo e combate ao aliciamento de adolescentes por organizações criminosas.

Durante os debates, opositores alertaram para o risco de o crime organizado passar a recrutar adolescentes ainda mais jovens caso a idade penal seja reduzida para 16 anos.  menores.

O Conselho Nacional de Justiça indica que o país registra cerca de 12 mil adolescentes em unidades de internação ou privação de liberdade, menos de 1% dos 28 milhões de jovens nessa faixa etária, segundo referência ao IBGE.

Debate deve se concentrar no mérito

A etapa na Comissão Especial deve aprofundar pontos que a CCJ não resolve. Entre eles estão o impacto da proposta sobre o sistema prisional, a compatibilidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente, o papel das medidas socioeducativas, a prevenção ao recrutamento por facções e a capacidade do Estado de separar adolescentes de adultos no cumprimento de pena.

Também devem entrar no debate a superlotação carcerária, a reincidência, os custos de implementação e a eventual necessidade de normas complementares.

A discussão, portanto, não será apenas jurídica. Será penal, social, orçamentária, educacional e federativa.

Mudança ainda depende de amplo apoio político

A aprovação por 44 a 18 na CCJ mostra força da proposta dentro da comissão, mas não garante os votos necessários no plenário. A exigência de 308 deputados em dois turnos eleva o grau de articulação política necessário.

Além disso, qualquer mudança aprovada pela Câmara ainda terá de passar pelo Senado. Isso significa que a redução da maioridade penal continua distante de produzir efeitos práticos.

Por enquanto, adolescentes de 16 e 17 anos seguem submetidos às regras do Estatuto da Criança e do Adolescente, com medidas socioeducativas em caso de ato infracional. A eventual mudança só ocorrerá se a PEC completar todo o rito constitucional.

Aprovação abre nova fase de disputa

A decisão da CCJ recoloca a redução da maioridade penal no centro da agenda do Congresso. O tema mobiliza medo da violência, demanda por punição, preocupações com direitos fundamentais e críticas à capacidade do sistema socioeducativo.

O próximo debate será mais difícil que o da admissibilidade. A Comissão Especial terá de discutir não apenas se a PEC pode tramitar, mas se deve ser aprovada, em que formato e com quais consequências.

A pergunta que fica para o Congresso é direta: reduzir a idade penal aumentará a responsabilização ou apenas levará adolescentes para um sistema prisional já pressionado? A resposta exigirá mais que slogan. Exigirá dados, diagnóstico e clareza sobre o que o Estado pretende fazer com jovens que entram no conflito com a lei.

Relacionadas, fontes e documentos:

Senado aprova contrato de primeiro emprego para jovens (Fonte em Foco)
PEC do fim da 6×1 deve passar por comissão no Senado (Fonte em Foco)
Move Motos mira crédito para entregadores de app (Fonte em Foco)
Câmara aprova penas mais duras para crimes sexuais (Fonte em Foco)
Comissão de Constituição e Justiça aprova PEC que reduz maioridade penal (Câmara dos Deputados)
– Comissão da Câmara aprova redução da maioridade penal para 16 anos (Agência Brasil)
– Ficha de tramitação da PEC 32/2015 (Câmara dos Deputados)

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