Unidade em Três Lagoas volta ao plano da estatal com operação prevista para 2029
A Petrobras decidiu retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), após deliberação do Conselho de Administração na segunda-feira, 13 de abril de 2026. A decisão viabiliza investimento estimado em cerca de US$ 1 bilhão e prevê início da operação comercial da unidade em 2029.
A retomada ocorre depois de mais de uma década de paralisação. A implantação da fábrica havia sido interrompida em 2015, e o projeto voltou a ser reavaliado a partir de 2023, quando a Petrobras decidiu retornar ao segmento de fertilizantes. A estatal já havia incluído a conclusão da unidade no seu planejamento estratégico e, em documento corporativo de 2025, mencionava a expectativa de conclusão da UFN-III como parte da ampliação de sua capacidade no setor.
Produção mira o coração do agronegócio
Segundo a Petrobras, a UFN-III terá capacidade para produzir aproximadamente 3,6 mil toneladas por dia de ureia e 2,2 mil toneladas por dia de amônia, sendo cerca de 180 toneladas diárias de amônia excedente destinadas à comercialização. A produção será direcionada principalmente para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, estados com forte peso na agropecuária nacional.
Esse desenho industrial ajuda a explicar o peso econômico da decisão. A ureia é o fertilizante nitrogenado mais consumido no país, com demanda nacional na casa de 8 milhões de toneladas por ano, segundo a própria estatal. Já a amônia é insumo relevante tanto para a cadeia de fertilizantes quanto para o setor petroquímico.
Petrobras volta a uma área que havia deixado para trás
A retomada da fábrica em Três Lagoas também marca um reposicionamento da Petrobras em uma área que havia sido esvaziada ao longo dos anos anteriores. Estudos públicos sobre o setor registram que a UFN-III teve a construção iniciada, depois foi retirada do curso normal de investimentos e chegou a entrar em negociações de venda no passado.
No Plano Nacional de Fertilizantes 2050, o governo já apontava a existência de projetos inacabados no país e citava a unidade sul-mato-grossense como um desses casos. A decisão agora altera esse status e recoloca a fábrica como peça concreta da estratégia industrial ligada ao abastecimento de insumos agrícolas.
Fertilizante virou tema industrial, geopolítico e de segurança econômica
A notícia vai além da obra em si. Fertilizante, no Brasil, deixou há tempos de ser assunto restrito a engenheiro químico e planilha de custo. Trata-se de um insumo central para a produtividade agrícola e, por isso, de um ponto sensível da segurança econômica do país. Ao reativar a UFN-III, a Petrobras tenta ocupar parte desse vazio com produção doméstica, ainda que os efeitos práticos só devam aparecer mais adiante, quando a unidade de fato entrar em operação.
O desafio, claro, não termina na aprovação do conselho. Obra industrial paralisada por anos carrega histórico, custo, execução e risco de cronograma. Em outras palavras, aprovar é o primeiro movimento. Entregar é o teste de verdade. E, nesse tipo de projeto, o país já aprendeu que fertilizante não nasce de anúncio — nasce de canteiro retomado, contrato cumprido e operação funcionando sem virar mais um monumento ao “agora vai”.
Fontes e documentos:
– Petrobras aprova retomada das obras da Fábrica de Fertilizantes, em Três Lagoas (MS) (Agência Petrobras)
– Políticas Públicas e Governança Corporativa – Carta Anual 2025 (Petrobras)
– Plano Nacional de Fertilizantes 2050 (Governo Federal)

