back to top
24 C
Brasilia
quinta-feira, 25 junho 2026, 13:24
Publicidade
Publicidade
InícioVida & DesenvolvimentoMeio ambienteEstudo liga El Niño a variações na pesca do Atlântico

Estudo liga El Niño a variações na pesca do Atlântico

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Paulo Andrade

Cobertura relacionada

Rede de Cras atende 205 mil famílias no Distrito Federal

Cras do DF atenderam 205 mil famílias em 2025, enquanto a procura por serviços sociais cresceu. Veja como funciona.

Vacina pneumo 20 chega ao SUS com proteção ampliada

Vacina pneumo 20 amplia a proteção infantil no SUS e muda o esquema de transição. Veja quem deve receber as doses.

Agências do DF oferecem 610 vagas de emprego nesta terça

Agências oferecem 610 vagas no DF nesta terça, com salários de até R$ 3 mil. Veja os cargos em destaque e como participar das seleções.

Crédito rural pode mais que triplicar colheita de alho

Crédito rural pode elevar de 360 kg para 1,2 tonelada a colheita de alho de um casal no DF. Entenda como funcionam as linhas de apoio.

Opera DF chega a 5 mil cirurgias e Hran recebe obras

Opera DF já realizou 5 mil cirurgias, enquanto o Hran recebe R$ 2,2 milhões em obras. Veja os avanços e o que ainda precisa ser medido.

PGR defende Mendonça como relator do caso Dark Horse

PGR defende que o caso Dark Horse fique com André Mendonça. Fachin decidirá a relatoria do pedido sobre o financiamento do filme. Entenda.
Publicidade

Um estudo publicado nesta quinta-feira (18) na revista Nature Reviews Earth & Environment amplia a compreensão científica sobre os impactos do El Niño–Oscilação Sul (ENOS) no Oceano Atlântico e aponta que o fenômeno climático pode definir se a pesca aumenta ou diminui em regiões da África e da América do Sul.

O ENOS corresponde à alternância entre El Niño e La Niña, fenômeno acoplado às variações de pressão e às circulações oceânicas e atmosféricas do Oceano Pacífico, com efeitos que se propagam para outros sistemas oceânicos.

A revisão científica reúne evidências de que o ENOS altera padrões de chuva, ventos, temperatura e salinidade do oceano, além da descarga de grandes rios. Essas mudanças afetam a disponibilidade de nutrientes e oxigênio nas águas, impactando o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha, e, por consequência, a abundância de peixes e crustáceos de interesse comercial.

Impactos variam por região e espécie
Segundo o artigo, não há um efeito uniforme do ENOS sobre a pesca. As respostas variam conforme a região, a espécie explorada e o período analisado.

No Norte do Brasil, o El Niño atua pela via tropical e está associado à redução das chuvas na Amazônia, como observado em 2023 e 2024. Com menos precipitação, diminui a pluma do rio Amazonas, responsável por levar nutrientes essenciais para a costa do Norte e do Nordeste.

“Essa pluma, que chega à costa do Norte e Nordeste do Brasil, contém nutrientes que são a base da cadeia alimentar”, explica a professora Regina Rodrigues, da Universidade Federal de Santa Catarina, uma das autoras do estudo.

A redução desse aporte pode prejudicar a produtividade pesqueira em determinadas áreas. Em contrapartida, pode favorecer a captura do camarão marrom, que se beneficia da menor turbidez da água e da maior penetração da radiação solar.

Já no Sul do Brasil, o El Niño atua pela via extratropical e está associado ao aumento das chuvas, como ocorreu no Rio Grande do Sul em 2024. O maior aporte de água doce e nutrientes tende a favorecer algumas pescarias. Na região central do Atlântico Sul, o fenômeno aparece relacionado ao aumento da captura da albacora, espécie de atum amplamente explorada comercialmente.

Integração de processos e lacunas de dados
O estudo ressalta que essas respostas podem mudar conforme a estação do ano e até a década analisada. Para Ronaldo Angelini, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e coautor do artigo, a proposta é integrar processos físicos, biogeoquímicos e ecológicos para explicar essas variações.

“Essa abordagem ajuda a entender por que as respostas da pesca nem sempre são lineares ou consistentes ao longo do tempo”, afirma Angelini, especialmente diante das mudanças climáticas, que alteram a frequência e a intensidade do ENOS.

A revisão também aponta lacunas relevantes, como a falta de séries históricas longas de dados pesqueiros e limitações das observações por satélite, e propõe caminhos para melhorar a capacidade de previsão.

“Esse roteiro viabiliza a construção de modelos quantitativos com estimativas de incerteza, fundamentais para separar os sinais do ENOS de outras variabilidades”, destaca o pesquisador.

Monitoramento e manejo local
Resultado de um projeto internacional financiado pela União Europeia, com participação de instituições da Europa, África e Brasil, o estudo conclui que não existe uma resposta única do Atlântico ao ENOS. Para os autores, isso reforça a necessidade de estratégias de manejo localizadas, adaptadas a cada estoque pesqueiro e às realidades das comunidades costeiras.

Diante da escala global do fenômeno, os pesquisadores defendem um monitoramento oceânico coordenado, com ampliação das redes existentes, integração de observatórios costeiros e uso de protocolos comuns, dados interoperáveis e séries temporais comparáveis.

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.