O Plano de Ação para a Efetivação da Política Distrital para a População em Situação de Rua, coordenado pela Casa Civil do Distrito Federal, atendeu 49 pessoas na última semana em diferentes regiões do DF. As ações reforçam a estratégia do governo de combinar acolhimento humanizado, acesso a serviços públicos e reorganização dos espaços urbanos.
Segundo o secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha, 2025 marcou um fortalecimento da política pública voltada a esse público. Ele destacou a inauguração do primeiro hotel social do DF como um divisor de águas. Para o secretário, o equipamento se consolidou como porta de entrada para políticas públicas de longo prazo, o que explicaria a alta taxa de ocupação e a procura diária quase no limite.
Entre terça-feira (16) e domingo (20), as equipes atuaram em 12 pontos do Plano Piloto, Ceilândia e Lago Sul. Ao longo das ações, foram desconstituídas 14 estruturas precárias e retirados nove caminhões de entulho, com destinação à Unidade de Recebimento de Entulho (URE).
No Plano Piloto, as abordagens ocorreram em cinco locais, como SHS Quadra 02, CLS 302, CLS 303, Setor Comercial Sul, Buraco do Rato e 904 Sul. Nessas áreas, 12 estruturas foram desmontadas, 26 pessoas atendidas e dois caminhões de entulho removidos.
Em Ceilândia, a ação percorreu três pontos da Avenida Hélio Prates, entre QNM 01/02 e CNM 01/03, no centro. Foram duas estruturas desfeitas, três pessoas atendidas e três caminhões de entulho retirados.
Já no Lago Sul, as equipes atuaram em dois pontos da QI 16, no sábado e no domingo. Ao todo, 20 pessoas foram encontradas e atendidas, com a remoção de quatro caminhões de entulho.
As ações fazem parte de um esforço integrado do Governo do Distrito Federal para garantir acolhimento, encaminhamentos adequados e acesso contínuo às políticas públicas. O DF foi a primeira unidade da Federação a apresentar um plano estruturado após a suspensão das ações de abordagem pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A política começou a ser implementada após uma fase de testes em maio de 2024, com visitas na Asa Sul e em Taguatinga, quando cerca de 50 pessoas receberam assistência social e oferta de serviços. O plano foi oficializado em 27 de maio de 2024 e, desde então, passou a ter ações semanais em diversas regiões, como Vila Planalto, Taguatinga Norte e Sul, Ceilândia, Águas Claras e Arniqueira.
Em julho deste ano, a então governadora em exercício, Celina Leão, assinou decreto que lançou o programa Acolhe DF, voltado à busca ativa e oferta de tratamento para pessoas em situação de rua com dependência de drogas, incluindo álcool e tabaco. A iniciativa criou uma nova linha de atendimento e ampliou as ações já existentes.
No mesmo mês, o GDF inaugurou o primeiro hotel social da capital, com 200 vagas para pernoite e estrutura para receber animais de estimação. Apenas na primeira semana de funcionamento, o espaço registrou mais de mil acolhimentos, número que expõe tanto a demanda reprimida quanto a confiança no serviço.
Além disso, desde 2022, o governo mantém a Ação Contra o Frio, que oferece espaços públicos para pernoite durante períodos de baixas temperaturas. Somente neste ano, a unidade da Asa Sul contabilizou 6,6 mil atendimentos, com distribuição de casacos e cobertores arrecadados pela campanha Agasalho Solidário, da Chefia-Executiva de Políticas Sociais.
O desafio agora, como sempre na política pública, é manter a regularidade das ações e garantir que o acolhimento emergencial se converta em saídas duradouras da situação de rua. Sem isso, o risco é tratar sintomas e deixar a causa dormir ao relento.

