back to top
24 C
Brasilia
quarta-feira, 21 janeiro 2026, 07:28:36
Publicidade
Publicidade

Lei de MT volta a vigorar e pressiona Moratória da Soja

Publicado em:

Repórter: Paulo Andrade

Notícias relacionadas

Seca persiste em SP e ameaça abastecimento no primeiro trimestre

A chuva segue abaixo da média histórica em praticamente...

Defeso do caranguejo-uçá em 2026 começa em janeiro

O calendário de defeso do caranguejo-uçá para 2026 já...

Cantareira segue em faixa de restrição no início de 2026

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)...

Desmatamento cai em cinco biomas brasileiros

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) consolidou os...

Rio Acre ultrapassa nível de inundação em Rio Branco

O nível do Rio Acre na capital acreana, Rio...
Publicidade

Maior produtor de soja do país, Mato Grosso voltou a aplicar, desde 1º de janeiro, um dispositivo legal que restringe benefícios fiscais a empresas signatárias de acordos que limitam a expansão agropecuária, como a Moratória da Soja. O trecho integra a Lei estadual 12.709/2024 e havia sido suspenso por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) em ação direta de inconstitucionalidade (ADI). A suspensão expirou no último dia de 2025, enquanto o mérito da ação ainda aguarda julgamento na Corte.

A Moratória da Soja é um acordo voluntário firmado em 2006 por empresas do setor, com apoio do governo federal e de organizações da sociedade civil, para não comercializar soja oriunda de áreas da Amazônia desmatadas após 2008. O objetivo é conter o avanço do desflorestamento associado à cultura. Participam grandes exportadoras ligadas à Abiove e à Anec, com apoio de entidades como Greenpeace e Ipam.

Dados citados por organizações ambientalistas indicam que, entre 2009 e 2022, a produção de soja na Amazônia cresceu 344%, enquanto o desmatamento caiu 69% no período, sinalizando ganho de produtividade sem expansão territorial. Segundo o Greenpeace Brasil, apenas 3,4% da soja produzida no bioma estaria fora das regras do acordo, indicador relevante para mercados exigentes, como a União Europeia.

O que diz a lei estadual

O artigo 2º da Lei 12.709/2024 veda o acesso a benefícios fiscais e a concessão de terrenos públicos a empresas que participem de acordos, nacionais ou internacionais, que imponham restrições à expansão agropecuária em áreas não protegidas por legislação ambiental específica. É esse dispositivo que voltou a valer com o fim da liminar.

Diante da reativação do trecho, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao STF a prorrogação da suspensão por mais 120 dias. A AGU sustenta que a retirada de incentivos pode estimular o abandono do acordo ambiental. Em manifestação baseada em nota técnica do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a AGU afirma que o esvaziamento da moratória, sem um arranjo institucional substituto, pode gerar prejuízos imediatos ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável das regiões produtoras, especialmente na Amazônia.

Estudo preliminar do Ipam aponta que o fim da Moratória da Soja pode elevar o desmatamento em até 30% até 2045, com impacto direto nas metas climáticas brasileiras (NDCs) e nas metas de desmatamento.

Para a advogada do Greenpeace Brasil, Daniela Jerez, a entrada em vigor do dispositivo envia um sinal negativo às empresas que adotam práticas ambientais responsáveis. Ela argumenta que o sistema tributário não pode ser usado para punir quem cumpre o dever constitucional de proteger o meio ambiente, citando os artigos 225 e 145 da Constituição. A entidade confia que o STF declarará a inconstitucionalidade do trecho.

Disputa jurídica e contexto nacional

A moratória tem sido contestada por setores ruralistas, que articularam medidas semelhantes em Maranhão e Rondônia. Em agosto do ano passado, o acordo chegou a ser suspenso administrativamente após o Cade abrir apuração por suposta prática anticompetitiva. Em novembro, o ministro Flávio Dino, relator no STF, determinou a suspensão nacional de processos sobre a moratória — no Cade e no Judiciário — até decisão final da Corte sobre a constitucionalidade das restrições.

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.