O primeiro Boletim Focus de 2026, divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central, trouxe um cenário de estabilidade nas principais projeções do mercado financeiro. Das quatro medianas acompanhadas, apenas a expectativa de inflação para 2026 apresentou leve variação, passando de 4,05% para 4,06%, uma alta de 0,01 ponto percentual.
A inflação oficial é medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A pequena oscilação interrompe uma sequência de oito semanas consecutivas de queda nas projeções. Há quatro semanas, por exemplo, o mercado estimava uma inflação de 4,16% ao fim deste ano.
Para os anos seguintes, o cenário segue inalterado. As projeções permanecem estáveis há nove semanas, com inflação estimada em 3,80% para 2027 e 3,50% para 2028.
Inflação dentro da meta do governo
A meta de inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2025, o centro da meta é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece um teto de 4,5%.
A prévia da inflação de dezembro, medida pelo IPCA-15, ficou em 0,25%, levando o acumulado de 12 meses a 4,41%, dentro do limite estabelecido pelo governo. Foi o segundo mês consecutivo com a inflação acumulada dentro da margem de tolerância.
Em novembro, o índice já havia recuado para 4,5%, após permanecer fora do intervalo desde janeiro. O pico ocorreu em abril, quando a inflação acumulada chegou a 5,49%, o maior nível do período. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
PIB mantém projeção de crescimento moderado
As estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) seguem sem alterações. O mercado projeta crescimento de 1,8% em 2026, repetindo o mesmo percentual esperado para 2027. Para 2028, a projeção é de avanço de 2% na economia brasileira.
Câmbio e Selic seguem estáveis
No câmbio, a expectativa do mercado é de que o dólar feche 2026 cotado a R$ 5,50, valor que permanece inalterado há 12 semanas. Para 2027, a projeção também é de R$ 5,50, enquanto para 2028 o dólar é estimado em R$ 5,52.
A taxa básica de juros (Selic), que encerrou 2025 em 15% ao ano, deve recuar gradualmente. A projeção é de 12,25% em 2026, 10,50% em 2027 e 9,75% em 2028.
Atualmente, a Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano. Após chegar a 10,5% em maio de 2024, os juros começaram a subir em setembro daquele ano, alcançando 15% na reunião de junho, patamar mantido desde então.
Segundo a lógica da política monetária, juros mais altos são usados para conter a demanda e segurar a inflação, ao encarecer o crédito e estimular a poupança. Em contrapartida, juros elevados dificultam o crescimento econômico. Já a redução da Selic tende a baratear o crédito, estimular consumo e produção, mas reduz o controle sobre a inflação.

