O verão mal começa e o alerta já está ligado nos consultórios. Durante as férias escolares, os casos de otite externa, popularmente chamada de ouvido de nadador, aumentam de forma significativa. O motivo é simples e bastante conhecido: mais tempo na água, seja em piscinas, rios ou no mar, especialmente entre as crianças.
O calor intenso, somado à umidade acumulada no canal auditivo, cria o ambiente perfeito para a proliferação de bactérias e fungos, principais causadores da infecção. Embora o uso frequente de ar-condicionado possa contribuir, o fator determinante continua sendo a água retida no ouvido — problema que não escolhe idade e atinge também adolescentes e adultos.
Umidade no ouvido é o principal vilão
Segundo o pediatra Luis Henrique Costa, do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), o risco aumenta quando a água permanece no ouvido após o banho ou atividades aquáticas, principalmente em locais com higiene inadequada.
A otite externa, explica o médico, afeta a região entre o tímpano e o canal auditivo. Quando a umidade não é eliminada, esse espaço se transforma em um terreno fértil para infecções. Resultado: dor, inflamação e bastante desconforto — aquele tipo de lembrança de férias que ninguém quer guardar.
Sintomas variam conforme a idade
Embora seja mais comum em crianças, o diagnóstico nos pequenos costuma ser mais difícil. Nem sempre eles conseguem relatar dor, o que exige atenção redobrada dos responsáveis. Mudanças de comportamento, irritabilidade e choro fora do padrão já acendem o sinal amarelo.
Em bebês, os sintomas costumam ser indiretos: febre, choro intenso, irritação e, nos quadros mais graves, saída de secreção pelo ouvido. Nesses casos, a recomendação é clara: procurar atendimento médico imediatamente.
Já em crianças maiores, a identificação tende a ser mais fácil. A dor no ouvido é o sintoma mais comum, muitas vezes acompanhada de febre persistente por mais de 48 horas e prostração.
Nada de automedicação
O pediatra reforça um ponto essencial: automedicação não é opção. O tratamento depende do tipo de otite e da gravidade do quadro. Em algumas situações, é possível adotar uma conduta mais conservadora. Em outras, o uso de antibióticos é necessário — sempre com prescrição médica.
Traduzindo o “mediquês” para o português claro: cada ouvido é um caso, e receita de vizinho não resolve infecção.
Prevenção começa com hábitos simples
Evitar a otite externa passa por cuidados básicos no dia a dia. O uso de cotonetes é desaconselhado, já que pode empurrar o cerúmen, a cera natural do ouvido, para dentro, aumentando o risco de infecção.
Após piscina ou mar, a orientação é secar apenas a parte externa do ouvido, com toalha ou algodão, sem introduzir objetos. Sensação de ouvido tampado, desconforto ou dor não devem ser ignorados. Além disso, evitar locais com condições precárias de higiene ajuda — e muito — a manter o problema longe.
No verão, água é diversão. Mas ouvido molhado por muito tempo é convite aberto para dor de cabeça… ou melhor, de ouvido.

