Lula bateu o martelo. Wellington César Lima e Silva será o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, com anúncio oficial previsto para esta terça-feira (13). Nos bastidores de Brasília, a decisão não causou surpresa. Ela apenas confirma um padrão: quando o assunto aperta, o presidente chama alguém da confiança e reorganiza o tabuleiro.
Currículo não falta. Wellington já foi procurador-geral de Justiça da Bahia, teve uma passagem-relâmpago pelo ministério em 2016, hoje chefia o jurídico da Petrobras e conhece como poucos o funcionamento interno do Estado. É técnico, institucionalista e sabe falar a língua do poder. Até aqui, tudo certo.
O problema começa quando se olha menos para o currículo e mais para o contexto.
A escolha sinaliza que Lula não abandonou a ideia de criar um Ministério da Segurança Pública separado da Justiça. Mas sinalizar não é executar. Antes de qualquer desmembramento, o governo precisa aprovar a PEC da Segurança, garantir orçamento e construir base política no Congresso. Ou seja, a promessa ainda está embrulhada em outras promessas. Enquanto isso, a violência segue sem pedir licença.
Na prática, Wellington entra como um ministro de transição. Não para revolucionar a segurança, mas para organizar o terreno jurídico e político de algo que pode ou não sair do papel. Lula prefere cautela institucional a arroubos improvisados. O Planalto já aprendeu, à força, que criar estruturas sem base legal costuma terminar no STF.
E falando em política, não dá para fingir que a Bahia não manda recado. Jaques Wagner foi o principal articulador da indicação, com apoio direto de Rui Costa. Ambos ex-governadores, ambos padrinhos políticos do novo ministro. Foi assim em 2010, quando Wellington virou procurador-geral sendo o menos votado da lista tríplice. Foi assim em 2016, na nomeação anulada. E é assim agora.
Coincidência? Não. É método.
Isso não invalida a capacidade técnica do novo ministro, mas ajuda a entender por que a segurança pública, mais uma vez, entra no jogo como moeda de articulação política. Troca-se o nome, ajusta-se o discurso, mas o cidadão continua esperando resultados concretos.
Wellington conhece o tema. Criou o Comitê Interinstitucional de Segurança Pública na Bahia, participou do Pacto pela Vida e defende algo raro no debate público: equilíbrio entre instituições. Ao falar da Polícia Federal e do Ministério Público, já disse que não pode haver hegemonia absoluta de nenhum órgão. Tecnicamente correto. Institucionalmente saudável.
A pergunta incômoda é outra: esse equilíbrio interessa ao jogo político que o colocou ali?
Enquanto isso, o brasileiro segue vivendo a realidade nua e crua da insegurança. Trocar Ricardo Lewandowski por Wellington pode melhorar a articulação interna, mas não resolve o problema estrutural. Segurança pública exige política de Estado, planejamento de longo prazo, investimento contínuo e autonomia técnica. Não se resolve com dança das cadeiras nem com anúncios elegantes.
Wellington pode surpreender? Pode. Tem bagagem, conhece os atores e sabe onde pisa. Tomara que consiga ir além do papel de operador político e assuma protagonismo real. Mas, até agora, o que Lula fez foi trocar o motorista — o caminho continua o mesmo.

