O Governo do Distrito Federal finalmente tirou o VLT do discurso genérico e colocou o projeto na prancheta. Nesta quinta-feira (15), a governadora em exercício Celina Leão autorizou a contratação dos estudos e anteprojetos para implantar o Veículo Leve sobre Trilhos ligando Taguatinga e Ceilândia, dois dos maiores polos urbanos do DF e, não por acaso, dois gargalos históricos da mobilidade.
O traçado preliminar prevê cerca de 15 quilômetros, acompanhando a Estrada Parque do Contorno (Pistão Sul e Norte) e a Avenida Hélio Prates, corredores onde o trânsito costuma testar a paciência até dos mais otimistas. A ideia é simples na teoria: transporte de alta capacidade, integração urbana e menos tempo perdido dentro de ônibus lotados ou carros parados.
Estudos antes da promessa
A autorização assinada não é para a obra em si, mas para algo que o poder público costuma pular — e depois pagar caro: o estudo de viabilidade. A concorrência eletrônica prevê a elaboração do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) e dos anteprojetos de engenharia, com investimento estimado em R$ 7,24 milhões.
Esses estudos vão analisar demanda de passageiros, alternativas de traçado, custos, impactos ambientais e benefícios socioeconômicos. Em português claro: vão dizer se o VLT é viável ou se vira mais um projeto bonito no papel.
Celina Leão afirmou que o prazo máximo para essa fase é de 12 meses e que, paralelamente, o GDF já conversa com bancos internacionais para viabilizar o financiamento. Segundo ela, a proposta é integrar o VLT ao Metrô do DF, ampliando o alcance do sistema. A promessa, como de praxe, é de transformação urbana e melhora na vida de moradores e comerciantes. O tempo dirá se sai do PowerPoint.
Requalificação urbana em jogo
O secretário de Obras e Infraestrutura, Valter Casimiro, reforçou que o projeto faz parte de um processo mais amplo de requalificação da região. A aposta é que o VLT na Hélio Prates reorganize o espaço urbano, melhore a acessibilidade e ofereça mais conforto a quem depende diariamente do transporte público. Traduzindo: menos improviso e mais planejamento — algo raro, mas sempre bem-vindo.
Caso a viabilidade seja confirmada, a empresa vencedora da licitação ficará responsável também pelos projetos básico e executivo, detalhando estações, terminais, centro de manutenção, material rodante e sistemas operacionais. Ou seja, quem ganhar agora assume o pacote completo.
Expectativa de quem vive o problema
Para quem enfrenta o deslocamento diário, a notícia soa como alívio. A autônoma Leiliana Silva, 43 anos, moradora de Ceilândia, vê no VLT uma chance real de escapar do trânsito pesado. Já a dona de casa Camila Muzio, 36, acredita que a nova opção pode aliviar a superlotação de ônibus e metrô, encurtando trajetos que hoje consomem horas.
O edital foi publicado em 13 de janeiro, com recebimento de propostas iniciado na mesma data. A abertura está marcada para 9 de março, pela plataforma gov.br/compras. Até lá, o VLT segue no campo das expectativas. Mas, desta vez, ao menos começou pelo caminho certo: estudo antes da obra. Milagre? Não. Planejamento básico — que, no Brasil, já é quase revolucionário.

