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Carnaval do Rio deve reunir 6 milhões e injetar R$ 5,7 bilhões

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Paulo Andrade

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O Carnaval do Rio de Janeiro já começou a mostrar seu peso antes mesmo do primeiro confete cair no chão. Segundo estimativa da Riotur, mais de 6 milhões de foliões devem circular pela cidade entre 17 de janeiro e 22 de fevereiro, movimentando R$ 5,7 bilhões na economia carioca. É festa, sim — mas também é indústria, emprego temporário e caixa girando em ritmo de samba-enredo acelerado.

Neste ano, 460 blocos estão autorizados a desfilar em todas as regiões da capital fluminense. A dispersão territorial é estratégica: dilui multidões, amplia o alcance econômico e evita a sensação de cidade engarrafada em modo fantasia.

O presidente da Riotur, Bernardo Fellows, garante que a cidade está pronta. E fez o básico que sempre precisa ser dito, mas nem sempre é ouvido. “Venham curtir, mas não se esqueçam de se hidratar, passar protetor solar, usar roupas leves e calçados confortáveis”, alertou. Tradução livre: alegria combina com prevenção — e não só da ressaca.

Segurança reforçada e revista nos megablocos

Para dar conta da multidão, mais de 1,1 mil agentes da Secretaria de Ordem Pública e da Guarda Municipal atuarão em conjunto com a Polícia Militar. No Circuito Preta Gil, na Rua Primeiro de Março, onde desfilam os dez megablocos, haverá pontos de revista. O objetivo é evitar a entrada de vidros e materiais cortantes, um detalhe que faz toda a diferença quando o empurra-empurra começa.

Aqui, vale registrar: carnaval sem planejamento vira problema público. Com planejamento, vira ativo econômico. O Rio parece ter entendido isso — ao menos no papel.

Saúde em alerta: sol, álcool e remédio esquecido

A Secretaria Municipal de Saúde vai montar sete postos pré-hospitalares, dois deles no Circuito Preta Gil. O secretário Daniel Soranz chamou atenção para um problema recorrente e silencioso: foliões que fazem uso contínuo de medicamentos e simplesmente “esquecem” da rotina durante a festa.

Além disso, Soranz listou velhos conhecidos do carnaval: desidratação, excesso de bebida alcoólica, queimaduras solares graves e até lesões nos olhos provocadas por cera de cabelo escorrendo com o calor. Parece detalhe, mas todo ano vira estatística hospitalar.

A recomendação inclui calçados fechados — sim, mesmo no calor — e atenção redobrada à procedência de comidas e bebidas, para evitar problemas gastrointestinais. Carnaval é maratona, não tiro curto.

Assédio cresce e resposta precisa ser firme

Se a festa cresce, os problemas estruturais também aparecem. A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Joyce Trindade, revelou um dado alarmante: aumento de 275% nos casos de assédio e atendimentos a mulheres durante o carnaval do ano passado.

A resposta, desta vez, vem em forma de estrutura. Haverá equipes com psicólogas, advogadas e assistentes sociais para atendimento imediato às vítimas de assédio e violência. É uma medida necessária — embora o ideal fosse que não fosse necessária.

Aqui não cabe romantizar estatística. Carnaval não suspende direitos nem autoriza abusos. E ponto final.

Festa gigante, responsabilidade do mesmo tamanho

O Carnaval do Rio segue sendo um fenômeno cultural, social e econômico de escala global. Gera renda, projeta a cidade e sustenta milhares de trabalhadores. No entanto, quanto maior a festa, maior a obrigação do poder público em garantir segurança, saúde e respeito.

Se tudo funcionar como planejado, o Rio entrega mais uma vez o espetáculo. Se falhar, o prejuízo não será só financeiro — será institucional. Em tempos de multidões e celulares em riste, erro não passa despercebido. E desculpa, muito menos.

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