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Toxicidade de agrotóxicos sobe e Brasil lidera ranking global

Publicado em:

Repórter: Paulo Andrade

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Estudo aponta alta na toxicidade de agrotóxicos e cita o Brasil

Um estudo publicado na revista Science indica que a toxicidade aplicada de pesticidas aumentou globalmente entre 2013 e 2019, na contramão da meta internacional de reduzir em 50% os riscos dos pesticidas até 2030, definida no marco global de biodiversidade adotado na COP15. O Brasil aparece entre os países com maior intensidade de toxicidade por área agrícola, ao lado de outras potências agrícolas.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Kaiserslautern-Landau e avaliou 625 pesticidas em 201 países, usando o indicador Toxicidade Total Aplicada (TAT), que pondera volume de uso e toxicidade ecológica por grupo de espécies. O resultado expõe um problema incômodo: não é só “quanto” se aplica, é o quão tóxico é o que se aplica.

O que o indicador TAT revela

O TAT é uma métrica construída para medir ameaça potencial à biodiversidade combinando massa aplicada e ecotoxicidade. Isso permite comparar países e culturas com um retrato mais fiel do risco do que olhar apenas para toneladas vendidas ou usadas.

Quem está mais vulnerável ao aumento da toxicidade

O estudo aponta aumento de toxicidade em seis de oito grupos analisados, com destaque para artrópodes terrestres, organismos do solo, peixes, invertebrados aquáticos, polinizadores e plantas terrestres. Apenas plantas aquáticas e vertebrados terrestres tiveram queda média no período, segundo os autores.

A leitura crítica aqui é simples: quando insetos, solo e polinizadores entram no vermelho, não é um “problema ambiental abstrato”. É o alicerce do sistema produtivo sendo corroído por dentro.

Brasil em posição central e o peso das culturas extensivas

O trabalho identifica o Brasil como um dos países com maior intensidade de toxicidade por área agrícola, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia, e aponta que Brasil, China, EUA e Índia concentram uma fatia expressiva da toxicidade global aplicada.

Os autores associam a relevância brasileira ao perfil de agricultura extensiva, com culturas como soja, algodão e milho respondendo por impacto desproporcional quando se observa toxicidade por área, e não apenas por extensão plantada.

O dado que desmonta o argumento do “é muita coisa, não tem o que fazer”

Um achado importante do estudo é a concentração do problema: em média, cerca de 20 pesticidas por país respondem por mais de 90% da toxicidade aplicada nacional. Se isso se confirma em políticas públicas, o alvo prioritário não é “tudo ao mesmo tempo”. É um conjunto relativamente pequeno de substâncias que define quase todo o risco.

Quais caminhos os autores apontam para reduzir risco

Sem mudanças estruturais, a análise indica que pouquíssimos países atingiriam a meta de redução de risco até 2030. Como rota de correção, os pesquisadores citam três frentes: substituição de pesticidas altamente tóxicos, expansão de agricultura orgânica e adoção de alternativas não químicas, como controle biológico, diversificação e manejo mais preciso.

Aqui está o ponto crítico: metas internacionais não falham por falta de slogan. Falham quando o incentivo econômico empurra o sistema para misturas mais agressivas e quando a regulação não consegue “puxar o freio” no mesmo ritmo.

Fontes e documentos:
Increasing applied pesticide toxicity trends counteract the global reduction target to safeguard biodiversity
– Increasing applied pesticide toxicity trends counteract the global reduction target to safeguard biodiversity
Pesticide Toxicity is Rising — And It’s Putting the UN’s 2030 Biodiversity Goal at Risk
– 2030 Targets (with Guidance Notes)

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