SSP-DF reforça rede de proteção a mulheres no Distrito Federal
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) ampliou ações de prevenção, acolhimento e resposta rápida contra a violência de gênero, com foco no uso de tecnologia, integração institucional e expansão da rede de atendimento. Entre os principais instrumentos estão o Viva Flor e o Dispositivo de Proteção à Pessoa (DPP), além de medidas de capacitação e articulação com o sistema de Justiça. Segundo o governo, a política integra o programa Segurança Integral e ganhou reforço em março, mês dedicado à valorização e aos direitos das mulheres.
Tecnologia e resposta rápida viram eixo central da política
Um dos pilares da estratégia da SSP-DF é o Dispositivo de Proteção à Pessoa, que combina alerta para a vítima e tornozeleira eletrônica para o agressor. Quando há violação da área de exclusão definida pela Justiça, o sistema emite aviso imediato e aciona as forças de segurança. Atualmente, segundo a SSP-DF, há 627 monitorados ativos, sendo 553 vítimas e 74 agressores. A sala de operações no Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob) também teve ampliação de estrutura e equipe, o que elevou a capacidade de monitoramento e a velocidade de resposta.
Outro instrumento destacado é o Viva Flor, que permite acionamento rápido da rede de proteção em situações de ameaça. O programa atende atualmente 1.734 mulheres no Distrito Federal. Em agosto de 2025, ele foi ampliado para delegacias circunscricionais e passou a funcionar também nas unidades do Paranoá, Planaltina, Gama, Santa Maria e Brazlândia, além das Deams da Asa Sul e de Ceilândia.
Parceria com Uber e integração com a Justiça ampliam alcance
A SSP-DF também expandiu, em agosto de 2025, a parceria com a Uber Brasil para garantir deslocamento mais seguro a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. O benefício consiste em desconto de R$ 40 por corrida, por meio de código promocional entregue após o atendimento. Antes restrita às Deams I e II, a ação passou a contemplar também os Núcleos Integrados de Atendimento à Mulher (Nuiam) do Paranoá, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo e Vicente Pires.
Em novembro de 2025, o Governo do Distrito Federal e o sistema de Justiça renovaram o acordo de cooperação técnica do Viva Flor, com integração ao Processo Judicial Eletrônico (PJe) e ao Copom Mulher da PMDF. A medida, segundo o governo, buscou acelerar a comunicação entre os órgãos e tornar o fluxo de atendimento mais ágil e preciso. A SSP-DF afirma que, desde a implantação oficial do Viva Flor em 2018, o programa não registrou feminicídios entre as mulheres assistidas.
Capacitação e presença feminina entram no centro da estratégia
A política de proteção não ficou restrita ao monitoramento eletrônico. A SSP-DF afirma ter ampliado ações formativas, como o curso Mulher Segura Prevenção da Violência, o Protocolo Por Todas Elas, a Aliança Protetiva e o curso Ressignificar: Proteção Integral às Mulheres, voltado à formação das forças de segurança e da administração penitenciária. Segundo a pasta, o Ressignificar já somou 37.581 certificações desde o lançamento, em abril de 2024.
No campo institucional, a secretaria lançou em março o Banco de Talentos Delas, voltado a identificar e dar visibilidade a competências femininas no sistema de segurança pública local. A ação se soma ao Conselho das Mulheres da Segurança Pública do DF, previsto no Decreto nº 45.414/2024, como parte da política de valorização e ampliação da presença feminina em espaços de chefia e decisão.
Entre a vitrine oficial e a política pública que precisa funcionar
A narrativa oficial é robusta, e os instrumentos apresentados têm relevância real. Botão de emergência, georreferenciamento, tornozeleira, integração com a Justiça e deslocamento seguro não são perfumaria institucional. São mecanismos que podem, de fato, salvar vidas. Nesse ponto, o DF montou uma engrenagem mais sofisticada do que boa parte do país.
Mas política pública séria não se mede apenas por evento, campanha ou peça de divulgação de março. O teste de verdade está em outra parte: capilaridade, agilidade contínua, acesso nas regiões mais vulneráveis, qualidade do atendimento e capacidade de impedir a reincidência da violência. Quando o Estado acerta nessa área, ele não entrega apenas um serviço. Ele interrompe a rotina do medo. E isso, convenhamos, vale mais do que qualquer discurso de ocasião.
Fontes e documentos:
– Proteção das mulheres com rede integrada de acolhimento, prevenção e resposta rápida é prioridade para o GDF (Agência Brasília)
– Renovado Acordo de Cooperação Técnica do programa Viva Flor para garantia de mais celeridade ao atendimento (Agência Brasília)

