Conflito no Oriente Médio sacode dólar, bolsa e petróleo
O agravamento da guerra no Oriente Médio voltou a pressionar os mercados nesta sexta-feira (6), com reflexos diretos sobre o câmbio, a bolsa brasileira e o preço internacional do petróleo. No Brasil, o dólar comercial fechou a R$ 5,244, em queda de 0,81%, depois de ter superado os R$ 5,30 durante a manhã. Já o Ibovespa encerrou o dia aos 179.365 pontos, com recuo de 0,61%, acumulando perda de 4,99% na semana, no pior desempenho semanal desde junho de 2022.
No mercado internacional de energia, a tensão foi ainda mais visível. O Brent fechou a US$ 92,69, com alta de 8,52% no dia, enquanto o WTI terminou a US$ 90,90, avançando 12,21%. Segundo a Reuters, o Brent acumulou alta semanal de cerca de 27%, e o WTI subiu mais de 35%, num movimento ligado à interrupção dos fluxos de petróleo na região do Estreito de Ormuz.
Dólar recua no fechamento, mas semana foi de alta
Apesar da queda no encerramento desta sexta, o dólar não teve uma semana tranquila. A moeda norte-americana acumulou alta de 2,08% na primeira semana de março, embora ainda registre queda de 4,51% em 2026. Segundo a Agência Brasil, a cotação virou para baixo ao longo do dia porque investidores aproveitaram o patamar elevado para vender moeda, num movimento também influenciado por dados mais fracos da economia dos Estados Unidos.
Esse dado americano pesou no humor global. A economia dos EUA perdeu 92 mil postos de trabalho em fevereiro, enquanto analistas consultados pela Reuters esperavam criação líquida de vagas. A taxa de desemprego subiu de 4,3% para 4,4%, o que reforçou dúvidas sobre o fôlego da maior economia do mundo e alterou a alocação de recursos dos investidores.
Ibovespa afunda na pior semana em quase quatro anos
No mercado acionário brasileiro, a aversão ao risco falou mais alto. O Ibovespa caiu 0,61% no pregão e fechou a semana com perda de 4,99%, no pior desempenho semanal desde o choque global provocado pela guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022. O número foi confirmado pela B3 e reproduzido também pela Agência Brasil.
A exceção de peso veio da Petrobras, beneficiada justamente pela disparada do petróleo e pela repercussão do lucro da companhia em 2025. As ações ordinárias subiram 4,12%, para R$ 45,78, e as preferenciais avançaram 3,49%, para R$ 42,11. Foi um daqueles dias em que a turbulência derruba quase tudo, mas salva quem vende barril caro.
Petróleo reage ao choque em Ormuz e ao risco de oferta
A disparada do petróleo não veio do nada. O foco do mercado está no Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás comercializados no mundo. A Reuters informou que o tráfego de petroleiros na região praticamente zerou nesta semana, o que acendeu o alerta sobre desabastecimento e empurrou os preços para cima.
O temor já chegou às projeções dos grandes bancos. A Reuters informou que o Goldman Sachs vê possibilidade de o petróleo superar US$ 100 por barril em curto prazo se a normalização não ocorrer, enquanto o Barclays considera que o Brent pode testar US$ 120 se a crise persistir por mais algumas semanas.
Quando a guerra encarece tudo, o mercado só reage antes
O mercado financeiro costuma vender a ideia de racionalidade fria, mas em momentos como este ele age como termômetro do medo. O dólar sobe e desce conforme os investidores procuram proteção. A bolsa cai porque risco geopolítico e petróleo caro corroem expectativas de crescimento. E o barril dispara porque guerra no Oriente Médio nunca é apenas guerra regional: ela rapidamente vira inflação global, custo logístico e pressão sobre combustíveis.
Os números desta sexta mostram isso com nitidez. O câmbio até devolveu parte da tensão no fim do dia, mas a semana foi ruim. A bolsa saiu machucada. E o petróleo voltou a falar mais alto do que qualquer discurso otimista de mercado. Quando o Estreito de Ormuz trava, não há planilha elegante que resolva no grito.
O teste real está no bolso do consumidor
Se a escalada persistir, o efeito tende a extrapolar o pregão e chegar ao cotidiano. Petróleo mais caro pressiona combustíveis, transporte, frete e inflação. Em paralelo, o enfraquecimento do mercado de trabalho nos Estados Unidos complica ainda mais o cenário, porque mistura risco geopolítico com desaceleração econômica. É a combinação que o investidor detesta e o consumidor paga.
No fim das contas, o pregão desta sexta não foi apenas um retrato de nervosismo financeiro. Foi um aviso. O conflito no Oriente Médio já deixou de ser um ruído distante e passou a mexer de forma concreta com preços, ativos e expectativas. E mercado, como se sabe, raramente entra em pânico por gentileza.
Fontes e documentos:
– Dólar cai para R$ 5,24 em dia de correção no mercado (Agência Brasil)
– Home Pessoa Física – IBOV 179.365 (-0,61%) (B3)
– Unexpected job losses, rise in unemployment rate fan US labor market doubts (Reuters)
– Iran war: See how tanker traffic collapsed in the Strait of Hormuz (Reuters)

