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CPI mira elo financeiro do PCC e grupo ligado ao Master

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Marta Borges

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Senado aprova quebras de sigilo e convocações sobre braço financeiro do crime

A CPI do Crime Organizado no Senado aprovou nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, mais de 20 requerimentos com quebras de sigilo, pedidos de informação e convocações voltados a investigados citados em apurações sobre a infiltração do crime organizado no sistema financeiro. Entre os alvos estão nomes ligados ao Banco Master, ao empresário Daniel Vorcaro e a suspeitos mencionados em investigações sobre lavagem de dinheiro atribuída ao PCC.

Segundo notícia oficial do Senado, a comissão aprovou a convocação de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, além das quebras de sigilo fiscal, bancário e telefônico de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pelo relator como peça central na coordenação operacional de uma estrutura chamada “A Turma”, descrita na CPI como grupo de vigilância, coleta de informações e monitoramento de adversários do grupo econômico do Master.

Ex-servidores do Banco Central e empresas ligadas ao caso entram no radar

A comissão também aprovou a convocação dos ex-servidores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, ambos afastados, após requerimentos que apontam suspeitas de atuação informal em favor de Vorcaro em operações relacionadas ao então Banco Máxima, posteriormente rebatizado de Banco Master. A justificativa citada nos requerimentos sustenta que relatório da Polícia Federal indicaria divulgação de informações sigilosas e facilitação de movimentos de interesse do banqueiro, ponto que ainda depende de apuração e contraditório.

Também entraram na lista de medidas a quebra de sigilos da Varajo Consultoria e a convocação de Leonardo Augusto Furtado Palhares, apontado como responsável pela empresa. A pauta da 12ª reunião da CPI, publicada pelo Senado, já previa itens relacionados a Zettel, Sicário e outros investigados vinculados ao entorno do Master e a operações que apuram relações entre o sistema financeiro e o crime organizado.

Operação Carbono Oculto sustenta parte das justificativas da CPI

Parte relevante dos requerimentos se apoia em elementos atribuídos à Operação Carbono Oculto, investigação citada em documentos públicos como apuração sobre organização voltada a sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com conexões financeiras que, segundo as autoridades, alcançariam estruturas sofisticadas do mercado. Em material público oficial, a operação é mencionada como referência para investigar o uso de empresas, postos, distribuidoras e fundos de investimento para ocultação de recursos ilícitos.

Entre os nomes mencionados estão Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, Mohamad Hussein Mourad, Francisco Maximiano e Danilo Berndt Trent, todos citados nos requerimentos por suposta ligação com esquemas sob investigação. A reportagem informa que o senador Humberto Costa atribuiu ao esquema movimentação de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, valor apresentado como fundamento político-investigativo da CPI, e não como condenação judicial definitiva.

Grupo “A Turma” volta ao centro da crise do Banco Master

Outro eixo da sessão foi a apuração sobre o grupo chamado “A Turma”, descrito pela CPI e por reportagens recentes como uma estrutura usada para monitorar e intimidar desafetos de Vorcaro. O tema já havia aparecido no contexto da crise judicial do Banco Master. Em nota oficial, o STF informou que o ministro André Mendonça determinou a prisão de Daniel Vorcaro e de outros investigados por supostas fraudes ligadas ao banco, em decisão baseada em pedido da Polícia Federal.

Na mesma frente, o STF também comunicou a abertura de investigação para apurar o vazamento de mensagens de celular de Vorcaro, mencionando, em seu histórico do caso, a decisão de 4 de março de 2026 que determinou a prisão do empresário e de outros investigados. Isso mostra que a ofensiva parlamentar da CPI corre em paralelo a investigações criminais e judiciais mais amplas, mas uma esfera não substitui a outra.

CPI amplia pressão política, mas aprovação de requerimento não é prova final

A ofensiva desta quarta amplia a pressão sobre o entorno empresarial e financeiro ligado ao caso Master, especialmente ao aproximar, numa mesma sessão, suspeitas envolvendo mercado financeiro, lavagem de dinheiro, uso de estruturas societárias e monitoramento de adversários. Politicamente, a comissão tenta sustentar a tese de que o crime organizado não opera apenas na ponta violenta, mas também em circuitos sofisticados de proteção patrimonial e influência.

Mas é preciso manter a régua jurídica no lugar. A aprovação de quebras de sigilo e convocações fortalece a investigação parlamentar, porém não equivale a condenação. Os fatos atribuídos a Vorcaro, a seus aliados e aos demais citados ainda dependem de produção probatória, defesa e contraditório nas instâncias competentes. Em casos com essa densidade política e financeira, o erro mais comum é confundir barulho de CPI com sentença pronta.

Fontes e documentos:
CPI do Crime convoca servidores afastados do BC e quebra sigilos de Zettel (Senado Federal)
– CPI do Crime mira braço do PCC na Faria Lima e “A Turma” do Master (Agência Brasil)
– Pauta da 12ª reunião da CPI do Crime Organizado (Senado Federal)
– STF determina prisão de Daniel Vorcaro e outros investigados por supostas fraudes no Banco Master (STF)

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