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GDF prepara acolhimento em 23 pontos do Plano Piloto

Publicado em:

Repórter: Paulo Andrade

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Entre sábado, 28 de março de 2026, e domingo, 29 de março de 2026, o Governo do Distrito Federal fará uma ação em 23 endereços do Plano Piloto para ofertar acolhimento e assistência social a pessoas em situação de rua. A operação começa às 9h e será coordenada pela Casa Civil, com participação de órgãos das áreas social, saúde, segurança, trânsito, limpeza urbana e fiscalização.

O ponto mais sensível da medida está no fato de que ela não será apenas de atendimento. Segundo a comunicação oficial, a DF Legal fará o desmonte das estruturas encontradas nos locais e transportará os pertences para o endereço regular indicado pelo ocupante. Quando isso não for possível, os objetos serão levados ao depósito do órgão, no SIA Trecho 04, Lotes 1380/1420, onde poderão ser retirados em até 60 dias, sem cobrança. O governo também informa que, ao longo da semana, as equipes fizeram abordagens prévias para mapear o público e suas demandas.

O que o governo diz que será oferecido

Pela estrutura anunciada, a promessa é de encaminhamento para a rede de assistência, com atuação da Sedes-DF, da SES-DF, da SEEDF, da Sedet-DF, da Sejus-DF, do SLU, da Novacap, da Codhab, do Detran-DF e das forças de segurança. Esse desenho se encaixa no Plano de Ação para a Efetivação da Política Distrital para a População em Situação de Rua, oficializado pelo GDF em 27 de maio de 2024, com participação institucional também do MPDFT e do CNMP na construção do plano.

A rede de atendimento apresentada pelo próprio DF inclui, entre outros equipamentos, dois Centros Pop, um na 903 Sule outro na QNF 24 de Taguatinga Norte, com oferta diária de alimentação, higiene, guarda de pertences e apoio para acesso a documentos, benefícios e programas sociais. Em 2025, o governo também anunciou um hotel social com 200 vagas para pernoite de pessoas em situação de rua, inclusive com acolhimento de animais de estimação.

A operação ocorre sob uma regra que veda remoção compulsória

Aqui mora a linha que separa política pública de atropelo administrativo. A própria Sedes define o serviço de abordagem social como atendimento voltado à inserção na política de assistência e afirma expressamente que não se trata de retirada compulsória de pessoas das ruas. Ao mesmo tempo, o Supremo Tribunal Federal, no contexto da ADPF 976, consolidou entendimento de que é vedado o recolhimento forçado de bens e pertences, a remoção e o transporte compulsório de pessoas em situação de rua.

Isso não impede ações estatais de atendimento, limpeza ou ordenamento. O que a jurisprudência e a própria política assistencial exigem é que a operação não trate vulnerabilidade extrema como simples problema paisagístico. No caso deste fim de semana, a régua estará em saber se o acolhimento será efetivo, voluntário e conectado a serviços reais, e não apenas acompanhado da retirada física das estruturas. Essa é uma inferência editorial sustentada pelas regras de atendimento informadas pela Sedes e pelos parâmetros fixados pelo STF.

Onde a ação será concentrada

Os 23 pontos anunciados se espalham por áreas centrais e de alta circulação do Plano Piloto, com foco em trechos da Asa Norte, da Asa Sul, do Setor Comercial Sul, da Torre de TV, do entorno do Centro POP e dos eixos W4 e W5. A lista oficial inclui, entre outros endereços, a Via N2 perto da 5ª DP, a EQN 309/310, a SHCGN 710, os trechos das SGAN 908/909, 909/910, 913 e 915, a área entre o Eixo W e o Eixão na altura da 115/116 Norte, as SQNs 214 e 216, a torre abandonada da SHCNW 302, a Torre de TV, o Setor Comercial Sul, as quadras 302 e 303 Sul, a CLS 305, a área entre o colégio Seriös e o Aeroclube, as proximidades da Faculdade Mackenzie e da UDF, além da faixa entre W5 e W4 da 903 à 905 e da 702 à 705.

Quando acolhimento e desmonte ocupam a mesma frase

O desafio do GDF não é mais provar que consegue mobilizar caminhões, equipes e fiscais. Isso a máquina pública já demonstrou em centenas de ações desde 2024. O teste sério é outro: mostrar que a abordagem produz saída concreta da rua, com pernoite, documentação, atendimento de saúde, tratamento, renda e porta de entrada para moradia. O próprio MPDFT expediu, em agosto de 2025, recomendação sobre a necessidade de ampliar acolhimento institucional e pernoite para essa população no DF.

Traduzindo sem perfume oficial: quando o Estado anuncia assistência na mesma linha em que informa o desmonte das estruturas, ele assume o dever de provar que a política não termina no fim da lona retirada. Sem isso, a ação corre o risco de ser lida menos como proteção social e mais como administração do incômodo urbano. E esse é exatamente o tipo de fronteira que o STF, a Defensoria e o Ministério Público vêm observando há anos.

Fontes e documentos:

Ação de acolhimento à população em situação de rua ocorre no Plano Piloto neste fim de semana (Agência Brasília)
– Política Distrital para a População em Situação de Rua (Casa Civil do Distrito Federal)
– Abordagem Social (Secretaria de Desenvolvimento Social do DF)
– GDF realizou quase 400 ações de acolhimento para pessoas em situação de rua desde março de 2024 (Agência Brasília)
– DF terá primeiro hotel social para pernoite de pessoas em situação de rua e seus animais de estimação (Secretaria de Desenvolvimento Social do DF)
– Recomendações Expedidas sobre acolhimento institucional e pernoite para população em situação de rua (MPDFT)
– Plenário referenda decisão sobre atendimento à população em situação de rua (STF)
– Política nacional para a população em situação de rua no Pará é debatida em encontro (DPU)

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