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quarta-feira, 24 junho 2026, 14:57
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Gripe K acende alerta para vírus respiratórios

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Jeferson Nunes

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Brasil entra em temporada de gripe com alta de Influenza A e VSR

A Organização Pan-Americana da Saúde emitiu alerta para o início da temporada de maior circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, com atenção especial à predominância do subclado K da Influenza A(H3N2), também chamado de “gripe K”. No Brasil, o vírus já começou a avançar, enquanto o vírus sincicial respiratório também cresce e preocupa autoridades de saúde.

O alerta não significa que a nova variante seja mais grave do que outras formas de influenza. No entanto, a Opas aponta que o subclado K foi associado, no Hemisfério Norte, a temporadas mais longas e a picos de demanda hospitalar concentrados em curtos períodos. Em saúde pública, o problema nem sempre é só a gravidade do vírus. Às vezes, é a fila chegando toda ao mesmo tempo.

Influenza A(H3N2) já predomina no Brasil

Segundo a Opas, a atividade da influenza ainda permanece baixa na América do Sul, mas já há sinais iniciais de aumento em alguns países. No Brasil, a taxa de positividade para influenza ficou abaixo de 5% no primeiro trimestre, mas subiu para 7,4% no fim de março. A organização também aponta predominância clara da Influenza A(H3N2).

O sequenciamento genético feito por amostragem pelo Ministério da Saúde identificou o subclado K em 72% dos 607 testes analisados até 21 de março. A variante havia sido detectada no Brasil em dezembro de 2025 e já foi identificada em mais de 30 países, inclusive em amostra coletada no Pará.

Apesar da preocupação, especialistas e autoridades sanitárias tratam o quadro como parte da vigilância sazonal da gripe. A recomendação central continua sendo vacinação, monitoramento dos casos e preparo da rede de saúde para possíveis aumentos de internações.

VSR também cresce e ameaça crianças pequenas

Além da influenza, a Opas destacou o aumento gradual da circulação do vírus sincicial respiratório, conhecido como VSR, em vários países, incluindo o Brasil. O vírus é uma das principais causas de bronquiolite e pode provocar quadros graves em bebês, crianças pequenas, idosos e pessoas com maior vulnerabilidade clínica.

Esse crescimento simultâneo preocupa porque o sistema de saúde pode enfrentar pressão combinada de influenza, VSR e casos remanescentes de Covid-19. A Covid está em baixa, mas ainda circula. Portanto, a soma dos vírus pode pesar sobre emergências, leitos pediátricos e unidades de internação.

InfoGripe confirma avanço de SRAG no país

A nova edição do Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz, confirma a tendência de aumento da Síndrome Respiratória Aguda Grave causada por Influenza A e VSR em todas as regiões do país. O boletim divulgado em 29 de abril indica que a maior parte do Brasil está em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG.

Em 2026, o Brasil já notificou mais de 46 mil casos de SRAG. Entre os casos com confirmação viral por laboratório, 26,4% foram causados por Influenza A e 21,5% por VSR. Nas últimas quatro semanas, a participação da Influenza A subiu para 31,6%, enquanto o VSR chegou a 36,2% entre os casos positivos.

O dado ajuda a explicar por que a preocupação não está restrita à gripe. O país entra no período de maior circulação respiratória com dois vírus relevantes crescendo ao mesmo tempo. Para a rede de saúde, é como trocar uma torneira pingando por duas abertas. E ninguém gosta de descobrir isso com o pronto-socorro cheio.

Vacinação segue como principal proteção

A Opas recomenda que os países intensifiquem a vacinação para reduzir internações e mortes. Mesmo com a circulação do subclado K, a vacina contra influenza demonstrou proteção importante no Hemisfério Norte, com eficácia de até 75% contra hospitalização de crianças no Reino Unido, segundo o alerta citado pela organização.

No Brasil, a vacina contra a gripe é atualizada anualmente para contemplar as cepas com maior circulação na temporada anterior do Hemisfério Norte. O imunizante deste ano inclui proteção contra a H3N2, o que reforça a orientação para que os grupos prioritários procurem a vacinação.

A campanha nacional contempla crianças menores de 6 anos, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades, trabalhadores da saúde, povos indígenas, professores e pessoas privadas de liberdade, entre outros públicos definidos pelo Ministério da Saúde.

Gestantes também têm vacina contra VSR no SUS

O Sistema Único de Saúde também oferece vacina contra o vírus sincicial respiratório para gestantes, com o objetivo de proteger recém-nascidos contra bronquiolite e outras infecções respiratórias graves nos primeiros meses de vida.

A estratégia é especialmente relevante porque bebês pequenos ainda têm sistema imunológico em desenvolvimento e podem evoluir rapidamente para quadros mais graves. Por isso, a proteção materna ajuda a reduzir risco de internação e complicações.

Higiene e isolamento reduzem transmissão

A Opas também recomenda medidas simples de prevenção. Lavar as mãos com frequência, cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, manter ambientes ventilados e evitar aglomerações quando houver sintomas respiratórios ajudam a reduzir a transmissão.

Pessoas com febre devem evitar trabalho, escola e locais públicos até a melhora do quadro. Crianças com sintomas respiratórios, febre ou ambos também devem ficar em casa. Parece conselho antigo, mas continua eficiente: vírus respiratório adora ônibus cheio, sala fechada e gente “só com uma gripezinha” cumprindo agenda como se nada estivesse acontecendo.

Alerta exige preparo sem alarmismo

O avanço da gripe K, do VSR e dos casos de SRAG exige vigilância, mas não pânico. A informação mais importante para a população é prática: vacinar, observar sintomas, proteger grupos vulneráveis e procurar atendimento quando houver sinais de gravidade.

Para o poder público, o recado é igualmente claro. A temporada respiratória pode pressionar hospitais em janelas curtas. Portanto, estoques, equipes, leitos, testagem e comunicação precisam estar prontos antes do pico. Em saúde pública, antecipar custa menos do que correr atrás do prejuízo com ambulância na porta.

Fontes e documentos:

Opas alerta para alta de casos de gripe K no Hemisfério Sul (Agência Brasil)
– OPAS e OMS divulgam alertas sobre subclado K do vírus Influenza (Biblioteca Virtual em Saúde / Ministério da Saúde)
– InfoGripe: maior parte do país tem incidência de SRAG em nível de alerta ou risco (Fiocruz)
– Resumo do Boletim InfoGripe — Semana Epidemiológica (Fiocruz)

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