back to top
24 C
Brasilia
sexta-feira, 22 maio 2026, 14:27:17
Publicidade
Publicidade
InícioBrasilJustiçaOperação Vérnix mira lavagem ligada ao PCC

Operação Vérnix mira lavagem ligada ao PCC

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

Cobertura relacionada

PF prende hacker ligado ao caso Banco Master

Banco Master tem novo avanço na Compliance Zero após PF prender hacker foragido deportado de Dubai.

PF investiga trabalho análogo à escravidão

Juro Zero investiga tráfico de pessoas e trabalho análogo à escravidão envolvendo colombianos no sul do Rio.

PF prende pai de Vorcaro em nova fase da Compliance Zero

Compliance Zero prende Henrique Vorcaro e mira suspeitas de intimidação, vazamento de dados e lavagem de dinheiro.

Governo libera R$ 11 bi contra crime organizado

Crime organizado é alvo de programa federal de R$ 11 bilhões com crédito aos estados e foco em facções. Entenda o plano.

Mendonça cobra delação efetiva no caso Master

Caso Master tem nova tensão após Mendonça dizer que delação de Vorcaro precisa ser séria e efetiva para valer.

Pedido de anulação reacende crise na CPMI do INSS

Parlamentares pedem a Alcolumbre anulação de votação na CPMI do INSS e questionam contagem de votos em sessão tumultuada. © Lula Marques/Agência Brasil
Publicidade

Bilhetes apreendidos em presídio levaram investigação a Deolane e à família de Marcola

Bilhetes com ordens internas atribuídas ao PCC, apreendidos em 2019 em um presídio de Presidente Venceslau, deram origem à investigação que levou à Operação Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira, 21 de maio, pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A ação apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligada a uma transportadora que, segundo os investigadores, teria sido usada para movimentar recursos da facção.

Bilhetes abriram caminho para rastrear dinheiro

Os bilhetes apreendidos em 2019 não citavam diretamente a influenciadora e advogada Deolane Bezerra, presa durante a operação. No entanto, eles levaram os investigadores a uma nova frente de apuração sobre uma transportadora sediada em Presidente Venceslau, apontada como possível estrutura de movimentação financeira ligada ao núcleo familiar de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

A partir da análise de documentos, comunicações e movimentações financeiras, os investigadores sustentam que valores provenientes dessa empresa teriam sido repassados para contas de terceiros, com o objetivo de dificultar o rastreamento. Duas dessas contas estariam ligadas a Deolane, que é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro.

A cautela é indispensável. A prisão preventiva não equivale a condenação. As suspeitas ainda serão submetidas ao contraditório, à defesa e à análise judicial. Em investigação sobre crime organizado, a força da manchete não pode atropelar o rito legal.

Operação mira núcleo financeiro da facção

A Operação Vérnix teve seis mandados de prisão preventiva. Além de Deolane, foram alvos Marcola, que já está preso na Penitenciária Federal de Brasília, o irmão dele, Alejandro Camacho, também preso em Brasília, e familiares apontados como integrantes ou intermediários da estrutura investigada.

Entre os nomes citados na apuração estão Paloma Sanches Herbas Camacho, apontada como sobrinha de Marcola e intermediária em negócios da família, e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também sobrinho de Marcola e indicado como possível destinatário de valores. Parte dos alvos estaria fora do país, e houve pedido de cooperação internacional por meio da Interpol.

A Justiça também determinou bloqueio de valores milionários, apreensão de veículos de luxo e imóveis. A medida busca impedir ocultação patrimonial e preservar recursos que, caso a acusação seja comprovada, poderão ser usados para reparação ou confisco.

Transportadora aparece como elo da apuração

O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, afirmou que os bilhetes encontrados no presídio levaram a investigação até a transportadora. A empresa é apontada pelos investigadores como uma estrutura usada para lavar dinheiro vinculado à família Camacho.

Segundo a apuração, o dinheiro teria circulado por depósitos fracionados e contas intermediárias. Em uma das frentes, investigadores apontam movimentações recebidas por Deolane entre 2018 e 2021 em valores abaixo de R$ 10 mil, padrão que, na avaliação policial, pode indicar tentativa de dificultar rastreamento financeiro.

Esse é o ponto estrutural do caso. A operação não mira apenas a rua, o ponto de venda ou o braço armado. Ela mira a camada financeira, onde o crime organizado tenta trocar origem ilícita por aparência de negócio regular. É ali que o dinheiro veste terno, abre empresa e tenta parecer respeitável.

Investigadores apontam uso de imagem pública

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou que a investigação identificou relação de Deolane com outras vertentes do crime organizado. Para o Ministério Público, a influenciadora teria funcionado como uma espécie de ponto de passagem de recursos, misturando dinheiro de origem suspeita com atividades formais e exposição pública.

A avaliação dos investigadores é que o poder econômico, a visibilidade e o estilo de vida associado ao luxo poderiam servir como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem dos valores. Essa tese, porém, ainda precisa ser comprovada no processo.

A defesa de Deolane contesta a prisão e afirma que acusações não podem ser transformadas em verdades antes da produção de provas. Em nota citada pela imprensa, familiares da influenciadora sustentaram que a investigação expõe suposições como condenação pública.

Marcola e Alejandro são citados mesmo presos

A inclusão de Marcola e Alejandro Camacho na nova investigação reforça uma preocupação antiga das autoridades: a capacidade de lideranças criminosas manterem influência mesmo após anos de prisão. Para o Ministério Público, a apuração indica que ordens, pendências e interesses econômicos teriam continuado a circular fora do sistema prisional.

Esse aspecto amplia o alcance da Operação Vérnix. Não se trata apenas de saber quem recebeu ou transferiu dinheiro. A investigação busca mapear como recursos teriam sido administrados, protegidos e redistribuídos a partir de uma rede que envolveria familiares, operadores financeiros e empresas.

Quando uma facção consegue movimentar patrimônio apesar de seus principais líderes estarem presos, o problema deixa de ser apenas policial. Passa a envolver fiscalização financeira, inteligência penitenciária, cooperação internacional e rastreamento patrimonial. O crime organizado não sobrevive só de arma. Sobrevive, sobretudo, de caixa.

Bets e novas frentes podem entrar na mira

O promotor Lincoln Gakiya afirmou que a investigação pode ter desdobramentos envolvendo outras pessoas e empresas ligadas ao setor de apostas. Segundo ele, houve crescimento expressivo do faturamento de Deolane, especialmente a partir de 2022, sem correlação considerada suficiente pelos investigadores com os serviços prestados.

Essa frente ainda depende de aprofundamento. Possíveis crimes tributários, novas lavagens ou relações com empresas de apostas só poderão ser afirmados se forem comprovados documentalmente. Por ora, o que existe é uma linha investigativa declarada por autoridades.

Ainda assim, o caso expõe uma zona sensível da economia digital. Influenciadores, publicidade, apostas, empresas de fachada e movimentações financeiras de alto volume podem formar um ambiente difícil de fiscalizar quando transparência, contabilidade e origem dos recursos não caminham juntas.

O alvo agora é seguir o dinheiro

A Operação Vérnix mostra uma mudança importante no enfrentamento ao crime organizado: mirar a engenharia financeira que sustenta a estrutura criminosa. Prender operadores de rua pode interromper uma atividade imediata. Rastrear patrimônio, bloquear valores e identificar empresas usadas para lavagem pode atingir o oxigênio econômico da organização.

Esse caminho é mais lento, menos cinematográfico e exige prova robusta. Mas costuma ser mais decisivo. O dinheiro do crime raramente anda com crachá. Ele se espalha, troca de conta, vira empresa, compra imóvel, financia luxo e tenta se esconder atrás de aparente normalidade.

O processo ainda está no início. Cabe à investigação demonstrar a origem dos valores, o papel de cada alvo e a eventual ligação entre movimentações financeiras e a estrutura do PCC. Até lá, a linha divisória precisa ser preservada: suspeita é ponto de partida da apuração, não sentença.

Relacionadas, fontes e documentos:

Novas leis ampliam proteção às mulheres brasileiras (Fonte em Foco)
PF investiga trabalho análogo à escravidão (Fonte em Foco)
Moraes cobra ação para trazer Zambelli ao Brasil (Fonte em Foco)
STF mantém veto à revisão da vida toda (Fonte em Foco)
– Bilhetes com ordens do PCC mostram ligação de Deolane com facção (Agência Brasil)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.