Moradores da 26 de Setembro podem sair da espera por obras básicas
A Colônia Agrícola 26 de Setembro deu novo passo para deixar a condição de área dependente administrativamente de Vicente Pires e avançar rumo à criação de uma região administrativa própria. A medida pode beneficiar mais de 12 mil moradores, que convivem há anos com problemas de infraestrutura, especialmente poeira na seca, lama nas chuvas e carência de equipamentos públicos.
Nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, a governadora Celina Leão assinou o requerimento do Procedimento de Regularização Fundiária Urbana e a ordem de serviço para ações necessárias à conclusão do processo de criação da nova região administrativa. O anúncio ocorreu durante a abertura da 5ª edição do GDF na Sua Porta na comunidade.
A assinatura, porém, não significa que a nova região administrativa já esteja oficialmente criada. O processo ainda depende de manifestação do Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal, envio de projeto de lei à Câmara Legislativa e posterior sanção.
Regularização fundiária abre caminho para infraestrutura
A regularização fundiária é decisiva porque permite ao poder público avançar em obras e serviços de forma mais estruturada. Sem essa etapa, intervenções como asfalto, drenagem, iluminação pública e equipamentos de saúde ficam juridicamente limitadas ou mais difíceis de executar.
A criação da região administrativa, por sua vez, daria à 26 de Setembro uma estrutura institucional própria. Na prática, isso significa administração regional, orçamento, organização local e maior capacidade de encaminhar demandas da população.
O governo informou que a demarcação da poligonal já foi feita e que uma audiência pública validou a proposta com a comunidade. A próxima etapa prevista é a análise pelo Conplan. Depois disso, o projeto precisa passar pela CLDF. Ou seja, a caneta assinou um avanço, mas a certidão de nascimento ainda precisa atravessar o cartório da política pública. E esse cartório, como se sabe, raramente trabalha em ritmo de urgência social.
Moradores cobram resposta após anos de espera
A comunidade da 26 de Setembro acumula uma pauta antiga de regularização. Atualmente, a área está vinculada a Vicente Pires, mas o crescimento populacional e a distância entre necessidade local e resposta administrativa reforçaram a pressão por autonomia.
Moradores ouvidos durante o evento relataram expectativa de melhora. A costureira Laiane Almeida, que vive há sete anos na região, afirmou que a população precisa de projetos públicos e serviços básicos. O comerciante Valdeci de Oliveira também avaliou que a separação administrativa pode trazer benefícios, especialmente diante do crescimento da localidade.
O ponto central não é apenas o nome no mapa. Para quem mora ali, a mudança só terá valor concreto se vier acompanhada de obra, atendimento público e manutenção urbana. Região administrativa sem serviço vira placa bonita. E placa, até onde se sabe, não tapa buraco nem segura lama.
Pacote prevê UBS, asfalto e equipamentos públicos
Durante o evento, também foram assinadas ordens de serviço para implantação de equipamentos públicos e obras na região. Entre as ações anunciadas estão Unidade Básica de Saúde, pavimentação de vias, iluminação, ponto de encontro comunitário, parquinhos, quadra poliesportiva e papa-entulho.
O GDF na Sua Porta segue na 26 de Setembro até sexta-feira, 29 de maio, das 9h às 16h. A estrutura oferece serviços de saúde, assistência social e atendimento de órgãos públicos em um mesmo espaço.
A iniciativa ajuda a reduzir deslocamentos e facilita o acesso da população a serviços imediatos. No entanto, o desafio maior começa depois que as tendas forem desmontadas. A regularização e a criação da região administrativa exigem continuidade, cronograma, orçamento e fiscalização.
Autonomia administrativa precisa virar entrega real
A 26 de Setembro representa um problema recorrente do crescimento urbano no Distrito Federal. Comunidades se consolidam antes da infraestrutura, a população cresce antes da presença do Estado e a regularização chega depois de anos de improviso.
Nesse cenário, a assinatura da Reurb e a ordem de serviço têm peso político e administrativo. Elas indicam uma rota institucional para uma comunidade que já existe na vida real, embora ainda dependa de reconhecimento pleno no desenho oficial do DF.
O risco, agora, é transformar uma etapa importante em comemoração antecipada. A população precisa saber o que foi assinado, mas também o que ainda falta. A diferença é simples: promessa anuncia futuro; regularização concluída muda endereço, obra e rotina.
Se o processo avançar com segurança jurídica, transparência e execução contínua, a 26 de Setembro pode deixar de ser tratada como periferia administrativa de Vicente Pires e passar a ter resposta pública compatível com o tamanho de sua população. Para os moradores, esse será o teste verdadeiro: menos discurso de inauguração e mais infraestrutura na porta de casa.
Relacionadas, fontes e documentos:
– Além do Olhar, alunos do DF terão exames de visão (Fonte em Foco)
– Operação Adsumus reforça policiamento em Samambaia (Fonte em Foco)
– São Sebastião terá asfalto e LED em áreas críticas (Fonte em Foco)
– Recanto das Emas terá duas creches com 376 vagas (Fonte em Foco)
– 26 de Setembro ganha certidão de nascimento (Agência Brasília)
– Pdot é uma das instâncias para regularizar o assentamento 26 de Setembro (Seduh-DF)

