Consumidores e trabalhadores podem ser afetados caso o governo tente recomprar o controle de empresas estratégicas. Em Sergipe, o presidente disse sonhar com a reversão de privatizações e apontou obstáculos legais e financeiros para uma eventual recompra.
Declarações e empresas citadas em evento em Sergipe
Em visita à Fafen-SE, em Laranjeiras, o presidente afirmou que ainda considera a possibilidade de o governo retomar o controle de empresas que classificou como estratégicas. Mencionou explicitamente a Eletrobras e a BR Distribuidora, dizendo que “sonha” em trazê-las de volta ao controle público. A fala ocorreu em discurso durante agenda oficial, na qual o presidente também adotou tom crítico aos processos de venda realizados em gestões anteriores.
Segundo ele, a forma como as privatizações foram estruturadas criou barreiras para eventual recompra. Ao citar a Eletrobras, disse que informaram ao governo que o retorno do controle poderia custar “três vezes mais caro”. Sobre a BR Distribuidora, declarou que uma recompra só seria possível a partir de 2029, atribuindo essa condição às regras definidas na operação de desestatização.
Críticas aos processos de venda e ênfase em gestão pública
O presidente associou a decisão de privatizar àquilo que classificou como falta de competência de gestores públicos indicados para administrar as estatais e para lidar com seus trabalhadores. Argumentou que, quando não há capacidade de gestão, a alternativa adotada seria vender ativos estratégicos, o que, na avaliação dele, desmonta estruturas públicas relevantes. As declarações foram dirigidas à condução das privatizações em governos anteriores, em linha com críticas já feitas por integrantes do atual governo.
Ao tratar da Eletrobras e da BR Distribuidora, o presidente utilizou termos duros para qualificar as condições dos processos, sugerindo que cláusulas e arranjos societários teriam dificultado um eventual retorno do controle pelo Estado. Reiterou que a intenção manifestada é um desejo político e que existem entraves legais e financeiros que limitam movimentos imediatos.
Impactos potenciais e limites mencionados
As falas indicam que uma eventual iniciativa de recompra, se avançar, pode afetar tarifas, serviços e relações trabalhistas, mas o presidente não apresentou medidas, cronogramas ou instrumentos específicos. O próprio discurso apontou a existência de obstáculos regulatórios e de custo que condicionariam qualquer tentativa de mudança no controle acionário. Assim, o cenário, no momento, permanece no campo da intenção política declarada, dependente de fatores jurídicos, financeiros e societários citados pelo presidente.
Alcance político e entraves para mudanças no controle de estatais
A manifestação pública reforça a sinalização política de priorizar ativos considerados estratégicos pelo governo. No entanto, o próprio discurso reconhece limites práticos, como regras societárias e custos elevados para recomprar o controle. Em termos institucionais, a distância entre intenção e execução envolve autorizações legais, estrutura de governança e disponibilidade orçamentária, além de negociação com acionistas privados. A fala projeta disputa de narrativa sobre o papel do Estado em setores essenciais e indica que, sem alterações nas condições citadas, a reversão de privatizações permanece como objetivo político condicionado por entraves que o próprio presidente descreveu.
Fontes e documentos:
- Lula diz sonhar em reverter privatizações de empresas estratégicas (Agência Brasil)

