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Cirurgias no DF crescem 49% com o OperaDF

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Mais 11,6 mil procedimentos foram realizados em sete meses

A rede pública e os hospitais privados contratados pelo Distrito Federal realizaram mais de 35 mil cirurgias entre setembro de 2025 e março de 2026. O volume representa crescimento de 49% em comparação com os cerca de 23,4 mil procedimentos registrados nos mesmos meses do período anterior.

O avanço acrescentou aproximadamente 11,6 mil operações ao atendimento oferecido pelo Sistema Único de Saúde no DF. O balanço reúne cirurgias ambulatoriais, que permitem alta no mesmo dia, e procedimentos que exigem internação hospitalar.

A ampliação ocorreu durante a implantação do OperaDF, programa criado para contratar serviços da rede privada e reforçar a capacidade dos centros cirúrgicos públicos. O crescimento da produção, entretanto, não mostra sozinho quanto o tempo de espera diminuiu nem quantas pessoas continuam nas filas de cada especialidade.

Cirurgias ambulatoriais avançam 54%

As cirurgias ambulatoriais passaram de aproximadamente 11,6 mil para 17,8 mil no período analisado. O aumento foi de 54%, com cerca de 6,2 mil procedimentos adicionais.

Essa categoria abrange intervenções que, conforme a condição clínica do paciente, podem ser realizadas sem internação prolongada.

As cirurgias que exigiram internação cresceram 45%. O número passou de 11.866 para 17.264, acréscimo de quase 5,4 mil operações.

Os dados representam a produção registrada entre setembro e março de cada período. Eles não informam quantos pacientes estavam na fila no início e no fim da comparação, nem apresentam o tempo médio de espera separado por procedimento.

Cirurgia permite que diarista planeje retorno ao trabalho

A diarista Wilma Fabiano Leite, de 36 anos, conviveu por cerca de um ano com dores e dormência na mão. Os sintomas passaram a dificultar as tarefas profissionais e atividades comuns da rotina.

Depois de procurar a rede pública, ela recebeu o diagnóstico de síndrome do túnel do carpo. A condição ocorre quando o nervo mediano sofre compressão ao atravessar uma passagem estreita localizada no punho.

Wilma passou por consultas, exames e avaliação cardiológica antes de ser liberada para o procedimento cirúrgico.

“Assim que o cardiologista me liberou, logo saiu a cirurgia. Foi excelente, fui muito bem-atendida e me senti superacolhida”, relata.

Moradora do Itapoã, ela espera recuperar os movimentos e retomar o trabalho depois do período de reabilitação.

A cirurgia pode aliviar a pressão sobre o nervo, mas a recuperação depende da gravidade da compressão, do tempo de evolução, das condições clínicas e dos cuidados no pós-operatório.

Fratura no punho exigiu operação no Paranoá

O microempreendedor Leonardo Alexandre de Souza Silva, de 30 anos, fraturou o escafoide durante uma partida de futebol.

O escafoide é um pequeno osso localizado no punho. Algumas fraturas nessa região apresentam dificuldade de consolidação porque parte do osso recebe irrigação sanguínea limitada.

Leonardo procurou uma Unidade Básica de Saúde e foi encaminhado para o Hospital da Região Leste, no Paranoá. Após acompanhamento e exames, passou pela cirurgia neste mês.

“Eu não conseguiria arcar com essa cirurgia no particular. Agora é focar o pós-operatório e me recuperar o mais rápido possível”, afirma.

O caso mostra a função da atenção primária na identificação inicial da demanda e no encaminhamento para unidades capazes de realizar o tratamento especializado.

Programa utiliza rede pública e hospitais contratados

O OperaDF foi estruturado para ampliar a produção cirúrgica por dois caminhos.

Na rede complementar, hospitais privados são contratados para realizar procedimentos considerados de pequena e média complexidade em pacientes com quadro clínico estável.

Nos hospitais públicos, o programa contrata serviços de anestesia e reorganiza agendas para aumentar o uso das salas cirúrgicas, inclusive em procedimentos mais complexos.

A falta de anestesiologistas é apontada pela gestão como um dos fatores que limitavam a abertura de novos turnos. A SES-DF contratou 5,4 mil horas de plantões para reforçar unidades da rede.

O Hospital da Região Leste foi o primeiro a receber o serviço. Na semana inicial, a unidade acrescentou dez turnos de procedimentos, permitindo que os profissionais contratados atuassem nas cirurgias eletivas enquanto os servidores atendiam urgências.

O reforço também foi previsto para hospitais da Asa Norte, Ceilândia, Planaltina, Taguatinga e para o Hospital Materno Infantil de Brasília, entre outras unidades.

Paciente não faz inscrição direta no OperaDF

O acesso ao programa começa na própria rede pública.

A pessoa precisa passar por avaliação em uma Unidade Básica de Saúde, ambulatório especializado ou hospital, conforme o problema apresentado. Depois da indicação cirúrgica e dos exames necessários, a solicitação é inserida no sistema de regulação.

O Complexo Regulador organiza os encaminhamentos de acordo com critérios clínicos, ordem das solicitações, especialidade disponível e capacidade contratada.

O paciente pode ser operado em hospital público ou em uma instituição privada credenciada pelo SUS. Quando possível, a gestão procura encaminhá-lo para uma unidade próxima da residência.

Não há inscrição independente, cadastro especial ou pagamento para participar do OperaDF.

Contratação inclui etapas anteriores e posteriores

Os hospitais privados contratados não ficam responsáveis apenas pelo ato cirúrgico.

Os serviços previstos podem incluir:

  • consultas pré-operatórias;
  • avaliação cardiológica;
  • consulta pré-anestésica;
  • exames necessários ao procedimento;
  • materiais, medicamentos e equipamentos;
  • curativos e análise de tecidos retirados;
  • internação, quando indicada;
  • consultas de acompanhamento depois da cirurgia.

O objetivo é reduzir o risco de o procedimento ser interrompido porque uma das etapas preparatórias não foi realizada.

A inclusão desses serviços também transfere à instituição contratada a responsabilidade por organizar uma linha de atendimento completa dentro das condições estabelecidas nos editais.

OperaDF incorpora procedimentos oftalmológicos

A oftalmologia passou a integrar as especialidades atendidas pelo programa.

Até 1º de junho, haviam sido contratadas 5.415 cirurgias de catarata por facoemulsificação. Desse total, 643 apareciam como concluídas no balanço apresentado.

A facoemulsificação utiliza ultrassom para fragmentar e retirar o cristalino opaco. Em seguida, uma lente artificial é implantada para recuperar a passagem da luz e melhorar a visão.

A diferença entre o número contratado e o executado mostra que grande parte dos procedimentos ainda estava em etapas de convocação, avaliação, preparação ou agendamento. O balanço divulgado não detalha a situação individual das demais autorizações.

Cirurgia de varizes lidera procedimentos concluídos

A cirurgia bilateral de varizes registrava 1.290 procedimentos concluídos, maior volume entre as operações contratadas pelo programa.

O OperaDF também contempla vasectomias, retirada da vesícula, correções de hérnias, operações da tireoide, cirurgias de próstata e procedimentos para retirada de cálculos urinários.

Mais de 1,2 mil vasectomias haviam sido contratadas.

A oferta varia conforme os editais vigentes, a habilitação das empresas, o número de vagas compradas pela Secretaria de Saúde e a quantidade de pacientes aptos para o procedimento.

Autorizações superam cirurgias concluídas

Até 1º de junho, aproximadamente 10,3 mil cirurgias haviam sido autorizadas para realização nos hospitais contratados. Cerca de 3,8 mil apareciam como concluídas.

Isso corresponde a aproximadamente 37% do total autorizado.

A diferença não significa necessariamente que os demais procedimentos tenham sido cancelados. Entre a autorização e a operação, o paciente pode precisar passar por consultas, exames, avaliação anestésica, atualização de documentos ou tratamento de alguma condição clínica.

O dado também mostra por que números de contratação, autorização e execução não devem ser somados ou apresentados como se representassem a mesma etapa.

Para avaliar o desempenho do programa, é necessário acompanhar quantas autorizações efetivamente se transformam em cirurgias e quanto tempo cada paciente permanece entre essas fases.

Falta do paciente pode deixar sala sem utilização

A Secretaria de Saúde alerta que parte dos pacientes convocados não comparece no dia marcado.

Quando a ausência não é comunicada com antecedência, a equipe, a sala cirúrgica e os materiais podem permanecer reservados sem que outra pessoa consiga ocupar a vaga.

O secretário de Saúde, Juracy Lacerda, orienta os usuários a manter telefones e dados pessoais atualizados, acompanhar mensagens e confirmar o comparecimento.

Mudanças de número, endereços desatualizados e chamadas não atendidas podem impedir que o Complexo Regulador localize o paciente.

Quem não puder comparecer deve comunicar a unidade responsável para permitir o reagendamento e, quando possível, o aproveitamento da vaga por outra pessoa.

Produção de 2025 alcançou maior patamar informado pela gestão

A SES-DF afirma que a rede realizou mais de 53 mil cirurgias durante 2025, maior volume anual de sua série histórica.

Em 2024, o Distrito Federal havia ultrapassado 39 mil cirurgias eletivas até novembro. As comparações exigem cautela porque alguns balanços incluem apenas procedimentos eletivos, enquanto outros podem reunir diferentes tipos de cirurgia e unidades contratadas.

A divulgação de séries padronizadas permitiria acompanhar com maior precisão quanto da expansão veio dos hospitais públicos, quanto foi realizado pela rede privada e quais especialidades apresentaram maior avanço.

Também permitiria identificar procedimentos que continuam com baixa capacidade de atendimento apesar do crescimento geral.

Mais cirurgias não bastam para medir redução da fila

O aumento de 49% mostra que mais procedimentos foram realizados e que a rede conseguiu utilizar uma capacidade que antes não estava disponível.

Para quem aguardava com dor, limitação física ou risco de agravamento, a operação representa uma mudança concreta. A recuperação pode significar retorno ao trabalho, retomada da autonomia e menor dependência de medicamentos.

O volume realizado, contudo, é apenas uma parte da avaliação.

Uma fila pode continuar aumentando mesmo quando o número de cirurgias cresce, caso novas solicitações entrem em ritmo superior ao dos procedimentos concluídos. Especialidades diferentes também podem apresentar realidades opostas dentro do mesmo balanço.

A análise completa precisa incluir o tamanho atualizado das filas, o tempo mediano de espera, a quantidade de pacientes convocados, as ausências, os cancelamentos e a evolução por especialidade.

O OperaDF amplia a capacidade instalada e oferece resposta a milhares de pessoas. A medida definitiva do resultado será o tempo que cada paciente ainda precisa esperar entre a indicação médica e a entrada no centro cirúrgico.

Relacionadas, fontes e documentos:

Diabetes gestacional pode avançar sem apresentar sintomas (Fonte em Foco)
Pé diabético pode evoluir sem dor e levar à amputação (Fonte em Foco)
Laboratório do Lacen reforça diagnóstico de tuberculose (Fonte em Foco)
Opera DF chega a 5 mil cirurgias e Hran recebe obras (Fonte em Foco)
– Lançamento e funcionamento do OperaDF (Secretaria de Saúde do DF)
– Editais de cirurgias eletivas (Secretaria de Saúde do DF)
Com mais cirurgias e menos espera, Opera DF devolve qualidade de vida a pacientes (Agência Brasília)

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