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Bolsa sobe quase 3% após IPCA abaixo do esperado

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Ibovespa fecha no maior nível desde maio e dólar volta à faixa de R$ 5,10

O mercado financeiro brasileiro encerrou a sexta-feira (10) em tom positivo, impulsionado pela inflação abaixo do esperado no Brasil e por um ambiente externo mais favorável a ativos de risco. O Ibovespa avançou 2,97%, aos 177.866,37 pontos, enquanto o dólar caiu pela terceira sessão consecutiva e fechou cotado a R$ 5,108.

O principal fator doméstico foi a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de junho. O IPCA desacelerou para 0,16%, depois de alta de 0,58% em maio, e ficou abaixo das projeções do mercado. Em 12 meses, a inflação acumulada chegou a 4,64%.

O resultado reforçou a expectativa de que o Banco Central possa retomar cortes na taxa Selic na reunião de agosto. Juros menores tendem a favorecer a bolsa porque reduzem o custo de financiamento das empresas e aumentam a atratividade relativa dos ativos de risco.

Ibovespa sobe 2,97% e fecha na máxima do dia

O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 2,97%, aos 177.866,37 pontos, no maior fechamento desde 14 de maio. O índice terminou a sessão na máxima do dia, com forte disseminação de ganhos entre os papéis que compõem a carteira teórica.

Das 79 ações do índice, apenas uma fechou em queda. O volume financeiro negociado somou R$ 24,99 bilhões.

Com o resultado, a bolsa completou a terceira semana consecutiva de valorização. O Ibovespa acumulou alta de 2,18% na semana, avanço de 3,40% em julho e ganho de 10,39% em 2026.

Dólar cai pela terceira sessão seguida

O dólar à vista recuou 0,31%, queda de R$ 0,014, e encerrou a sexta-feira cotado a R$ 5,108. Na mínima do dia, por volta das 13h30, a moeda chegou a R$ 5,098.

Foi a terceira sessão consecutiva de queda da divisa norte-americana. Na semana, o dólar acumulou desvalorização de 1,18%. Em julho, a perda é de 1,06%. No ano, o recuo chega a 6,94%.

Além da reação ao IPCA, o real acompanhou o desempenho positivo de moedas de países emergentes, em um dia de maior disposição dos investidores para ativos de risco. O exterior ajudou, e o IPCA fez o serviço doméstico. No mercado, quando inflação surpreende para baixo, até o mau humor costuma tirar folga.

Petróleo recua, mas acumula alta na semana

No mercado internacional, os preços do petróleo fecharam em queda pelo segundo pregão consecutivo, apesar da continuidade das tensões entre Estados Unidos e Irã.

O barril do Brent, referência internacional, recuou 0,38%, a US$ 76,01. Ainda assim, acumulou valorização de 5,39% na semana. O WTI, negociado nos Estados Unidos, caiu 0,93%, para US$ 71,41.

Investidores seguem monitorando o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa parcela relevante do petróleo comercializado no mundo. Embora o fluxo de navios tenha diminuído desde a retomada dos ataques, a passagem permanece aberta, o que reduziu o temor de uma interrupção mais severa da oferta global.

Inflação menor muda leitura sobre juros

O IPCA de junho reforçou a percepção de que a inflação brasileira pode permitir flexibilização monetária nos próximos meses. A leitura abaixo do esperado reduziu pressões sobre a curva de juros e favoreceu ações de setores mais sensíveis à Selic.

A relação é direta: quando o mercado enxerga espaço para queda dos juros, empresas com maior dependência de crédito e consumo tendem a se beneficiar. Ao mesmo tempo, a renda variável ganha força diante de um retorno esperado menor nos ativos de renda fixa.

A leitura, porém, ainda depende dos próximos dados. A inflação acumulada em 12 meses permanece acima do centro da meta, e o Banco Central tende a avaliar não apenas o resultado mensal, mas também expectativas, câmbio, atividade econômica, contas públicas e cenário externo.

Risco geopolítico continua no radar

Mesmo com o pregão positivo no Brasil, o cenário internacional ainda carrega incerteza. O conflito entre Estados Unidos e Irã segue influenciando preços de commodities, especialmente petróleo, e pode voltar a pressionar inflação e expectativas caso haja interrupção no fornecimento global.

O Estreito de Ormuz permanece como ponto sensível. A rota concentra parte relevante do comércio mundial de petróleo, e qualquer bloqueio ou restrição mais severa poderia elevar os preços da commodity e afetar custos de energia, combustíveis e transporte.

Por enquanto, o mercado operou com a avaliação de que o risco existe, mas ainda não se transformou em choque amplo de oferta.

Análise do fechamento do mercado

O fechamento desta sexta-feira mostra uma combinação favorável para ativos brasileiros: inflação menor, dólar em queda, bolsa disseminada em alta e petróleo sem nova escalada no dia. O conjunto reforçou a tese de que a Selic pode voltar a cair, o que alimentou a valorização do Ibovespa.

O ponto decisivo é que o mercado reagiu mais à direção do dado do que apenas ao número isolado. O IPCA de 0,16% reduziu a pressão imediata sobre o Banco Central e melhorou o preço dos ativos. Ainda assim, uma leitura mensal não encerra o debate inflacionário.

A próxima etapa será observar se a desaceleração se confirma em outros indicadores e se o exterior não volta a contaminar energia, câmbio e expectativas. Para o investidor, a sexta-feira entregou alívio. Para a economia, entregou uma condição: o ciclo de melhora dependerá de inflação consistente, menor ruído externo e sinais mais claros sobre juros.

Relacionadas, fontes e documentos:

Imposto sobre petróleo seguirá em 12% por 60 dias (Fonte em Foco)
Poupança perdeu R$ 39,3 bilhões no semestre (Fonte em Foco)
Dólar caiu a R$ 5,13 e Bolsa recuou (Fonte em Foco)
Mercado reduz previsão de inflação para 2026 (Fonte em Foco)
Brasil contesta novas barreiras da UE ao aço brasileiro (Fonte em Foco)
Segundo lote do IR alcança 9,5 milhões de contribuintes (Fonte em Foco)
Bolsa sobe quase 3% e fecha no maior nível desde maio (Agência Brasil)

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