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Ciclone e baixa umidade ampliam alertas no Brasil

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Tempestades atingem do Rio Grande do Sul à Santa Catarina e grande parte do Centro-Oeste e áreas do Sudeste enfrentam baixa umidade

O Brasil atravessa esta quarta-feira (19) sob riscos meteorológicos quase opostos. Enquanto tempestades atingem o Rio Grande do Sul e avançam em direção a Santa Catarina, grande parte do Centro-Oeste e áreas do Sudeste enfrentam baixa umidade. No oeste da Amazônia e em trechos do Nordeste, a atenção também se volta para chuva intensa e ventos. O cenário deve ganhar força no Sul a partir da madrugada de quinta-feira (20), com a formação de um ciclone extratropical na costa gaúcha.

Ciclone aumenta risco de temporais no Sul

O Rio Grande do Sul está sob aviso amarelo de perigo potencial para tempestades nesta quarta-feira. O alerta também alcança o sul e o extremo oeste de Santa Catarina e áreas do extremo sudoeste e oeste do Paraná. No norte paranaense, o problema é outro: há aviso para baixa umidade durante a tarde.

A situação tende a ficar mais instável na quinta. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, uma frente fria associada à formação de um ciclone extratropical na costa do Rio Grande do Sul deve espalhar chuva e trovoadas pelo oeste e sul de Santa Catarina e do Paraná, mantendo forte instabilidade em território gaúcho.

No sul do Rio Grande do Sul, o acumulado entre quarta e quinta pode superar 150 milímetros. O modelo do Inmet também indica que, pontualmente, as rajadas podem ultrapassar 80 km/h na Região Sul.

Com a entrada de ar frio, as mínimas podem cair para menos de 10°C no sul do Paraná, oeste catarinense e grande parte do interior gaúcho na quinta-feira. Entre as capitais, Porto Alegre e Curitiba têm mínima prevista de 15°C; em Curitiba, a máxima pode chegar a 28°C.

Centro-Oeste e Sudeste enfrentam ar muito seco

Enquanto a chuva ganha força no Sul, a baixa umidade domina grande parte do centro do país. Há aviso laranja de perigo em extensas áreas de Mato Grosso, norte e leste de Mato Grosso do Sul e oeste e sul de Goiás. O Distrito Federal e outras áreas desses estados aparecem sob aviso amarelo de perigo potencial.

Os modelos do Inmet indicam que a umidade relativa mínima pode ficar entre 12% e 16% em partes do Centro-Oeste, sul da Região Norte e trechos do Sudeste entre quarta e quinta. Em Cuiabá, a máxima chega a 39°C nesta quarta, enquanto Brasília tem mínima prevista de 17°C.

No Sudeste, o tempo seco predomina. O aviso laranja alcança grande parte do interior paulista, o Triângulo Mineiro e o sul de Minas Gerais. Há aviso amarelo para outras áreas mineiras e para o leste paulista, incluindo a capital, com exceção da faixa litorânea.

Entre as capitais do Sudeste, Belo Horizonte tem a menor temperatura prevista, de 13°C, e pode chegar a 32°C, mesma máxima prevista para o Rio de Janeiro.

Nordeste tem chuva no litoral e seca no interior

O Nordeste vive outro contraste. A chuva se concentra principalmente na faixa leste, enquanto áreas do interior enfrentam ar seco.

O aviso laranja de perigo para chuva intensa no nordeste de Alagoas e leste de Pernambuco estava previsto até as 9h desta quarta-feira. Também há previsão de chuva no leste da Paraíba e de ventos costeiros no litoral entre Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e leste do Maranhão. Como avisos meteorológicos podem ser atualizados ou encerrados durante o dia, a situação vigente deve ser conferida no painel de alertas do Inmet.

No interior, há áreas sob aviso de baixa umidade entre Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Bahia. Teresina ilustra a amplitude térmica provocada pelo ar seco: a previsão vai de 21°C a 37°C.

Norte mistura chuva forte, calor e baixa umidade

No Norte, o oeste do Amazonas, Acre e partes de Rondônia concentram as principais instabilidades. Há possibilidade de pancadas de chuva e trovoadas, além de rajadas que podem chegar a 60 km/h no oeste amazonense.

Ao mesmo tempo, o sul do Pará e o oeste do Tocantins aparecem sob aviso laranja para baixa umidade. Outras áreas de Rondônia, Amazonas, Pará e Tocantins estão sob aviso amarelo. Palmas pode atingir 38°C, enquanto Manaus e Porto Velho chegam a 37°C.

O quadro mostra que uma mesma região pode conviver, a poucas centenas de quilômetros de distância, com riscos completamente diferentes: chuva forte de um lado e calor com ar muito seco de outro.

O que significam os alertas

A cor do aviso ajuda a dimensionar a atenção necessária. O amarelo indica perigo potencial; o laranja representa situação de perigo. O tipo de risco — tempestade, chuva intensa, ventos ou baixa umidade — é tão importante quanto a cor e deve ser observado junto com o horário de início e término do alerta.

Como os avisos podem mudar ao longo do dia, o mais seguro é consultar diretamente o sistema oficial do Inmet antes de deslocamentos, atividades ao ar livre ou decisões que dependam das condições meteorológicas.

Dia de chuva ou tempo seco

O mapa do tempo desta quarta-feira ajuda a entender por que uma previsão nacional não cabe em uma única expressão como “dia de chuva” ou “tempo seco”. O país enfrenta simultaneamente excesso e falta de umidade, com riscos diferentes para populações de regiões distintas.

No Sul, a prioridade é acompanhar o avanço das tempestades e a formação do ciclone. No Centro-Oeste e em boa parte do Sudeste, o ponto de atenção é o ar extremamente seco. Norte e Nordeste reúnem os dois extremos dentro de uma mesma região.

Essa diversidade também explica por que o alerta meteorológico precisa ser lido com território, horário e grau de severidade. A cor sozinha não conta toda a história — e um aviso válido pela manhã pode já ter terminado à tarde. Em meteorologia de serviço público, a informação mais útil é aquela que deixa claro não apenas o que pode acontecer, mas onde e quando o risco existe.

Fontes e Documentos:

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