Publicidade
InícioBrasilCulturaDecretado luto por Laura Cardoso e Glória Menezes

Decretado luto por Laura Cardoso e Glória Menezes

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

Cobertura relacionada

Fim de semana no DF reúne música, teatro e esporte

Agenda cultural leva shows, teatro, percussão e MMA a várias regiões do DF. Veja os eventos gratuitos deste fim de semana.

Concerto gratuito celebra os 190 anos de Carlos Gomes

Carlos Gomes será homenageado com concerto gratuito no Guará. Veja o repertório, os solistas e como acompanhar a apresentação.

Filme resgata dor de família atingida pelo césio-137

Césio-137 é revisto pelo documentário Lourdes e Leide, que recupera a dor familiar, o preconceito e as cobranças por reparação. Entenda.

Foto de pássaros vira ouro no Cannes Lions de 2026

Pássaros nos fios fotografados em 2009 deram origem a uma música e a uma campanha premiada em Cannes. Conheça a trajetória completa.

Rede Memória Viva abre seleção para quatro territórios

Edital da Rede Memória Viva selecionará quatro territórios para formações, projetos e estratégias de afroturismo de base comunitária.

Exposição no Rio debate mineração de lítio

Mostra de Isis Medeiros reúne fotografias, instalações e cerâmicas para discutir os efeitos da mineração de lítio em Minas Gerais.
Publicidade

Luto por Laura Cardoso e Glória Menezes

O Brasil cumpre três dias de luto oficial pelas mortes de Laura Cardoso e Glória Menezes, duas atrizes que atravessaram gerações e ajudaram a construir a história da dramaturgia brasileira. Os decretos de homenagem foram publicados pelo governo federal em edição extra do Diário Oficial da União na noite de terça-feira (18), depois que as artistas morreram em um intervalo inferior a 24 horas.

Laura morreu aos 98 anos, em São Paulo. Horas depois, Glória Menezes morreu aos 91 anos, no Rio de Janeiro. A coincidência reuniu em um mesmo período de luto duas trajetórias que começaram quando a televisão brasileira ainda dava seus primeiros passos e que permaneceram presentes no rádio, no teatro, no cinema e, sobretudo, na memória da teledramaturgia nacional.

Dois decretos e uma homenagem nacional

O Decreto nº 13.100/2026 declara luto oficial pelo falecimento de Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni, nome de registro de Laura Cardoso. Já o Decreto nº 13.101/2026 presta a mesma homenagem a Nilcedes Soares de Magalhães, conhecida artisticamente como Glória Menezes. Ambos foram editados em 18 de agosto.

O período estabelecido é de três dias. A legislação brasileira sobre os símbolos nacionais determina que, quando o presidente da República decreta luto oficial em todo o país, a Bandeira Nacional é hasteada em funeral e fica a meio-mastro ou meia-adriça, seguindo o rito previsto em lei.

A homenagem do Estado dá uma dimensão institucional a uma perda que já havia mobilizado o meio artístico. Não se trata apenas da morte simultânea de duas celebridades, mas da despedida de profissionais cujas carreiras acompanharam a formação da própria televisão brasileira.

Laura Cardoso atravessou mais de oito décadas de atuação

Nascida Laurinda de Jesus Balleroni, Laura Cardoso faria 99 anos em setembro. Ao longo da carreira, interpretou mais de 60 personagens na televisão e trabalhou também no cinema e no teatro. Entre papéis conhecidos estão Dona Isaura, de Mulheres de Areia, Guiomar, de A Viagem, e Sinhana, de Irmãos Coragem.

A longevidade artística foi acompanhada por reconhecimento da crítica. Laura recebeu, entre outras premiações, três Grandes Otelos como atriz coadjuvante e cinco prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte em trabalhos para televisão, cinema e teatro. Em 2023, recebeu o Troféu Oscarito no Festival de Gramado pelo conjunto da carreira.

Mesmo já próxima dos 90 anos, continuou trabalhando na televisão. Entre suas últimas aparições estiveram Dona Sinhá, em Sol Nascente, e Caetana de Souza, em O Outro Lado do Paraíso.

O Ministério da Cultura classificou Laura como um dos principais nomes da dramaturgia brasileira e ressaltou que sua trajetória de mais de oito décadas fez parte da história do rádio, do teatro, do cinema e da televisão no país. A Funarte também a descreveu como uma das pioneiras da televisão brasileira.

Glória Menezes esteve entre as pioneiras da teledramaturgia

Glória Menezes nasceu Nilcedes Soares de Magalhães, em 1934, em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Sua trajetória profissional começou ainda no período pioneiro da televisão, na TV Tupi, antes de se consolidar como um dos rostos mais reconhecidos da teledramaturgia nacional.

Ao longo de mais de seis décadas de carreira, participou de mais de 40 novelas e também trabalhou no teatro e no cinema. O Ministério da Cultura destacou que seus personagens atravessaram diferentes gerações e fizeram dela uma referência da televisão brasileira.

Sua trajetória também se confundiu durante décadas com a do ator Tarcísio Meira. Os dois se casaram em 1962 e permaneceram juntos até a morte dele, em 2021. Profissionalmente, formaram uma das duplas mais reconhecidas da televisão e protagonizaram juntos diferentes produções ao longo de décadas.

Entre os marcos de sua carreira está a participação em 2-5499 Ocupado, produção de 1963 frequentemente lembrada como a primeira telenovela diária da televisão brasileira. Glória também construiu uma extensa galeria de personagens ao longo das décadas seguintes.

A perda de duas atrizes conta também a história da televisão

A proximidade entre as mortes torna a homenagem particularmente simbólica. Laura Cardoso e Glória Menezes pertenciam a uma geração que não encontrou a televisão brasileira pronta: elas participaram de sua formação.

As duas começaram suas trajetórias quando os formatos, linguagens e rotinas de produção que hoje parecem naturais ainda estavam sendo experimentados. A carreira de Laura passou pelo rádio antes de se expandir para televisão, teatro e cinema. Glória iniciou a trajetória no teleteatro da TV Tupi e acompanhou a transformação da dramaturgia em um dos produtos culturais de maior alcance no país.

Por isso, suas biografias não se resumem aos personagens mais populares. Ao somar décadas de trabalho, as duas atravessaram diferentes fases tecnológicas, estéticas e industriais da comunicação brasileira.

O Ministério da Cultura resumiu esse alcance ao afirmar que Glória Menezes marcou diferentes gerações e ao situar Laura Cardoso entre os nomes fundamentais da dramaturgia nacional.

Luto oficial transforma reconhecimento cultural em ato de Estado

O luto oficial acrescenta uma camada à reação provocada pelas mortes. Homenagens de colegas, familiares e espectadores pertencem à esfera afetiva e cultural. Os decretos levam esse reconhecimento para o plano institucional.

A Lei nº 5.700, que disciplina a apresentação dos símbolos nacionais, prevê expressamente o hasteamento da Bandeira Nacional em funeral quando houver luto oficial decretado pelo presidente da República em todo o país.

No caso de Laura Cardoso e Glória Menezes, o gesto aproxima Estado e memória cultural: duas profissionais da dramaturgia recebem uma homenagem nacional não por um cargo público exercido, mas pela contribuição de suas trajetórias para a cultura brasileira.

Protagonistas da construção da cultura televisiva

A morte de Laura Cardoso e Glória Menezes em intervalo tão curto produz uma coincidência rara: o Brasil não se despede apenas de duas atrizes, mas de duas testemunhas e protagonistas da construção da cultura televisiva.

As carreiras começaram quando a televisão ainda procurava linguagem própria e atravessaram a transformação das novelas e produções dramáticas em parte da experiência cotidiana de milhões de brasileiros. A longa permanência das duas diante do público permitiu que avós, pais, filhos e netos reconhecessem seus rostos em diferentes épocas.

O luto oficial traduz institucionalmente essa dimensão. Não transforma suas trajetórias em unanimidade nem substitui a avaliação artística de cada trabalho. Mas reconhece que existem personagens públicos cuja importância ultrapassa a obra isolada e passa a integrar a memória cultural de um país.

É nesse ponto que as duas histórias se encontram. Laura e Glória seguiram carreiras próprias, interpretaram personagens diferentes e construíram trajetórias distintas. O legado comum está em terem ajudado a transformar uma mídia ainda nascente em um dos principais espaços de narrativa popular brasileira.

A perda simultânea encerra duas vidas. A história que elas ajudaram a construir permanece nas telas, nos arquivos e na memória de diferentes gerações.

Fontes e Documentos:

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.