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Eleições 2026: 24,1 mil militares atuarão no 2º turno

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Operação das Eleições 2026 atenderá 306 municípios com reforço na votação e na apuração, além de levar equipamentos e equipes eleitorais a regiões de difícil acesso

Forças Armadas mobilizam 24,1 mil militares para garantir segurança e transporte de urnas no segundo turno

Cerca de 24,1 mil militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica serão mobilizados para apoiar o segundo turno das Eleições 2026, neste domingo (25 de outubro). A operação alcançará municípios de diferentes regiões do país, com duas responsabilidades principais: reforçar a segurança da votação e da apuração dos resultados e garantir que urnas eletrônicas, materiais e equipes eleitorais cheguem a localidades onde o transporte convencional enfrenta dificuldades.

O planejamento prevê ações de Garantia da Votação e da Apuração (GVA) em 306 municípios de 11 estados, além de apoio logístico em 39 municípios de oito estados. Para atender essas localidades, as Forças Armadas utilizarão aeronaves, helicópteros, embarcações e viaturas, com atenção especial a comunidades rurais, terras indígenas e regiões ribeirinhas.

Reforço militar atenderá 306 municípios em 11 estados

A maior parte da atuação de segurança estará concentrada em municípios onde a Justiça Eleitoral identificou necessidade de apoio federal. Os militares trabalharão em áreas previamente definidas para contribuir com a ordem pública e o funcionamento das seções eleitorais.

A distribuição das ações de Garantia da Votação e da Apuração contempla:

Garantia da Votação e da Apuração

306 municípios em 11 estados

Piauí: 81 municípios
Ceará: 46 municípios
Pará: 38 municípios
Amazonas: 34 municípios
Mato Grosso: 30 municípios
Maranhão: 21 municípios
Acre: 20 municípios
Rio de Janeiro: 15 municípios
Alagoas: 8 municípios
Rio Grande do Norte: 7 municípios
Tocantins: 6 municípios

Total: 306 municípiosA presença de militares não significa que todos esses municípios enfrentem situações de violência ou tenham apresentado ocorrências eleitorais. O reforço é planejado conforme as necessidades locais encaminhadas pelos tribunais eleitorais e pode envolver ações preventivas para assegurar a normalidade do pleito.

Nas localidades autorizadas, os militares poderão realizar atividades de presença e patrulhamento, em coordenação com as instituições de segurança pública e dentro dos limites estabelecidos para a operação.

O que significa Garantia da Votação e da Apuração?

A Garantia da Votação e da Apuração é uma modalidade de apoio das Forças Armadas destinada a proteger o funcionamento do processo eleitoral. Sua finalidade é contribuir para que eleitores possam votar livremente e para que os trabalhos de votação e apuração aconteçam sem interferências que comprometam sua normalidade.

Esse emprego militar não acontece por decisão isolada dos comandos das Forças Armadas. Os pedidos partem da Justiça Eleitoral, passam pelos procedimentos de autorização e são executados nas localidades definidas para cada operação.

A atuação é complementar ao trabalho dos órgãos de segurança pública e não transfere aos militares a responsabilidade de organizar ou conduzir as eleições. A administração do processo eleitoral permanece sob responsabilidade da Justiça Eleitoral, incluindo a preparação das seções, o funcionamento das urnas e a apuração dos resultados.

Urnas eletrônicas serão transportadas por aviões, barcos e viaturas

Em 39 municípios de oito estados, o principal desafio será garantir que os equipamentos e os profissionais necessários à votação consigam chegar aos seus destinos. Nessas localidades, as condições geográficas e a infraestrutura disponível podem exigir o uso de meios de transporte especializados.

A operação logística está distribuída da seguinte forma:

Apoio logístico eleitoral

39 municípios em 8 estados

Amazonas: 16 municípios
Acre: 5 municípios
Roraima: 5 municípios
Mato Grosso do Sul: 4 municípios
Rio de Janeiro: 4 municípios
Maranhão: 2 municípios
Mato Grosso: 2 municípios
Amapá: 1 município

Total: 39 municípios

O transporte não envolve apenas as urnas eletrônicas. A missão também inclui equipamentos, materiais e equipes eleitorais que precisam estar nos locais de votação para permitir o funcionamento das seções.

Dependendo das características de cada região, a operação poderá utilizar aeronaves e helicópteros, embarcações para percursos fluviais e viaturas militares em trajetos terrestres.

Por que comunidades isoladas precisam desse apoio?

Em algumas regiões brasileiras, chegar a uma seção eleitoral pode depender de deslocamentos por rios, estradas de difícil acesso ou trechos que exigem transporte aéreo. Essa realidade torna a organização das eleições mais complexa do que simplesmente instalar urnas em escolas e prédios públicos.

Na Amazônia, por exemplo, rios desempenham papel importante no deslocamento entre comunidades. Em terras indígenas e localidades rurais distantes dos centros urbanos, as condições de acesso também podem exigir planejamento específico.

O apoio logístico permite que a Justiça Eleitoral utilize a capacidade operacional das Forças Armadas para superar essas dificuldades. O objetivo é transportar pessoas e equipamentos com segurança e dentro dos prazos necessários à realização da votação.

Há uma diferença importante entre as duas modalidades de atuação: enquanto a Garantia da Votação e da Apuração se concentra na proteção do processo eleitoral, o apoio logístico busca resolver dificuldades concretas de transporte e acesso.

Um mesmo estado pode aparecer nas duas operações, mas isso não significa necessariamente que os mesmos municípios ou equipes militares desempenharão ambas as funções.

Emprego das Forças Armadas depende de autorização e pedido da Justiça Eleitoral

A participação militar nas eleições segue regras legais que delimitam quando, onde e com qual finalidade as tropas podem atuar. O Código Eleitoral estabelece a possibilidade de requisição de força federal, enquanto o Decreto nº 13.073, de 20 de julho de 2026, autorizou o emprego das Forças Armadas na garantia da votação, da apuração e no apoio logístico das eleições deste ano.

O decreto determina que as localidades e os períodos de atuação sejam definidos conforme as requisições do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na prática, os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) identificam necessidades e apresentam os pedidos correspondentes. Depois da análise e das autorizações necessárias, o Ministério da Defesa e os comandos militares organizam o atendimento.

Esse procedimento impede que a presença de tropas seja definida livremente pelos comandos militares, sem vinculação às necessidades reconhecidas pela Justiça Eleitoral. A atuação deve observar as competências de cada instituição e os limites estabelecidos para a missão.

As solicitações ainda podem ser apresentadas nas proximidades da votação, o que permite adequar o planejamento a necessidades identificadas posteriormente.

Brasília coordenará a operação nacional

O acompanhamento nacional ficará concentrado no Centro de Operações Conjuntas (COC), em Brasília, responsável por coordenar e monitorar o emprego das Forças Armadas durante as eleições. A estrutura manterá comunicação com os comandos militares mobilizados nas diferentes regiões do país.

Participam da operação os Comandos Conjuntos Amazônia, Amazônia Oriental, Nordeste, Planalto, Oeste e Leste, além do Comando de Operações Aeroespaciais (Comae).

Cada comando atua em sua área de responsabilidade, reunindo meios e profissionais das três Forças Armadas conforme as demandas apresentadas pela Justiça Eleitoral.

O Comando de Operações Aeroespaciais ficará responsável pela coordenação dos meios aéreos utilizados na missão. Essa atuação é especialmente relevante para os deslocamentos que dependem de aeronaves e helicópteros.

Como funciona a integração entre as instituições

A operação exige comunicação permanente entre a Justiça Eleitoral, os comandos militares e os órgãos de segurança pública. Uma necessidade identificada em determinada localidade precisa ser encaminhada aos responsáveis para que sejam definidos os recursos e as equipes adequados.

O Centro de Operações Conjuntas acompanha esse trabalho em escala nacional, enquanto os comandos regionais planejam e executam as atividades em seus respectivos territórios.

Essa divisão permite combinar uma visão geral da operação com o conhecimento das condições locais, especialmente em regiões que apresentam dificuldades de deslocamento ou necessidades específicas de segurança.

O planejamento integrado também evita que diferentes instituições atuem de maneira desconectada sobre o mesmo problema. A finalidade é organizar as respostas preservando as responsabilidades legais de cada órgão.

Segundo turno mobiliza estrutura menor que a do primeiro

A mobilização prevista para domingo será inferior à registrada no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Na ocasião, o planejamento envolveu 26,5 mil militares para atividades de segurança eleitoral e apoio logístico.

Para o segundo turno, o contingente informado é de 24,1 mil profissionais. A diferença representa aproximadamente 2,4 mil militares a menos em relação à mobilização anterior.

Essa redução ocorre em uma etapa eleitoral com distribuição territorial distinta, já que a votação depende das disputas que permanecem abertas após o primeiro turno.

A dimensão da operação continua expressiva, sobretudo pela necessidade de atender municípios espalhados por diferentes regiões do Brasil. Além do número de militares, a mobilização depende de equipamentos de transporte, comunicação e coordenação entre instituições.

O que a presença militar representa para o eleitor

Para quem mora em uma comunidade de difícil acesso, a participação das Forças Armadas pode fazer diferença antes mesmo da abertura das urnas. É preciso que os equipamentos cheguem, que as equipes eleitorais estejam presentes e que a seção tenha condições de funcionar.

Nas localidades que receberão reforço de segurança, a finalidade é permitir que a população vote em um ambiente protegido, sem interferências que comprometam o exercício desse direito.

A presença militar não altera as regras de votação nem substitui as autoridades eleitorais. Os procedimentos continuam sob responsabilidade da Justiça Eleitoral, cabendo às tropas executar as missões autorizadas.

O que a operação revela sobre o desafio de realizar eleições no Brasil

A organização de uma eleição nacional envolve muito mais do que preparar urnas e contar votos. Em um país com grandes distâncias, rios extensos, comunidades isoladas e realidades territoriais diferentes, garantir que cada eleitor tenha acesso à votação exige uma estrutura que nem sempre é visível para quem vive nos grandes centros.

As duas frentes da operação mostram necessidades distintas, mas igualmente importantes: proteger o processo eleitoral onde houver demanda de segurança e assegurar o transporte de pessoas e equipamentos onde o acesso é difícil.

O ponto central é que o direito ao voto precisa ser viável também para quem vive longe das estruturas urbanas e dos serviços de transporte mais acessíveis. A mobilização militar procura contribuir para essa condição sem modificar a responsabilidade civil da Justiça Eleitoral pela condução do pleito.

Quando essa estrutura funciona, o eleitor pode encontrar sua seção preparada e votar normalmente, mesmo em lugares onde organizar uma eleição exige atravessar rios, percorrer longas distâncias ou utilizar transporte aéreo.

Relacionadas, fontes e documentos:

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