Publicidade
InícioBrasilEconomiaGoverno remaneja R$ 5,16 bilhões e reforça BPC e SUS

Governo remaneja R$ 5,16 bilhões e reforça BPC e SUS

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

Cobertura relacionada

Receita controlada entra no digital

SNCR passa a permitir emissão eletrônica de notificações de receita e amplia controle digital de medicamentos sujeitos a retenção.

GDF fará acolhimento em dez pontos na terça 26/10

Operação do GDF começa às 9h desta terça-feira em dez endereços do DF, com assistência social, encaminhamento a abrigos e auxílio excepcional.

Bolsa Família paga NIS 2 e muda calendário até dezembro

Bolsa Família libera parcela para NIS final 2 nesta terça. Benefício médio é de R$ 782,92 e calendário seguirá concentrado até dezembro.

Restaurantes Comunitários do DF promovem educação alimentar

As 18 unidades dos restaurantes comunitários do DF realizaram atividades educativas sobre alimentação saudável, sustentabilidade e redução de desperdício.

Brasil voltará à urna em duelo apertado

Flávio liderou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula; decisão será em 25 de outubro.

GDF amplia acolhimento social e investe nas feiras do DF

Novas medidas do GDF incluem política para pessoas em situação de rua, ampliação do Centro Pop, apoio a mães atípicas e melhorias em feiras.
Publicidade

Crédito suplementar reforça assistência social e medicamentos do SUS sem ampliar o total do orçamento, porque os recursos vêm da anulação de outras dotações

Governo remaneja R$ 5,16 bilhões e destina maior parte ao BPC

O governo federal abriu um crédito suplementar de R$ 5,166 bilhões para reforçar despesas de diferentes órgãos do Executivo, com forte concentração na assistência social. A medida consta da Portaria GM/MPO nº 485, de 27 de outubro de 2026, e alcança os Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União.

Mais de 90% do valor será direcionado ao Fundo Nacional de Assistência Social. São aproximadamente R$ 4,726 bilhões destinados ao pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC) à pessoa com deficiência e da Renda Mensal Vitalícia (RMV) por invalidez.

A operação também reserva R$ 387,6 milhões para a assistência farmacêutica do Sistema Único de Saúde, além de valores menores para outras áreas da administração federal.

De onde vêm os R$ 5,16 bilhões?

A abertura do crédito não significa a criação de R$ 5,16 bilhões adicionais sobre o total já autorizado no Orçamento. O dinheiro será obtido principalmente pela anulação de dotações existentes, ou seja, recursos anteriormente reservados para determinadas despesas serão direcionados para outras finalidades.

Esse mecanismo é conhecido como crédito suplementar e serve para reforçar dotações que se mostraram insuficientes durante a execução do Orçamento.

Na prática, o governo reorganiza prioridades dentro do espaço orçamentário disponível. Para que determinados programas recebam mais recursos, outras dotações são total ou parcialmente canceladas.

Entre as fontes utilizadas estão recursos anteriormente destinados a subvenções econômicas de operações agropecuárias, transferências relacionadas ao setor energético, despesas de pessoal e diferentes ações de órgãos federais.

Também entram no remanejamento dotações de aposentadorias e pensões civis em instituições federais de ensino e hospitais universitários, além de verbas originalmente destinadas a benefícios previdenciários, assistência social, defesa e outras políticas públicas.

BPC concentra a maior parte do reforço

O principal destino do crédito é o pagamento de benefícios assistenciais. O BPC garante um salário mínimo mensal à pessoa idosa com 65 anos ou mais e à pessoa com deficiência que cumpra os critérios de renda e demais requisitos estabelecidos pela legislação.

Diferentemente de uma aposentadoria, o BPC é um benefício assistencial e não exige contribuição prévia ao INSS. Ele também não paga décimo terceiro salário nem gera pensão por morte.

Os R$ 4,726 bilhões previstos na portaria destinam-se ao BPC pago à pessoa com deficiência e à RMV por invalidez.

A dimensão do reforço mostra o peso dessas despesas dentro da Seguridade Social. Dos R$ 5,166 bilhões movimentados pela portaria, aproximadamente R$ 91 de cada R$ 100 serão destinados a essa finalidade.

SUS recebe R$ 387,6 milhões para medicamentos

A segunda maior destinação será para a assistência farmacêutica do SUS, com R$ 387,6 milhões. O valor será empregado tanto na aquisição e distribuição de medicamentos da atenção básica quanto no financiamento de medicamentos do componente especializado.

Os recursos serão distribuídos entre diferentes estados.

Entre os maiores reforços previstos estão R$ 66 milhões para São Paulo, R$ 56,9 milhões para o Paraná, R$ 48,2 milhões para o Rio Grande do Sul, R$ 30,4 milhões para Minas Gerais e R$ 26,4 milhões para Goiás.

Além dessas despesas, a portaria contempla outras ações federais, entre elas ensino profissional marítimo, projetos de desenvolvimento sustentável local, administração do Ministério da Agricultura e cumprimento de sentenças judiciais.

Principais destinos do crédito suplementar

Assistência social e saúde concentram praticamente todo o valor aberto pela medida. Entre as maiores dotações reforçadas estão:

  • BPC e RMV por invalidez: cerca de R$ 4,726 bilhões;
  • assistência farmacêutica do SUS: R$ 387,6 milhões;
  • ensino profissional marítimo: R$ 27,4 milhões;
  • administração do Ministério da Agricultura: R$ 10,9 milhões;
  • projetos de desenvolvimento sustentável local integrado: R$ 10,6 milhões;
  • sentenças judiciais da Nuclep: R$ 2,3 milhões;
  • preservação e acesso ao patrimônio cultural da saúde: R$ 653,3 mil;
  • auxílio-moradia no Ministério da Justiça: R$ 463 mil.

O que o remanejamento revela sobre a execução do Orçamento?

O crédito suplementar mostra que o Orçamento aprovado no início do exercício não permanece imóvel ao longo do ano. A execução revela necessidades que podem exigir reforço de determinadas despesas e redução de outras.

No caso desta portaria, a escolha é particularmente significativa porque a maior parte do dinheiro foi redirecionada para uma despesa de caráter social continuado, enquanto outra parcela relevante reforça o fornecimento de medicamentos pelo SUS.

Isso não significa, por si só, aumento da despesa global. Significa uma mudança na distribuição do dinheiro já autorizado.

Para o cidadão, a questão central é acompanhar não apenas quanto o governo abre em créditos suplementares, mas quais políticas ganham recursos, quais perdem dotações e quais efeitos essas escolhas produzem. É nesse movimento que o Orçamento deixa de ser apenas uma tabela de números e passa a revelar prioridades concretas da administração pública.

Relacionadas, fontes e documentos:

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.