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Uso excessivo de eletrônicos por crianças pode gerar problemas

Publicado em

Reportagem:
Camila Muguruza

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Celulares ligados, olhos atentos na telinha, crianças conectadas ao mundo virtual e a consequente calmaria dá aos pais alguns minutos e até horas de tranquilidade. Seja durante o jantar, em restaurantes ou mesmo em casa, não é difícil ver por aí crianças com smartphones nas mãos. O aparelho que muitas vezes não é utilizado para a comunicação, vira uma ferramenta de diversão. Aplicativos de jogos e vídeos voltados para o público infantil se tornaram grandes atrativos tanto para os pequenos, quanto para os pais, que recorrem aos artigos tecnológicos, na hora de acalmar os filhos.

E em tempos de pandemia, o home office se tornou uma alternativa para muitos setores. Para os pais que precisam se dividir entre o trabalho e a atenção aos filhos, os recursos eletrônicos podem ser uma forma de entreter as crianças por alguns minutos, porém é preciso cuidado e atenção para evitar o desencadeamento de problemas no desenvolvimento infantil, como a fala.

Os problemas na fala podem ser motivados por disfunções neurológicas, físicas ou emocionais. No caso do uso excessivo de artigos tecnológicos, a fonoaudióloga, Ana Cristina Altfuldisck, da Clifops (Clínica de Fonoaudiologia e Psicologia), explica que esse hábito pode ser um grande limitador no desenvolvimento da fala infantil, tendo em vista que as crianças utilizam o método de imitação da fala humana para compreender e desenvolver vocabulário.

“Os sons nessas mídias são muito competitivos, mesmo que seja um desenho educativo, entre o diálogo dos personagens existe um fundo musical. Então, fica muito confuso para que a criança diferencie isso. Nesse sentido, ela não consegue fazer uma cópia para a verbalização. Além disso, hoje em dia, as crianças recebem esses estímulos eletrônicos de forma muito prematura, e isso gera uma ansiedade, uma irritabilidade que faz com que a criança se expresse através do choro”, completa Ana.

Uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, revelou que em 2019 o país teve 430 milhões dispositivos digitais ativos, incluindo computadores, notebooks, celulares e tablets. Isso representa dois artigos eletrônicos por habitantes. Em destaque estão os smartphones: no total são 230 milhões aparelhos ativos no país

Impactos sociais

A Psicóloga Clínica, Flávia Lisbôa, que também atende na Clifops, conta que além do isolamento, a criança pode acabar tendo comportamentos agressivos e intolerantes. Segundo a especialista, o uso excessivo de aparelhos celulares pode resultar na ausência de concentração e atenção ocasionando a consequente queda do rendimento escolar.

“Alguns estudos mostram que crianças e adolescentes que passam muitas horas conectadas em jogos, aplicativos e redes sociais, não estão conseguindo identificar sentimentos como empatia, compaixão e outros aspectos de convivência em grupo”, completa a psicóloga.

Além do uso excessivo de artigos tecnológicos, outros fatores podem se tornar gatilhos na hora do desenvolvimento da fala. Entre eles estão: falta de estímulo, dificuldades auditivas, características genéticas ou determinadas patologias. Quando não tratados, esses problemas podem se tornar um inimigo e atrapalhar o desenvolvimento social de crianças e jovens.

Mas há alternativas. Neste momento, o apoio de profissionais pode ser um grande aliado para adaptar a rotina dos pais e das crianças, levando em conta a realidade de cada família. Como alternativa, as especialistas destacam atividades como desenho, pintura, modelagem de massinha, jogos de encaixe e leitura de livros.

E para garantir o atendimento e o suporte profissional aos seus pacientes, a Clínica Clifops adaptou as consultas para o meio online.

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