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Estudo aponta ilhas brasileiras como santuários de espécies únicas

Publicado em:

Reporter: Paulo Andrade

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Ilhas oceânicas brasileiras, como Fernando de Noronha, São Pedro e São Paulo e Trindade, podem vir a ser reconhecidas como alguns dos locais com a maior diversidade de espécies únicas do planeta. Um estudo publicado no Peer Community Journal destaca a presença massiva de espécies endêmicas nas ilhas brasileiras, o que as coloca no mesmo patamar de fama de Galápagos.

O estudo, liderado pelo pesquisador da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) Hudson Pinheiro, analisou mais de 7 mil espécies de peixes recifais em 87 ilhas. A pesquisa revelou que 40% das espécies estão presentes em mais de uma ilha da mesma região, mas não em áreas continentais, o que levou os pesquisadores a propor um novo conceito: Endemismo Provincial-Insular.

O que significa o novo conceito

O conceito de Endemismo Provincial-Insular busca dar mais visibilidade a ilhas que, apesar de compartilharem espécies únicas entre si, não eram consideradas centros de endemismo. Isso, segundo Pinheiro, pode atrair mais estudos e iniciativas de conservação para essas localidades. O pesquisador explica que a ciência tem tratado esse mesmo comportamento de forma desigual, subestimando a importância de ilhas como Fernando de Noronha.

Para ele, essa nova perspectiva sobre as espécies endêmicas nas ilhas é crucial para a compreensão dos processos evolutivos e para a descoberta de novas espécies. O cientista alerta que a dificuldade de acesso e estudo nessas ilhas oceânicas coloca em risco a possibilidade de espécies serem extintas antes mesmo de serem descobertas.

Ameaças e a importância da cooperação

As mudanças climáticas reforçam a urgência desses estudos. O aquecimento global pode fazer com que espécies em áreas continentais migrem para regiões mais frias. Nas ilhas oceânicas, essa migração não é possível, o que aumenta a vulnerabilidade da fauna e da flora locais.

O pesquisador Hudson Pinheiro enfatiza que o avanço das pesquisas nas ilhas brasileiras só foi possível com a colaboração de organizações como a Marinha do Brasil, o CNPq e a Fundação Grupo Boticário. A cooperação permitiu o apoio a expedições e a criação de infraestrutura, como a primeira estação de mergulho científico mesofótico da América Latina, que possibilita a coleta de dados a até 150 metros de profundidade.

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