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Estudo mostra que EJA aumenta renda

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Reportagem:
Repórter: Janaina Lemos

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A Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem impacto direto e positivo na renda, na formalização e na qualidade das ocupações de quem conclui essa etapa de ensino. É o que revela um estudo inédito encomendado pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Unesco, lançado nesta quarta-feira (10) durante o Seminário Nacional de Educação de Jovens e Adultos.

A pesquisa mostra que, além de possibilitar a conclusão do ensino fundamental e médio para quem não estudou na idade certa, a EJA também representa um caminho de ascensão econômica e social.

Renda maior para quem retorna aos estudos

Entre os principais resultados, o estudo aponta que:

  • Concluir turmas de alfabetização (AJA) eleva em até 23% a renda média de pessoas entre 46 e 60 anos;

  • Finalizar os anos finais do ensino fundamental pela EJA aumenta em 14,9% a renda de quem tem entre 26 e 35 anos;

  • Concluir o ensino médio pela EJA eleva em até 10% a renda média desse mesmo grupo etário.

Além da renda, a modalidade amplia a chance de inserção formal no mercado de trabalho. No caso do ensino médio, por exemplo, a probabilidade de ter um emprego com carteira assinada cresce 9,4 pontos percentuais, e a de ocupar vagas de qualidade – com jornada de até 44 horas semanais e pagamento de pelo menos um salário mínimo – aumenta 3,3 pontos percentuais.

Desigualdades e público potencial

O levantamento também identificou o perfil do público potencial da EJA e da AJA, considerando fatores como região, raça e se a pessoa vive em áreas urbanas ou rurais. O estudo lembra que milhões de brasileiros que estavam em idade escolar há duas décadas não concluíram a educação básica devido à exclusão educacional, compondo hoje a demanda reprimida por essas modalidades.

Em 2023, 35 em cada 100 jovens brasileiros não haviam concluído o ensino médio até os 20 anos, evidenciando a importância da EJA para corrigir esse déficit.

Impacto social e econômico

Para a autora do estudo, Fabiana de Felicio, os resultados reforçam que investir na EJA é estratégico não apenas para os indivíduos, mas também para o desenvolvimento econômico e social.

“O aumento da renda, da formalidade e da qualidade das ocupações melhora a qualidade de vida das pessoas e contribui para reduzir pobreza e desigualdade”, afirma.

O Pacto Nacional de Superação do Analfabetismo e Qualificação de Jovens e Adultos, lançado em 2023, prevê 3,3 milhões de novas matrículas na EJA em quatro anos, com investimento de R$ 4 bilhões.

Segundo dados do IBGE, ainda há 9,1 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não alfabetizados, o equivalente a 5,3% da população nessa faixa etária.

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