Atendimento no IML-DF ganha estrutura mais humana e tecnológica
O novo prédio do Instituto de Medicina Legal do Distrito Federal mudou a forma de atendimento a vítimas, familiares e pessoas sob custódia. Entregue em dezembro de 2024, o espaço recebeu investimento de R$ 47,8 milhões, tem 12 mil metros quadrados e ampliou a capacidade de perícias, acolhimento e análise técnica. A principal mudança prática é a separação dos fluxos de entrada, espera e atendimento, medida que reduz constrangimentos, aumenta a segurança e preserva vítimas em situação de maior vulnerabilidade.
Novo IML do DF corrige gargalo histórico da perícia
A nova sede funciona no complexo da Polícia Civil do Distrito Federal e é três vezes maior que o prédio anterior. A estrutura tem quatro pavimentos, incluindo subsolo, e foi projetada para atender a população por pelo menos 50 anos.
O prédio antigo havia sido concebido em um momento em que Brasília tinha população muito menor. Hoje, com cerca de 3 milhões de habitantes, a demanda por perícias exige estrutura compatível com a complexidade da capital. O novo espaço reorganiza setores, amplia laboratórios e permite atendimento mais adequado a quem procura o instituto em momentos de trauma, luto ou investigação criminal.
A mudança mais sensível está no fluxo de circulação. Antes, vítimas de violência, familiares e presos escoltados podiam dividir uma mesma recepção. Agora, usuários que não estão sob custódia entram por acesso separado, sem contato com custodiados. Em perícia, arquitetura também protege. Uma porta no lugar certo pode evitar uma segunda violência.
Atendimento a vítimas de violência sexual fica separado
A nova sede também criou um espaço exclusivo para atendimento a vítimas de crimes sexuais. Essas pessoas são direcionadas a um andar próprio, sem contato com o público geral. O objetivo é reduzir exposição, preservar a integridade emocional e permitir que a perícia ocorra em ambiente menos hostil.
A área conta com consultórios ginecológicos modernos, apoio psicológico e brinquedoteca para crianças. Há ainda modelos anatômicos de crochê, feitos por uma servidora, para explicar de forma lúdica e respeitosa como os exames serão realizados.
Esse cuidado importa porque o exame pericial, embora necessário para a investigação, pode ser vivido pela vítima como nova etapa de sofrimento. Quando o Estado organiza o atendimento para acolher sem espetacularizar, ouvir sem expor e examinar sem desumanizar, a prova técnica deixa de ser apenas procedimento. Ela se torna parte de uma resposta pública mais digna.
Laboratórios ampliam capacidade e reduzem tempo de resposta
O novo IML também representa avanço tecnológico. A sede reúne laboratórios de histopatologia, toxicologia e radiologia, além de setores como antropologia forense, ambulatório de perícias do vivo, sala de necrópsia, psiquiatria forense, sexologia forense, cartório, arquivos, celas e áreas para armazenamento de cadáveres.
Equipamentos novos ampliaram a capacidade de processamento de amostras. Em um dos aparelhos, o volume diário passou de 64 para 128 amostras. A estrutura também incorporou uso de inteligência artificial em parceria com o Instituto de Criminalística, especialmente em casos de violência sexual.
Segundo o diretor adjunto do IML-DF, Rony Augusto Silva Faria, a tecnologia consegue fazer em cerca de 20 minutos a leitura de lâminas para detecção de espermatozoides, com maior precisão. A redução do tempo de resposta pode ajudar autoridades policiais e judiciais a tomar decisões com mais rapidez, desde que a cadeia de custódia e a validação técnica sejam rigorosamente preservadas.
Perícia humanizada fortalece a investigação
O IML costuma ser associado quase exclusivamente a necropsias, mas a maior parte dos atendimentos é feita em pessoas vivas. Segundo a direção do instituto, são cerca de 50 mil a 55 mil exames em vivos por ano, contra aproximadamente 2 mil exames necroscópicos. Entram nessa rotina vítimas de acidentes de trânsito, agressões, violência doméstica e crimes sexuais.
Esse dado muda a percepção pública sobre o instituto. O IML não é apenas o lugar da morte. É também onde o Estado documenta lesões, preserva provas, registra violência e dá base técnica a investigações. O laudo pode influenciar uma medida protetiva, uma denúncia, uma absolvição ou uma condenação.
A modernização, portanto, precisa ser lida em duas frentes. A primeira é humana: menos exposição, menos constrangimento e mais acolhimento. A segunda é institucional: perícias mais rápidas, laboratórios mais capazes e prova técnica mais robusta. Quando essas duas frentes caminham juntas, o sistema de Justiça respira melhor. E, convenhamos, ele anda precisando de ar limpo há muito tempo.
Tecnologia deve vir acompanhada de controle
A adoção de inteligência artificial na perícia pode acelerar exames e apoiar profissionais, mas não substitui responsabilidade técnica, supervisão humana e validação científica. Em uma área em que o “sim” e o “não” de um laudo podem influenciar a liberdade de uma pessoa, precisão não é luxo. É obrigação.
O novo prédio dá ao IML-DF uma estrutura mais compatível com a demanda atual. O teste permanente será manter equipes qualificadas, equipamentos funcionando, protocolos atualizados e atendimento respeitoso. Obra pública só se completa quando o serviço melhora de forma contínua para quem precisa dele.
Fontes e documentos:
– App do Metrô ajuda a recuperar objetos perdidos (Fonte em Foco)
– Projeto Luar reduz dor em recém-nascidos no DF (Fonte em Foco)
– Brasília lidera ranking de segurança contra crimes letais (Fonte em Foco)
– Policlínica da PCDF terá obra de R$ 34,8 milhões (Fonte em Foco)
– Nova sede do IML do Distrito Federal é referência em tecnologia e atendimento humanizado na América Latina (Agência Brasília)

