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Sinais de AVC: saiba reconhecer e quando ligar 192

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Fraqueza de um lado do corpo, alteração na fala, boca torta, perda súbita da visão e desequilíbrio exigem atendimento imediato; orientação é ligar para o Samu no 192

AVC: reconhecer os sinais e buscar ajuda rápido pode reduzir sequelas

Uma dor de cabeça muito forte foi o primeiro sinal de que o Dia das Mães de Ruth da Silva Cavalcante, de 68 anos, não terminaria como havia começado. Depois do almoço, ela descansava no sofá quando, ao tentar se levantar, percebeu dormência intensa nas pernas, nos braços e em metade do rosto.

Ruth chamou uma ambulância. Durante o atendimento, a equipe identificou pressão arterial muito elevada e suspeitou de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ela foi encaminhada ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), onde recebeu atendimento de emergência.

Hoje, recuperada daquela fase mais crítica, Ruth continua sendo acompanhada pelas equipes de Neurologia e Endocrinologia. A experiência ajuda a traduzir uma orientação essencial diante do AVC: reconhecer os sintomas e agir rapidamente pode ampliar as possibilidades de tratamento e reduzir o risco de sequelas.

Quais são os principais sinais de AVC?

O AVC costuma provocar alterações súbitas, e qualquer um dos sinais de alerta deve ser tratado como emergência.

Entre os sintomas que exigem atenção estão:

  • fraqueza ou dormência repentina, principalmente em um lado do rosto, braço ou perna;
  • boca torta ou dificuldade para movimentar um lado do rosto;
  • dificuldade repentina para falar ou compreender o que outra pessoa diz;
  • perda ou alteração súbita da visão;
  • tontura, perda de equilíbrio ou dificuldade para caminhar;
  • dor de cabeça muito forte, súbita e sem causa aparente.

Não é necessário que todos os sintomas apareçam juntos. Uma alteração neurológica de início repentino já pode justificar a suspeita e a necessidade de atendimento urgente.

O Ministério da Saúde orienta que, diante desses sinais, o paciente seja levado imediatamente para avaliação ou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência seja acionado pelo número 192.

Mesmo se o sintoma desaparecer, é preciso procurar atendimento

Esperar para descobrir se a pessoa vai melhorar é uma das decisões que podem custar tempo precioso. Alguns sintomas podem desaparecer depois de poucos minutos, mas isso não elimina a necessidade de avaliação médica.

Alterações neurológicas transitórias também podem representar um sinal de alerta e precisam ser investigadas.

A orientação é simples: não esperar, não tentar diagnosticar em casa e não administrar medicamentos por conta própria. Enquanto o socorro não chega, também não é recomendado oferecer alimentos ou líquidos à pessoa com suspeita de AVC.

Outro cuidado importante é anotar o horário em que os sintomas começaram ou o último momento em que a pessoa foi vista sem alterações. Essa informação ajuda a equipe médica a avaliar quais possibilidades de tratamento podem ser utilizadas.

Por que cada minuto importa?

O AVC acontece quando a circulação de sangue para uma parte do cérebro é interrompida.

No AVC isquêmico, um vaso fica obstruído. No AVC hemorrágico, ocorre o rompimento de um vaso e sangramento cerebral.

Nos dois casos, células do cérebro podem sofrer danos à medida que o tempo passa sem tratamento.

A neurologista Letícia Rebello, do Hospital de Base, resume essa urgência com uma expressão usada no atendimento especializado: “tempo é cérebro”. Segundo ela, durante um AVC podem ser perdidos cerca de dois milhões de neurônios a cada minuto.

Hospital de Base abriu 182 protocolos por suspeita de AVC

Quando um paciente chega ao Hospital de Base com sintomas compatíveis, a equipe pode ativar um protocolo específico para acelerar a avaliação.

Depois da triagem e do exame médico, a tomografia ajuda a identificar qual tipo de AVC ocorreu e orienta os próximos passos. O tratamento dependerá das características de cada caso e pode envolver medicamentos, procedimentos e, em algumas situações, cirurgia.

Entre janeiro e agosto de 2026, o HBDF abriu 182 protocolos para pacientes com suspeita de AVC. Agosto teve o maior número mensal do período, com 32 acionamentos.

Em julho, o hospital também manteve o selo diamante da Iniciativa Angels pelo quarto ciclo consecutivo. O reconhecimento considera indicadores relacionados à velocidade do atendimento e às práticas adotadas na assistência aos pacientes com AVC.

Prevenir também significa controlar os fatores de risco

A urgência começa quando surgem os sintomas, mas a prevenção começa muito antes.

Pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, excesso de peso e consumo excessivo de álcool estão entre os fatores associados ao aumento do risco de AVC.

A hipertensão merece atenção especial porque pode permanecer por muito tempo sem sintomas perceptíveis.

Acompanhamento médico, controle das condições já diagnosticadas, atividade física e abandono do cigarro ajudam a reduzir o risco.

Suspeita de AVC: o que fazer

Se houver suspeita, trate a situação como emergência:

  • ligue para o Samu no 192 e informe os sintomas;
  • anote quando os sinais começaram ou quando a pessoa foi vista bem pela última vez;
  • não espere para verificar se haverá melhora;
  • não ofereça medicamentos por conta própria;
  • não dê comida ou líquidos;
  • siga as orientações da equipe de emergência.

Reconhecer os sintomas transforma quem está por perto em parte da resposta

O primeiro atendimento de um AVC muitas vezes começa antes da chegada ao hospital. Ele começa quando alguém percebe que um sorriso ficou assimétrico, que um braço perdeu força ou que uma fala antes normal se tornou repentinamente confusa.

É por isso que informação sobre os sinais não interessa apenas a quem possui fatores de risco. Familiares, colegas de trabalho, vizinhos e qualquer pessoa que esteja por perto podem ser os primeiros a reconhecer que algo está errado.

O caso de Ruth mostra a importância dessa sequência: perceber a alteração, pedir ajuda e chegar rapidamente a uma estrutura capaz de investigar e tratar o quadro.

Em uma suspeita de AVC, não é preciso saber qual tipo ocorreu nem tentar descobrir a causa. A decisão mais importante é não perder tempo.

Fontes e Documentos:

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