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Tornado no Paraná é alerta de ‘urgência’ para líderes da COP30

Publicado em

Reportagem:
Reporter: Paulo Andrade

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O tornado de categoria F3 que devastou 90% de Rio Bonito do Iguaçu (PR) e deixou centenas de feridos na sexta-feira (7) deve servir como um alerta de “desespero e urgência” para as autoridades reunidas na Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP30). A avaliação é de Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, principal rede da sociedade civil brasileira focada em mudanças climáticas.

Astrini criticou o que chamou de “impermeabilidade” das conferências climáticas diante do mundo real. Ele lembrou que o desastre no Paraná é mais uma repetição de eventos extremos que têm atingido o Brasil e o mundo, citando Amazonas, Rio Grande do Sul e Bahia.

“Os últimos dez anos foram os dez anos mais quentes da história. Tudo isso deveria entrar para dentro da Conferência do Clima, mas, muitas vezes, o que a gente vê é que a reunião fica impermeável ao mundo real,” destacou Astrini.

Embora tornados não sejam causados apenas pelas mudanças climáticas, a ciência aponta que o desequilíbrio climático contribui para que esses fenômenos se tornem mais frequentes e intensos.

A oceanógrafa Renata Nagai (USP) explica que o aumento de gases de efeito estufa adiciona mais energia à atmosfera e aos oceanos, gerando maior aquecimento e umidade. “Mais calor e mais umidade servem quase como um combustível para esses eventos meteorológicos extremos,” detalhou.

O professor e pesquisador Michel Mahiques (USP) corroborou, afirmando que a intensificação das diferenças de pressão causadas pelo aquecimento aumenta a possibilidade de ocorrência de fenômenos como o tornado no Paraná.

Astrini espera que o evento de Rio Bonito do Iguaçu seja citado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura oficial da COP30, nesta segunda-feira (10). Ele ressaltou a vulnerabilidade do Brasil, cuja agricultura e geração de energia dependem diretamente da regularidade climática.

O apelo da sociedade civil é para que a “realidade agonizante” do planeta sensibilize os líderes globais para além dos discursos, traduzindo compromissos em ações imediatas para a estabilidade climática.

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