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Urna eletrônica tem cerca de 40 etapas de controle

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Testes públicos, inspeção dos programas e auditorias no dia da votação permitem verificar como os votos são registrados e somados

A pouco mais de dois meses das Eleições 2026, o sistema eletrônico de votação entra na fase final de preparação submetido a cerca de 40 etapas de fiscalização. Os controles incluem análise dos códigos-fonte, testes de segurança, conferência dos programas instalados, lacração dos sistemas e auditorias realizadas durante e depois da votação.

O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. Se necessário, o segundo ocorrerá no dia 25 do mesmo mês. A urna eletrônica completa 30 anos de uso no país sem registro público de fraude comprovada na captação ou na destinação dos votos.

Urna eletrônica pode ser fiscalizada antes e depois do voto

A fiscalização não se limita ao equipamento utilizado na seção eleitoral. Ela alcança os programas de geração de mídias, votação, transmissão dos arquivos e totalização dos resultados.

A legislação permite que entidades habilitadas acompanhem o desenvolvimento dos sistemas a partir de 12 meses antes do primeiro turno. Nas Eleições 2026, os códigos-fonte foram disponibilizados para inspeção em outubro de 2025.

O acesso ocorre em ambiente supervisionado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Partidos, federações, Ministério Público, Defensoria Pública, Congresso Nacional, Polícia Federal, Tribunal de Contas da União (TCU), Conselho Nacional de Justiça (CNJ), universidades e organizações credenciadas estão entre as instituições autorizadas a participar.

Essas entidades também podem desenvolver programas próprios para verificar a autenticidade dos sistemas, acompanhar a preparação das urnas e solicitar arquivos produzidos durante a votação e a totalização.

Entre os dados disponíveis estão registros de funcionamento, arquivos dos boletins de urna, informações sobre equipamentos substituídos e o Registro Digital do Voto. Depois da totalização, os resultados podem ser confrontados com os boletins impressos em cada seção.

Teste Público de Segurança busca falhas antes da eleição

Uma das principais etapas é o Teste Público de Segurança (TPS), realizado antes de cada eleição ordinária, preferencialmente no ano anterior ao pleito.

Brasileiros com mais de 18 anos podem apresentar planos de ataque aos sistemas eleitorais. Não é obrigatório ter formação em tecnologia, embora pesquisadores, profissionais especializados e grupos universitários concentrem boa parte das participações.

Os testes ocorrem em ambiente controlado. Quando um plano identifica uma falha ou ponto de melhoria, a equipe técnica implementa as alterações consideradas necessárias. Os mesmos investigadores retornam posteriormente para repetir os procedimentos e verificar se o problema foi corrigido.

A oitava edição do TPS ocorreu em dezembro de 2025. O teste de confirmação das correções foi realizado entre 13 e 15 de maio de 2026. O calendário eleitoral determina ainda que o TSE publique em 31 de julho o conjunto de documentos e as conclusões da comissão avaliadora.

A existência de fragilidades encontradas em testes controlados não equivale, por si só, à comprovação de fraude eleitoral. O objetivo do procedimento é justamente descobrir vulnerabilidades antes que os sistemas sejam utilizados em uma votação oficial.

Código-fonte permanece disponível até a lacração

O código-fonte reúne as instruções que determinam como cada programa deve funcionar. Sua inspeção permite verificar se o sistema executa as operações previstas na legislação e identificar mudanças feitas desde a eleição anterior.

Em junho, técnicos da Sociedade Brasileira de Computação examinaram os sistemas e o funcionamento interno da urna. Senado, partidos políticos e outras organizações também realizaram inspeções durante o atual ciclo eleitoral.

O acesso permanece disponível até a compilação dos sistemas. Depois disso, os programas passam pela cerimônia pública de assinatura digital e lacração. Esse procedimento define as versões autorizadas para utilização no pleito e permite conferir posteriormente se os mesmos arquivos foram instalados nos equipamentos.

No dia da eleição, os tribunais regionais realizarão testes de integridade por amostragem em todas as unidades da Federação. Parte dos procedimentos ocorrerá em ambiente controlado e outra parte utilizará a biometria de eleitores voluntários em locais próximos às seções.

Negativa de vistos amplia disputa diplomática sobre as urnas

A segurança do sistema também passou a ocupar o centro de uma divergência entre os governos brasileiro e norte-americano.

O Ministério das Relações Exteriores confirmou que negou vistos ao subsecretário de Estado dos Estados Unidos Riley Barnes e ao subsecretário adjunto Samuel Samson. Os pedidos foram apresentados em 20 de julho e rejeitados no dia 24.

O Itamaraty não informou publicamente a justificativa da decisão. Autoridades brasileiras ouvidas sob condição de anonimato afirmaram que havia preocupação com uma possível tentativa de desacreditar o sistema eleitoral ou influenciar o debate político brasileiro.

O Departamento de Estado rejeitou essa versão. O órgão afirmou que a visita seria uma missão de rotina, com reuniões sobre integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.

Em paralelo à controvérsia, o TSE programou para 17 de agosto uma nova reunião com embaixadores, representantes diplomáticos e organismos internacionais. O encontro deverá apresentar o funcionamento das urnas e os mecanismos de fiscalização adotados no país.

Transparência depende do uso efetivo dos mecanismos de controle

A possibilidade de fiscalização é uma camada essencial de segurança, mas não encerra o debate. A credibilidade também depende da participação efetiva das entidades habilitadas, da divulgação dos relatórios técnicos e da apresentação clara das falhas encontradas e das correções implementadas.

O modelo prevê controles distribuídos ao longo de todo o processo: desenvolvimento, preparação, votação, transmissão e totalização. Isso permite que eventuais questionamentos sejam confrontados com registros técnicos, boletins de urna e auditorias documentadas — não apenas com declarações políticas.

A disputa diplomática aumenta a responsabilidade institucional de apresentar evidências verificáveis. Para o eleitor, o ponto central não é aceitar o sistema por confiança automática, mas ter acesso a procedimentos capazes de demonstrar, etapa por etapa, se o voto registrado foi corretamente contabilizado.

Relacionadas, fontes e documentos:

Moraes cobra defesa sobre vídeo de IA de Bolsonaro (Fonte em Foco)
Eleições 2026 têm convenções a partir de 20 de julho (Fonte em Foco)
Roraima vota para governador em eleição suplementar (Fonte em Foco)
Convenções partidárias abrem disputa eleitoral de 2026 (Fonte em Foco)
– Entrevista sobre fiscalização da urna eletrônica (Tribunal Superior Eleitoral)
– Resolução TSE nº 23.673/2021 — fiscalização e auditoria (Tribunal Superior Eleitoral)
– Resolução TSE nº 23.758/2026 — alterações nas auditorias (Tribunal Superior Eleitoral)

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