Visita reforça cooperação internacional e meta contra hepatite B
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o Sistema Único de Saúde é exemplo para outros países por garantir cobertura universal a uma população de mais de 200 milhões de pessoas. A declaração foi feita durante visita ao Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro.
A agenda reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, autoridades estaduais e municipais. Além do reconhecimento ao sistema público brasileiro, o encontro marcou a entrega do dossiê que inicia o processo de certificação internacional para eliminar a transmissão vertical da hepatite B como problema de saúde pública no país.
A entrega do documento não representa certificação concluída. O material será analisado conforme critérios internacionais de vigilância, prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento de gestantes e crianças expostas ao vírus.
SUS universal foi destacado pela OMS
Tedros afirmou que poucos países mantêm um sistema público com cobertura integral de toda a população. Segundo ele, o SUS assegura acesso a pessoas que não poderiam custear serviços de saúde privados.
“O SUS é um dos raríssimos sistemas de saúde no mundo que cobre toda a população”, declarou o diretor-geral da OMS.
A avaliação ocorre em um momento em que o Brasil busca ampliar sua participação na agenda internacional de saúde. Tedros citou a cooperação histórica entre a OMS e a Fundação Oswaldo Cruz, além da atuação brasileira nas negociações do acordo global sobre pandemias aprovado neste ano.
O presidente Lula afirmou que a recuperação dos hospitais federais do Rio pretende transformar as unidades em centros de excelência. A declaração expressa uma meta de gestão e dependerá de investimentos, reorganização dos serviços, contratação de profissionais e resultados assistenciais ao longo do tempo.
Dossiê abre caminho para certificação sobre hepatite B
A transmissão vertical ocorre quando a infecção passa da gestante para o bebê durante a gestação, o parto ou o período próximo ao nascimento. No caso da hepatite B, a prevenção envolve testagem no pré-natal, acompanhamento da gestante, vacinação do recém-nascido e, quando indicado, imunoglobulina e tratamento.
A iniciativa da OMS para eliminação da transmissão vertical integra HIV, sífilis e hepatite B. O objetivo é fortalecer ações coordenadas de saúde materna e infantil, em vez de tratar cada infecção de forma isolada.
O Brasil já recebeu, em 2025, validação da OMS pela eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública. Para hepatite B, o país está em etapa distinta: o dossiê apresentado será submetido à avaliação técnica internacional.
Anúncios sobre câncer e estrutura do SUS ainda dependem de execução
Padilha afirmou que o governo pretende consolidar no Brasil a maior rede pública universal de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer do mundo. O ministro citou a expansão de centros de radioterapia, do Brasil Sorridente, da cirurgia robótica, do transporte sanitário e da atenção básica.
As iniciativas podem ampliar a capacidade de atendimento, mas a efetividade dependerá de fatores como financiamento, distribuição regional dos serviços, formação de equipes, tempo de espera para diagnóstico e continuidade do tratamento.
A presença da OMS no Andaraí deu visibilidade internacional a essas metas. Para os usuários do SUS, o indicador decisivo continuará sendo o acesso oportuno e de qualidade aos serviços, especialmente em áreas com filas, vazios assistenciais e desigualdade territorial.
Reconhecimento internacioal não substitui avaliação dos serviços
O elogio ao caráter universal do SUS destaca uma das principais características do sistema brasileiro: o atendimento é um direito de toda a população, independentemente de renda ou vínculo empregatício.
O desafio é transformar essa cobertura formal em acesso efetivo. A certificação sobre hepatite B, se alcançada, poderá demonstrar resultados concretos de uma rede que articula vacinação, pré-natal, maternidades, vigilância e acompanhamento infantil.
Relacionadas, fontes e documentos:
– Anvisa aprova Datroway para câncer de pulmão avançado (Fonte em Foco)
– Ampliados tratamentos pediátricos para lúpus e esclerose múltipla (Fonte em Foco)
– Fiocruz conclui tecnologia para produzir remédio contra HIV (Fonte em Foco)
– Cesáreas no Brasil expõem barreiras à escolha materna (Fonte em Foco)
– Anvisa atualiza regras para vacinas contra covid (Fonte em Foco)
– Iniciativa da OMS para eliminação da transmissão vertical (OMS)
– Protocolo de prevenção da transmissão vertical (Ministério da Saúde)
– Validação da eliminação da transmissão vertical do HIV no Brasil (OMS)

