Publicidade
InícioVida & DesenvolvimentoEducaçãoUso de IA por alunos e professores avança sem orientação

Uso de IA por alunos e professores avança sem orientação

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Janaina Lemos

Cobertura relacionada

Consulta sobre cursos técnicos termina nesta quarta

MEC recebe até esta quarta contribuições para atualizar 197 cursos técnicos em 13 eixos do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos.

PEC da Segurança vai à CCJ com texto da Câmara mantido

PEC Segurança entra na pauta da CCJ do Senado com texto da Câmara preservado e mudanças no pacto federativo. Entenda os principais pontos.

DNA para identificação de pessoas desaparecidas

Familiares de pessoas desaparecidas poderão fornecer material genético no Instituto de Pesquisa de DNA Forense do Distrito Federal entre 24 e 28 de agosto. A coleta integra uma mobilização nacional e permite comparar os perfis com registros de pessoas vivas e falecidas ainda não identificadas.

Câmara aprova penas mais duras para crimes sexuais

Crimes sexuais podem ter penas maiores após aprovação de projeto na Câmara. Texto ainda será analisado pelo Senado.

INSS libera R$ 2,3 bi em atrasados para 152 mil segurados

Conselho da Justiça Federal (CJF) libera R$ 2,3 bilhões em atrasados do INSS para 152 mil segurados que venceram ações na Justiça.

MGI orienta verificação em duas etapas no Gov.br

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços...
Publicidade

Um estudo qualitativo do Cetic.br, vinculado ao NIC.br, mostra que a inteligência artificial já virou parte do cotidiano escolar no Brasil — mas de um jeito acelerado, espontâneo e sem qualquer tipo de mediação. A pesquisa “Inteligência Artificial na Educação: usos, oportunidades e riscos no cenário brasileiro”, feita com estudantes e professores do ensino médio de escolas públicas e privadas de São Paulo e Pernambuco, revela um cenário de uso intenso, porém pouco orientado.

O levantamento, divulgado nesta terça-feira (25) no seminário INOVA IA 2025, confirma o que a pesquisa TIC Educação já havia apontado em setembro: 70% dos alunos do ensino médio — algo em torno de 5,2 milhões de estudantes — e 58% dos professores utilizam ferramentas de IA generativa em atividades escolares.

Segundo a coordenadora da pesquisa, Graziela Castello, o uso pelos jovens é amplo e, muitas vezes, sem filtros. “É um uso quase selvagem”, afirmou. Os alunos recorrem à tecnologia para praticamente tudo: pesquisar termos, fazer resumos, resolver tarefas completas, criar lembretes, buscar receitas e até para apoio emocional. “Eles falam bastante que usam como terapeuta ou conselheiro”, contou Graziela.

O trabalho de campo foi realizado entre junho e agosto de 2025.

Professores usam, mas também às cegas
Os docentes também fazem uso intenso da IA para preparar aulas e desenvolver atividades pedagógicas. O ponto comum entre estudantes e professores, segundo a pesquisa, é a ausência de orientação institucional. Não há regras, supervisão, protocolos ou diretrizes sobre como usar as ferramentas.

Eles querem informação, querem saber como usar de forma ética e segura”, disse Graziela. Apesar do entusiasmo, há receio em relação aos riscos.

Medos e riscos percebidos
O estudo mostra que, apesar da familiaridade com a tecnologia, os estudantes têm medo de desaprender, perder a capacidade de criar e ficar dependentes das ferramentas. Temem ainda perder identidade em um processo excessivamente padronizado.

“Eles sabem da potência da IA, mas também dos riscos. O medo de ‘emburrecer’ apareceu muito”, relatou a coordenadora.

Os professores compartilham dessa preocupação. Muitos relatam dificuldade em mediar o uso da IA, afirmando que os alunos têm piorado em redação, linguagem e autonomia criativa. O uso emocional da tecnologia, cada vez mais comum, também preocupa.

Potencial pedagógico existe — mas falta direção
Educadores reconhecem que a IA pode reduzir tarefas repetitivas e ajudar a personalizar atividades para diferentes perfis de estudantes. Há potencial, por exemplo, para apoiar alunos com deficiência ou com níveis distintos de aprendizado. Mas tudo isso, hoje, ainda ocorre de forma experimental e improvisada.

“Os professores se sentem sobrecarregados e perguntam quem deveria orientar esse processo”, afirma Graziela.

Desigualdades aprofundadas
O estudo também aponta diferenças marcantes entre redes pública e privada. O problema é antigo: a desigualdade de infraestrutura digital.

Alunos de escolas privadas, com computador em casa e internet mais estável, conseguem explorar melhor as ferramentas. Já os estudantes que dependem só do celular enfrentam limitações práticas — um cenário que, segundo a pesquisa, tende a ampliar ainda mais as desigualdades já existentes.

Ferramentas pagas também geram uma camada adicional de desigualdade, já que oferecem resultados mais robustos.

Letramento digital e regulação urgente
Para o Cetic.br, o país precisa acelerar a criação de protocolos, regras e políticas públicas para orientar o uso da IA na educação. A primeira etapa, segundo a pesquisa, deve ser o letramento digital: explicar o que as ferramentas fazem, como funcionam e quem controla os dados utilizados.

Entre as preocupações está a falta de tecnologias adaptadas ao contexto nacional. “Precisamos saber se esses sistemas representam o Brasil ou se estamos apenas importando dados de outros países”, destacou Graziela.

Há ainda o desafio de ensinar estudantes a checar informações, identificar vieses e desenvolver pensamento crítico — cuidado essencial em uma tecnologia que pode reproduzir erros, estereótipos e desinformação.

A coordenadora resume o desafio: “A IA entrou chutando a porta, e agora precisamos trocar a roda com o carro andando”.

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.