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CNBB alerta para retrocessos éticos e riscos à democracia

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Paulo Andrade

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou “grave preocupação” com retrocessos no campo da ética pública, do cuidado com os pobres e da convivência democrática no país. A avaliação consta da Carta de Ano-Novo, divulgada na última segunda-feira (29), que faz um balanço crítico de 2025 e projeta desafios para 2026.

Na leitura da entidade, o último ano foi marcado por “profundas tensões e retrocessos sociais”, que deixaram marcas no tecido social e fragilizaram a confiança nas instituições. Para os bispos, a democracia brasileira atravessou um período de desgaste que exige atenção permanente.

A CNBB define a democracia como “patrimônio do povo brasileiro”, que precisa ser cuidada por meio do diálogo, do respeito às instituições e dos freios e contrapesos. Embora reconheça suas imperfeições, a entidade afirma que o regime democrático segue sendo o espaço onde justiça e verdade podem prosperar, desde que preservado.

Ética pública sob pressão

No balanço de 2025, a Igreja aponta que a convivência democrática foi impactada por interesses econômicos e disputas de poder, que enfraqueceram mecanismos de controle e fiscalização. Entre os principais pontos de preocupação listados no documento estão a perda de decoro de autoridades, com menção direta ao Congresso Nacional, o enfraquecimento da ética e o avanço da corrupção na vida pública.

O texto também critica a flexibilização de marcos legais, como mudanças na Lei da Ficha Limpa e na Lei Geral do Licenciamento Ambiental, além de alertar para ameaças à proteção ambiental e aos povos originários e tradicionais, especialmente após a aprovação do marco temporal no Congresso.

Outros temas citados incluem o aumento da violência e da intolerância, com destaque para o crescimento do feminicídio, o impacto do pagamento de juros e amortizações da dívida pública sobre a capacidade de investimento do Estado, a persistência da desigualdade social e o avanço do uso de drogas e de economias ilícitas.

Avanços reconhecidos em 2025

Apesar das críticas, a CNBB reconhece conquistas relevantes ao longo do ano. No campo social, os bispos destacam o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), com aumento da proporção de médicos por habitante. Na economia, mencionam a queda do desemprego, a estabilidade da inflação e o crescimento do PIB.

A carta também valoriza a retirada de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e a abertura de novos mercados internacionais, negociadas pelo governo federal. No eixo ambiental, a entidade ressalta o protagonismo do Brasil em energias renováveis e a realização da COP30, em Belém, como sinais de compromisso com o enfrentamento da crise climática.

Os bispos citam ainda como experiências positivas a taxação de grandes fortunas e a mobilização popular em torno da redução da jornada de trabalho, com a discussão da escala 6×1 por meio de plebiscito popular.

Valores cristãos e defesa da vida

A mensagem reafirma a posição histórica da Igreja Católica contra qualquer iniciativa de legalização do aborto, defendendo a sacralidade da vida desde a concepção até o fim natural. Ao mesmo tempo, amplia o conceito de defesa da vida ao associá-lo ao combate à fome, à miséria e à desigualdade.

Para a CNBB, promover a vida significa criar condições para que todos tenham dignidade e oportunidades reais. O texto se encerra com referências a dom Helder Câmara e à poesia de Thiago de Mello, destacando a esperança como força transformadora para 2026, mesmo diante de um cenário adverso.

A carta é assinada pelo presidente da CNBB, dom Jaime Cardeal Spengler, pelo 1º vice-presidente dom João Justino de Medeiros Silva, pelo 2º vice-presidente dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa e pelo secretário-geral dom Ricardo Hoepers.

O que é a CNBB

Fundada em 1952, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil coordena a ação pastoral da Igreja Católica e atua na promoção do bem comum e da justiça social. Além do campo religioso, a entidade tem presença ativa no debate público, especialmente em temas ligados a direitos humanos, ética e política, com destaque para as Campanhas da Fraternidade realizadas durante a Quaresma.

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