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Celina cria Parque Distrital da Serrinha no Lago Norte

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Novo parque no Lago Norte terá 65,9 hectares e área de amortecimento

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, autorizou a criação do Parque Distrital da Serrinha, no Lago Norte, em medida formalizada por decreto e divulgada pelo governo nesta terça-feira, 7 de abril de 2026. A nova unidade de conservação foi apresentada como instrumento para proteger ecossistemas naturais, ordenar o uso da área e reforçar a segurança hídrica da região.

Segundo a divulgação oficial, a área escolhida concentra mais de 60% das nascentes mapeadas da região e conecta duas importantes unidades hidrográficas do DF: Lago Paranoá e Santa Maria/Torto. Na fala reproduzida pelo governo, Celina Leão afirmou que a criação do parque preserva diretamente os córregos Jerivá e Urubu, apontados como estratégicos para o abastecimento e para o equilíbrio ambiental.

Área protegida mira água, cerrado e contenção da pressão urbana

O novo parque terá 65,91 hectares e foi criado para preservar recursos ambientais de relevância ecológica e paisagística, além de permitir atividades como pesquisa científica, educação ambiental, turismo ecológico e recreação em contato com a natureza. A unidade inclui áreas consideradas sensíveis para a conservação hídrica, como a cachoeira do córrego Urubu e sua piscina natural, além de trechos de vegetação nativa do cerrado com formações campestres, savânicas e florestais.

O decreto também prevê uma zona de amortecimento com mais de 600 hectares, destinada a reduzir impactos ambientais no entorno do parque e a disciplinar o uso do solo em áreas próximas, especialmente em uma região submetida a crescimento urbano. Esse é um ponto relevante porque a Serrinha virou área de disputa política e territorial nos últimos meses, justamente pela pressão sobre imóveis públicos e pela expansão urbana no entorno.

Conectividade ecológica entra no centro da medida

Outro objetivo declarado é garantir a conectividade ecológica entre áreas protegidas do Distrito Federal, incluindo o Parque Nacional de Brasília, além de parques ecológicos e áreas de relevante interesse ambiental na região do Lago Norte. Em tese, isso ajuda a evitar que a nova unidade funcione como uma “ilha verde” cercada por ocupação e fragmentação ambiental, problema recorrente quando a proteção legal chega tarde e o concreto já chegou cedo.

Brasília Ambiental terá até dois anos para o plano de manejo

A gestão do parque ficará a cargo do Brasília Ambiental, que deverá elaborar o plano de manejo em até dois anos, com participação da comunidade local. O decreto também estabelece diretrizes para recuperação de áreas degradadas, proteção da fauna e incentivo a atividades de uso sustentável, como trilhas, ciclismo e ações de educação ambiental.

Criação do parque tem também peso político recente

A Serrinha do Paranoá entrou no centro do debate público depois de parte da área ter aparecido em discussões sobre imóveis públicos que poderiam ser usados pelo governo em meio à crise do BRB. Em 1º de abril, a Agência Brasil noticiou que o governo prometia criar um parque ecológico na região ao mesmo tempo em que retirava parte da área de um plano de garantias relacionado ao banco estatal. A criação agora formalizada dá materialidade a essa promessa e reposiciona a área como ativo ambiental protegido, não apenas como ativo patrimonial em disputa.

O que muda na prática

A criação do parque amplia a proteção formal de uma área ambientalmente sensível em uma região de forte pressão imobiliária e urbana. Isso não resolve sozinho os conflitos de uso do solo nem elimina disputas futuras, mas cria uma moldura jurídica e territorial mais robusta para defesa das nascentes, da vegetação nativa e da conectividade ecológica do Lago Norte. Em política ambiental, às vezes o decreto é só o começo; mas, sem ele, o resto costuma virar lote antes de virar política pública.

Fontes e documentos:

GDF cria Parque Distrital da Serrinha e reforça proteção ambiental no Lago Norte (Agência Brasília)
– Arquivo Público do Distrito Federal com referência à edição extra de 7 de abril de 2026 (Arquivo Público do DF)
– DF tira parte da área da Serrinha do Paranoá de plano para salvar BRB (Agência Brasil)

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