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PF prende ex-presidente do BRB em nova fase da operação

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Marta Borges

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Ex-chefe do BRB é preso e caso Master volta a pressionar o DF

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira, 16 de abril, o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, na 4ª fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura um esquema que, segundo a PF, teria envolvido lavagem de dinheiro, pagamentos indevidos a agentes públicos e operações sem lastro ligadas ao Banco Master. Também foi preso o advogado Daniel Monteiro. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal e cumpridos no Distrito Federal e em São Paulo.

No plano prático, o caso recoloca sob pressão política e institucional um banco público controlado pelo governo do DF. O impacto não é apenas criminal ou reputacional. Quando o comando de uma instituição financeira estatal volta ao centro de uma investigação dessa dimensão, a pergunta que se impõe não é só quem fez o quê, mas como os mecanismos de controle falharam a ponto de o problema atravessar a porta da governança e chegar ao cofre da confiança pública.

O que a PF diz sobre a nova fase da investigação

De acordo com a Polícia Federal, esta quarta etapa da operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro para pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. A corporação informou que foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, todos autorizados pelo STF. Os crimes sob apuração incluem crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

No caso de Paulo Henrique Costa, a suspeita informada é a de descumprimento de práticas de governança para facilitar negócios sem lastro entre o banco público e o Banco Master. Já Daniel Monteiro é apontado como administrador de fundos que, segundo a investigação, teriam sido usados para dificultar a rastreabilidade de recursos ilícitos. Como se trata de investigação em curso, essas imputações ainda dependem do devido processo judicial e de contraditório.

Histórico do caso já vinha cercando o BRB desde 2025

A Operação Compliance Zero começou em novembro de 2025. Na primeira fase, Paulo Henrique Costa foi afastado pela Justiça e depois demitido. Em fevereiro deste ano, o caso já havia avançado com bloqueios judiciais ligados às operações entre BRB e Banco Master, enquanto o banco afirmava ter enviado relatório preliminar de investigação interna à Polícia Federal.

A investigação mais ampla envolve a concessão de créditos falsos pelo Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo BRB. Segundo dados já divulgados no curso da apuração, as fraudes investigadas podem chegar a R$ 17 bilhões. Nesse tipo de caso, o número impressiona, mas o ponto estrutural é outro: tamanho rombo potencial não nasce de um tropeço isolado. Costuma ser filho de controles frouxos, vigilância tardia e governança que falha justamente onde prometia funcionar.

Compra do Master já havia sido barrada pelo Banco Central

Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central rejeitou oficialmente a compra do Banco Master pelo BRB, encerrando uma negociação que vinha desde março. A operação previa a aquisição de 58% do capital total do Master, incluindo 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais. À época, a transação já enfrentava resistência no mercado por causa do modelo de captação do banco e da qualidade questionada de parte de seus ativos.

Esse veto regulatório ajuda a entender por que o caso segue produzindo ondas meses depois. O negócio não ruiu apenas por atrito político ou ruído de bastidor. Ele foi barrado numa análise formal de viabilidade, e o avanço das investigações criminais ampliou o peso do episódio sobre o banco público e sobre o próprio governo do Distrito Federal.

Quando o problema deixa de ser de gestão e vira teste institucional

A governadora Celina Leão informou, em nota, que os fatos envolvendo o ex-presidente do BRB estão sob análise do Poder Judiciário e que a apuração cabe às autoridades competentes. Acrescentou ainda que, desde o primeiro momento, as providências cabíveis teriam sido adotadas com colaboração junto aos órgãos responsáveis. A manifestação é o gesto protocolar esperado. O desafio real, porém, é outro: demonstrar que a resposta institucional será mais robusta do que a crise que a tornou necessária. Em escândalos com dinheiro público, a retórica da colaboração costuma chegar cedo; a prova de correção, quase sempre, demora mais.

Fontes e documentos:

– PF deflagra 4ª fase da Operação Compliance Zero (Polícia Federal)
– PF prende ex-presidente do BRB citado no caso do Banco Master (Agência Brasil)
– Justiça bloqueia ações do BRB ligadas a Banco Master (Agência Brasil)
– Ex-presidente do BRB aguarda para prestar novo depoimento à PF (Agência Brasil)
– BC rejeita compra do Banco Master pelo BRB (InfoMoney)

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