Levantamento começa nesta terça-feira (3), terá duração de 30 dias e pretende conhecer o perfil dos visitantes, incluindo quem busca natureza, aventura e experiências rurais além dos monumentos da capital
Brasília inicia pesquisa com turistas para descobrir novos caminhos para o setor
Brasília quer entender melhor quem visita a cidade, o que essas pessoas procuram e por que algumas aproveitam a viagem para conhecer outros destinos da região. A partir desta terça-feira, 3 de novembro, uma pesquisa conduzida pela Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF) e pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF/Codeplan) começa a reunir informações que poderão orientar o desenvolvimento do turismo nos próximos anos.
O levantamento será realizado pela internet, durante 30 dias, com a colaboração de hotéis, restaurantes, agências de viagens, atrativos turísticos e outros estabelecimentos que mantêm contato direto com os visitantes.
A proposta é enxergar Brasília para além da Esplanada dos Ministérios, da Catedral e dos monumentos que tornaram a capital conhecida internacionalmente. O estudo também busca compreender o interesse por trilhas, cachoeiras, turismo rural, gastronomia regional e experiências de aventura, incluindo viagens que começam no Distrito Federal e seguem para destinos de Goiás.
Os resultados deverão contribuir para o planejamento de políticas públicas, a promoção turística e a identificação de oportunidades econômicas para os empreendimentos do setor.
Pesquisa quer descobrir quem visita Brasília e o que procura na cidade
Conhecer o perfil dos turistas é o primeiro passo para compreender como Brasília participa das escolhas de viagem dos visitantes. A pesquisa pretende reunir informações sobre a origem dessas pessoas, suas motivações, o tempo de permanência e os atrativos que despertam maior interesse.
Esses dados poderão ajudar a identificar diferenças entre quem chega à capital para compromissos profissionais, eventos, lazer ou experiências ligadas à natureza.
O estudo também procura entender os hábitos de consumo e a avaliação dos serviços utilizados durante a estadia.
Saber quais experiências os visitantes valorizam pode ajudar a transformar informações dispersas em decisões mais precisas. Se determinado tipo de atividade desperta interesse, por exemplo, hotéis, operadores e órgãos públicos passam a ter elementos para avaliar como melhorar os serviços relacionados a essa demanda.
O secretário de Turismo do DF, Bernardo Antunes, considera que compreender as escolhas dos visitantes é essencial para desenvolver estratégias de promoção do destino.
“Conhecer o perfil de quem visita Brasília é fundamental para planejarmos ações mais eficientes e fortalecermos o nosso destino”, afirmou.
O secretário também destacou a diversidade de experiências disponíveis no território, incluindo turismo de natureza, aventura, atividades rurais e gastronomia.
O objetivo é compreender não apenas quantas pessoas chegam, mas também o que elas fazem durante a viagem. Essa diferença é importante porque o movimento de visitantes não revela, sozinho, quais serviços são utilizados nem quais experiências poderiam estimular uma permanência maior.
Brasília tem atrativos que vão além do turismo arquitetônico
A capital federal é conhecida pelo conjunto urbanístico, mas parte de seu potencial turístico está em experiências que nem sempre aparecem nos roteiros tradicionais.
Áreas verdes, trilhas, paisagens do Cerrado e propriedades rurais oferecem possibilidades de lazer e contato com a natureza. São atividades que podem atrair visitantes interessados em conhecer outros aspectos do Distrito Federal.
O turismo rural, por exemplo, aproxima o viajante da produção agrícola, da gastronomia regional e da vida no campo.
Já as atividades de natureza e aventura oferecem experiências diferentes dos passeios concentrados nos monumentos e espaços institucionais da cidade.
As Rotas do Vinho e a Rota dos Queijos representam essa ampliação das possibilidades de visitação. As iniciativas valorizam a produção local e aproximam turistas de propriedades, produtores e experiências gastronômicas ligadas ao território.
Esse movimento pode criar oportunidades para empreendimentos que não estão situados nos principais circuitos turísticos do Plano Piloto.
Para aproveitar esse potencial, porém, é necessário compreender quais públicos demonstram interesse por essas atividades, como encontram informações sobre os roteiros e quais dificuldades enfrentam para visitá-los.
A pesquisa poderá oferecer elementos para conectar melhor a oferta turística às expectativas de quem visita Brasília.
Chapada dos Veadeiros e Pirenópolis também entram no olhar da pesquisa
A viagem de um turista nem sempre termina nos limites do Distrito Federal. Quem chega a Brasília pode utilizar a capital como ponto de entrada para conhecer destinos de natureza, aventura e patrimônio histórico em Goiás.
É o caso de visitantes que incluem a Chapada dos Veadeiros ou Pirenópolis em seus roteiros.
A Chapada dos Veadeiros é conhecida por suas paisagens naturais, trilhas e cachoeiras. Pirenópolis reúne patrimônio histórico, gastronomia e atividades ligadas ao turismo de natureza.
Embora estejam fora do território distrital, esses destinos podem manter relações com os serviços turísticos de Brasília, especialmente transporte, hospedagem e organização de viagens.
Entender essas conexões pode revelar um papel mais amplo da capital na circulação de visitantes pela região. Brasília pode participar de uma experiência turística que começa no aeroporto, passa por uma estadia na cidade e continua em outros municípios.
Isso não significa que a demanda por esses roteiros já esteja dimensionada. É justamente o comportamento dos visitantes que os estudos pretendem compreender melhor.
Para o setor, essas informações poderão contribuir para avaliar possibilidades de integração entre destinos, operadores turísticos e empresas de serviços.
Hotéis, restaurantes e agências terão papel importante na coleta de dados
A pesquisa depende da participação de quem está em contato diário com os turistas. Por isso, estabelecimentos e profissionais da cadeia produtiva estão sendo convidados a ajudar na divulgação do levantamento.
A mobilização envolve diferentes segmentos:
- Hotéis e meios de hospedagem;
- Bares e restaurantes;
- Agências de viagens e operadores turísticos;
- Atrativos e empreendimentos de visitação;
- Propriedades rurais ligadas ao turismo;
- Empresas e profissionais de atividades de natureza e aventura.
A colaboração desses estabelecimentos pode ampliar a diversidade de visitantes alcançados pela pesquisa. Um levantamento divulgado apenas em hotéis, por exemplo, tende a alcançar um público diferente daquele que frequenta propriedades rurais ou procura atividades ao ar livre.
O envolvimento de diferentes segmentos ajuda a reunir experiências variadas e a compreender melhor as particularidades de cada tipo de turismo.
Ao mesmo tempo, a participação voluntária pela internet exige atenção à composição das respostas. A divulgação por diferentes canais pode ampliar o alcance da pesquisa, mas a qualidade dos resultados também dependerá dos procedimentos utilizados para analisar os dados coletados.
Parceria entre Setur e IPEDF vai produzir estudos sobre o turismo do DF
O levantamento iniciado em novembro integra uma cooperação mais ampla entre a Secretaria de Turismo e o IPEDF, formalizada anteriormente por meio de um termo de cooperação técnica.
A parceria prevê a produção de estudos sobre três dimensões da atividade turística: o perfil e as experiências dos visitantes, o turismo em ambientes naturais e os indicadores econômicos associados ao setor.
Entre os trabalhos previstos estão pesquisas sobre frequentadores de espaços naturais, experiências dos turistas no Distrito Federal e um panorama da atividade turística que contemple informações econômicas e sociais.
Além de entender quem visita Brasília, o trabalho deverá abordar a arrecadação vinculada ao turismo e as características da força de trabalho empregada no setor.
Essas informações são importantes porque o turismo movimenta atividades que vão muito além da hospedagem. Restaurantes, transporte, serviços de receptivo, comércio e empreendimentos de lazer podem participar da experiência de um mesmo visitante.
O diretor-presidente do IPEDF, Manoel Clementino, destacou a importância de planejar o setor com informações produzidas por pesquisas.
“Esta pesquisa permitirá ao poder público atuar com base em evidências, tornando Brasília um destino cada vez mais competitivo e preparado para receber visitantes que vêm de todas as partes”, afirmou.
Werner Bessa, da Diretoria de Estudos e Políticas Ambientais e Territoriais do instituto, ressaltou que a cooperação também envolve compartilhamento de informações, divulgação dos resultados e mobilização de instituições ligadas ao turismo.
A intenção é construir uma base de conhecimento que possa ser utilizada tanto pelo governo quanto pelos empreendimentos turísticos.
Como a pesquisa poderá contribuir para a economia local
O maior valor de conhecer os visitantes está na possibilidade de identificar oportunidades que hoje podem passar despercebidas.
Uma propriedade rural interessada em receber turistas precisa compreender o perfil do público, os serviços procurados e os fatores que influenciam a escolha de uma experiência.
Da mesma forma, hotéis e operadores podem utilizar informações sobre tempo de permanência, interesses e destinos complementares para avaliar novos serviços e roteiros.
No setor público, os resultados poderão subsidiar decisões sobre promoção turística, infraestrutura, qualificação de serviços e articulação entre diferentes segmentos.
A pesquisa também pode ajudar a compreender como a atividade turística se relaciona com emprego, renda e arrecadação. Isso é relevante para avaliar a participação econômica de um setor formado por atividades diversas e que depende da interação entre empresas, trabalhadores e visitantes.
Ainda assim, a produção de dados é apenas uma etapa. Para que os resultados produzam mudanças concretas, será necessário transformá-los em planejamento, ações e acompanhamento.
Como participar da pesquisa sobre turismo no Distrito Federal
A coleta de informações começa em 3 de novembro de 2026 e terá duração prevista de 30 dias. A participação ocorrerá pela internet, com apoio de estabelecimentos e organizações ligados ao turismo.
Hotéis, restaurantes, agências, atrativos e empreendimentos rurais poderão colaborar divulgando a iniciativa aos visitantes.
O objetivo é ampliar o alcance do levantamento e reunir respostas de pessoas com diferentes motivações e experiências de viagem.
Os interessados podem acompanhar as orientações e os comunicados institucionais pelos canais oficiais da Secretaria de Turismo do DF e do IPEDF.
A divulgação dos resultados está prevista entre as ações da parceria, permitindo que as informações produzidas sejam compartilhadas com instituições e organizações relacionadas à atividade turística.
Conhecer melhor o visitante pode mudar a forma de promover Brasília
Durante muito tempo, a imagem turística de Brasília esteve fortemente associada à arquitetura e à condição de capital política do país. Esse patrimônio continua sendo um elemento importante de sua identidade, mas não representa sozinho todas as experiências disponíveis no Distrito Federal.
O visitante que procura uma trilha, uma propriedade rural ou um roteiro gastronômico pode ter expectativas diferentes daquelas de quem chega para conhecer os monumentos.
Compreender essas diferenças permite pensar o turismo de maneira mais abrangente.
A pesquisa também pode revelar oportunidades de integração entre a capital e destinos próximos, sem confundir os atrativos do Distrito Federal com aqueles localizados em outros estados.
Esse conhecimento interessa aos gestores públicos, mas também a pequenos empreendedores que dependem da circulação de visitantes e precisam tomar decisões sobre seus serviços.
Há uma diferença importante entre acreditar que determinado roteiro possui potencial e conhecer a demanda real por ele. A pesquisa pretende ajudar a reduzir essa distância.
O desafio será transformar as respostas dos turistas em ações capazes de melhorar a experiência de quem visita a região e ampliar as oportunidades para quem trabalha no setor.
Brasília já reúne diferentes formas de turismo. O levantamento iniciado em novembro busca compreender melhor como essas possibilidades são percebidas, utilizadas e conectadas pelos visitantes.
Fontes e Documentos:
- Pesquisa busca conhecer o perfil dos turistas e fortalecer o setor no Distrito Federal (Agência Brasília)
- Estudos e pesquisas avaliam movimento turístico no Distrito Federal (Agência Brasília)

