Moradores recebem orientação sobre como usar, guardar e descartar medicamentos
Usar um remédio prescrito pelo médico não encerra o cuidado. Guardar a caixa, respeitar dose e horário, não reaproveitar sobras sem orientação e descartar medicamentos vencidos da forma correta também fazem parte da segurança do tratamento.
Essas orientações foram reforçadas nesta terça-feira, 5 de maio, durante uma ação educativa na UBS 1 do Cruzeiro, no Distrito Federal, em alusão ao Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos. A atividade reuniu palestra, aula de dança, café da manhã coletivo, bingo e uma feirinha de artesanato organizada por mulheres da comunidade.
Uso racional de medicamentos começa dentro de casa
A farmacêutica Anna Giomo orientou os pacientes sobre dúvidas comuns no cotidiano. Entre elas estão o que fazer com sobras de comprimidos, pomadas e caixas, como armazenar remédios em casa e quando procurar um profissional de saúde antes de usar qualquer medicamento.
A recomendação central é direta: medicamento deve ser usado conforme prescrição e orientação profissional. Portanto, mudar dose, interromper tratamento antes do prazo ou reaproveitar remédio antigo pode trazer riscos, mesmo quando a intenção parece inofensiva.
Na prática, a famosa “farmacinha de casa” precisa ser tratada com mais cuidado. Remédio guardado sem controle não é solução de emergência. Em muitos casos, é problema esperando uma dor de cabeça para entrar em cena.
UBS orientou pacientes sobre descarte correto
Durante a semana anterior ao evento, profissionais da unidade enviaram lembretes por grupos de WhatsApp para que os moradores levassem medicamentos sem uso para descarte adequado. A orientação é que remédios vencidos ou sem indicação atual não sejam jogados no lixo comum, na pia ou no vaso sanitário.
O descarte deve ser feito em pontos apropriados, como UBSs ou farmácias preparadas para receber esse tipo de material. A medida evita uso indevido por outras pessoas e reduz risco de contaminação do solo e da água.
Além da palestra, o evento integrou uma rotina de educação em saúde já realizada mensalmente pela UBS 1 do Cruzeiro, sempre com um tema diferente. Desta vez, a escolha foi motivada pela data nacional dedicada ao uso racional de medicamentos.
Automedicação ainda é hábito frequente no país
O alerta ganha peso diante do comportamento dos brasileiros. Pesquisa feita pelo Conselho Federal de Farmácia, por meio do Instituto Datafolha, apontou que 77% dos brasileiros que usaram medicamentos nos seis meses anteriores ao levantamento tinham o hábito de se automedicar. O mesmo estudo indicou que 47% faziam isso pelo menos uma vez por mês.
A automedicação inclui desde tomar remédio por conta própria até alterar dose, frequência ou duração do tratamento sem orientação. Além disso, o risco aumenta quando há uso simultâneo de vários medicamentos, situação comum entre idosos e pessoas com doenças crônicas.
A Anvisa também trata erros de medicação como problema relevante de saúde pública. Esses erros podem ocorrer na prescrição, no preparo, na administração ou no uso do medicamento e, em situações mais graves, levar à piora do quadro clínico, hospitalizações e mortes.
Informação simples evita erro grave
A ação na UBS também teve um componente de acolhimento comunitário. Moradores que participam de atividades regulares na unidade, como alongamento, crochê e caminhada, acompanharam as orientações e relataram a importância de espaços que aproximam a equipe de saúde da população.
Esse vínculo é decisivo. Quando o paciente confia na equipe, pergunta mais, entende melhor a receita e tende a errar menos no uso do medicamento. Além disso, a UBS deixa de ser apenas local de consulta e passa a funcionar como ponto de orientação permanente.
A servidora da unidade destacou que o objetivo da ação foi fazer com que os participantes levassem conhecimento para casa e compartilhassem as informações com familiares. Em saúde pública, esse tipo de multiplicação vale muito. Uma orientação bem dada na UBS pode evitar um erro dentro de várias casas.
Guardar remédio exige cuidado e rotina
O armazenamento também precisa seguir regras básicas. Medicamentos devem ser mantidos longe de calor excessivo, umidade e luz direta, sempre fora do alcance de crianças. Banheiro e cozinha, embora comuns, costumam ser locais inadequados por causa da variação de temperatura e umidade.
Também é importante manter o remédio na embalagem original, com bula e prazo de validade visíveis. Isso ajuda a evitar confusão entre medicamentos parecidos e facilita a conferência em caso de dúvida.
Se houver sobra após o fim do tratamento, a orientação mais segura é não reutilizar sem nova avaliação profissional. O sintoma pode parecer o mesmo, mas a causa pode ser outra. E remédio certo para um problema pode ser erro caro em outro.
Uso correto depende de orientação contínua
O Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos reforça uma mensagem simples, mas ainda negligenciada: remédio não é produto comum. Ele exige indicação, dose correta, armazenamento adequado e descarte responsável.
A iniciativa da UBS 1 do Cruzeiro mostra que educação em saúde não precisa ser distante nem complicada. Pode acontecer em roda de conversa, em palestra, em atividade comunitária e até no lembrete enviado pelo WhatsApp. O essencial é que a informação chegue antes do erro.aúde Pública DF, Fontes e documentos:
– Uso racional de medicamentos: UBS orienta pacientes (Secretaria de Saúde do DF)
– Pesquisa aponta que 77% dos brasileiros têm o hábito de se automedicar (Conselho Regional de Farmácia de São Paulo)
– HSol adota sistema sem papel e rastreia medicamentos (Fonte em Foco)
– BRB consolida entrega domiciliar de medicamentos de alto custo no DF (Fonte em Foco)
– Anvisa proíbe venda de medicamentos Bwell e Needs (Fonte em Foco)

