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Inflação prevista supera teto da meta em 2026

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Mercado vê IPCA acima de 5% e juros ainda altos no bolso do brasileiro

A previsão do mercado financeiro para a inflação voltou a subir e chegou a 5,04% em 2026, acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central. A estimativa consta no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 25 de maio, e reflete a pressão provocada por combustíveis, alimentos e pela guerra no Oriente Médio.

Inflação volta a preocupar o mercado

A projeção para o IPCA, índice oficial da inflação no país, passou de 4,92% para 5,04% neste ano. Foi a 11ª alta consecutiva da expectativa dos analistas ouvidos pelo Banco Central. Há quatro semanas, a previsão estava em 4,86%.

O número é politicamente e economicamente sensível porque ultrapassa o limite superior da meta. O centro da meta de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Portanto, o teto é 4,5%.

A inflação esperada ainda não é a inflação realizada. Mas expectativa ruim também pesa. Ela influencia preços, juros, contratos, decisões de investimento e o humor de quem vai ao mercado e descobre, sem precisar de planilha, que o dinheiro ficou menor.

Alimentos e combustíveis pressionam o IPCA

O IPCA de abril ficou em 0,67%, abaixo dos 0,88% de março, mas ainda pressionado por alimentos e combustíveis. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,39%, próxima do teto da meta.

A guerra no Oriente Médio entrou no radar econômico porque afeta o preço internacional do petróleo. A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda já havia elevado sua estimativa de inflação para 2026, apontando os impactos do conflito sobre petróleo e derivados como principal fator de pressão.

Esse movimento chega rápido ao consumidor. Combustível mais caro encarece transporte, frete, produção e comida. O preço começa no barril, passa pelo caminhão e termina no prato. A economia, quando quer, sabe fazer caminho curto até o bolso.

Juros seguem como freio da economia

Para conter a inflação, o Banco Central usa a Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Na última reunião, em abril, o Copom reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, no segundo corte seguido. Ainda assim, os juros continuam em patamar elevado.

O mercado manteve a previsão de Selic em 13,25% ao ano no fim de 2026. Para 2027, a estimativa é de 11,25%, e, para 2028 e 2029, de 10% ao ano.

Juro alto funciona como remédio amargo. Ajuda a conter consumo e crédito, mas também pesa sobre financiamento, cartão, capital de giro e investimento. Para famílias endividadas, a Selic não é só indicador de telejornal. É o custo real de respirar no cheque especial.

Banco Central evita dar sinal claro

A ata mais recente do Copom destacou cautela diante da incerteza externa e do impacto da guerra sobre inflação e expectativas. O Banco Central informou que segue monitorando os efeitos de um possível prolongamento do conflito.

O próximo encontro do Copom está previsto para os dias 16 e 17 de junho. Até lá, a autoridade monetária terá de equilibrar três pressões: inflação projetada acima da meta, atividade econômica moderada e risco externo vindo do petróleo.

Esse é o tipo de cenário em que cortar juros depressa demais pode reacender preços. Mas segurar juros altos por muito tempo também cobra conta de empresas e consumidores. O Banco Central está diante de uma escolha sem conforto, aquele lugar onde a economia costuma guardar as decisões mais impopulares.

PIB tem leve melhora para 2026

No mesmo Boletim Focus, a previsão para o crescimento da economia brasileira em 2026 passou de 1,85% para 1,89%. Para 2027, a projeção caiu de 1,77% para 1,7%. Para 2028 e 2029, o mercado estima crescimento de 2% ao ano.

A estimativa para o dólar no fim de 2026 ficou em R$ 5,17. Para o fim de 2027, a previsão é de R$ 5,26.

Esses números mostram um quadro de economia ainda andando, mas sob freio. O PIB melhora um pouco no curto prazo, enquanto inflação e juros limitam o espaço para expansão mais forte.

O risco é a inflação virar rotina

A alta da previsão para o IPCA acima de 5% é um alerta porque atinge diretamente a renda real das famílias. Quando preços sobem mais rápido que salários, o orçamento encolhe sem pedir licença. O primeiro corte costuma vir no supermercado, no transporte, no lazer e, muitas vezes, na qualidade da alimentação.

A inflação não machuca todo mundo igual. Para famílias de baixa renda, alimento, energia e transporte ocupam fatia maior do orçamento. Portanto, cada aumento nesses itens tem peso maior. O mesmo índice que parece decimal no relatório vira renúncia concreta dentro de casa.

O desafio agora será impedir que a pressão temporária de combustíveis e alimentos contamine expectativas de longo prazo. Porque inflação, quando se acostuma a ficar alta, vira hóspede inconveniente: entra dizendo que é por pouco tempo e depois não quer mais sair.

Relacionadas, fontes e documentos:

Focus reduz IPCA 2026 para 3,97% e mantém PIB em 1,8% (Fonte em Foco)
FGTS poderá quitar dívidas no Novo Desenrola (Fonte em Foco)
Receita abre consulta a lote recorde do IR 2026 (Fonte em Foco)
Governo cria subsídio para segurar combustíveis (Fonte em Foco)
Inflação: IPCA de abril fica em 0,67% (IBGE)
Inflação (IBGE)
Mercado eleva previsão da inflação para 5,04% este ano (Agência Brasil)

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