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GDF fará ação com população de rua em 16 pontos

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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GDF fará acolhimento em dez pontos na terça 26/10

Operação do GDF começa às 9h desta terça-feira em dez endereços do DF, com assistência social, encaminhamento a abrigos e auxílio excepcional.

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Lago Sul e Ceilândia terão oferta de acolhimento nesta sexta

Pessoas em situação de rua instaladas em 16 endereços do Lago Sul e de Ceilândia receberão, nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026, oferta de acolhimento, assistência social, saúde, educação e encaminhamentos para programas públicos. A ação do Governo do Distrito Federal está prevista para começar às 9h.

A iniciativa é coordenada pela Casa Civil e envolve secretarias, órgãos de fiscalização, serviços urbanos e forças de segurança. Participam áreas como Desenvolvimento Social, Saúde, Educação, Segurança Pública, Justiça e Cidadania, Trabalho e Renda, DF Legal, SLU, Novacap, Codhab, Detran-DF, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar e Conselho Tutelar. A Novacap informou ação semelhante no Lago Sul nos dias 28 e 29, também coordenada pela Casa Civil e com participação de órgãos do GDF.

A pauta exige cuidado. A oferta de serviços pode abrir portas para quem vive em vulnerabilidade extrema. No entanto, o desmonte de estruturas só deve ocorrer com respeito aos direitos, aos pertences e à dignidade das pessoas atendidas. A política pública precisa acolher antes de remover.

Serviços incluem abrigo, saúde e auxílio de R$ 600

As equipes vão oferecer atendimentos nas áreas de saúde, educação e assistência social. Também haverá orientação sobre cuidados com animais domésticos e benefícios específicos, como deslocamento interestadual.

O governo informou que será ofertado auxílio excepcional de R$ 600 para pessoas sem condições de pagar aluguel. Também estarão disponíveis vagas em abrigos, encaminhamentos para programas de qualificação profissional, como o RenovaDF, e cadastro para unidades habitacionais.

Esses serviços são relevantes porque a população em situação de rua enfrenta barreiras simultâneas. Falta moradia, mas também falta renda, documentação, saúde, rede familiar, proteção e acesso contínuo ao Estado. Quando a resposta pública olha só para a barraca, enxerga o sintoma e perde a pessoa.

DF Legal fará desmonte após atendimento

Após o atendimento, a DF Legal fará o desmonte das estruturas. Segundo o governo, os pertences serão transportados para o local regular indicado pela pessoa atendida.

Quando isso não for possível, os objetos pessoais serão levados ao depósito da pasta, no SIA Trecho 4, lotes 1.380/1.420, com retirada em até 60 dias, sem custo para o responsável.

Essa etapa precisa ser executada com transparência. Para quem vive na rua, documentos, roupas, remédios, ferramentas de trabalho e pequenos objetos pessoais podem representar praticamente tudo. Remover sem controle vira perda. Remover com registro, orientação e alternativa reduz dano e preserva dignidade.

Ceilândia concentra dez pontos da operação

Em Ceilândia, a ação está prevista para dez endereços. Os pontos incluem áreas do Setor N, da Avenida Hélio Prates, do Setor M, da CNM 1, da QNM 12/28 e de áreas verdes próximas a prédios residenciais e comércios.

A lista inclui, entre outros locais, CNN 2, QNN 12, QNN 4, área pública entre a QNM 1 Ceilândia Sul e a QNM 02 Ceilândia Norte, fundos do Restaurante Comunitário de Ceilândia, área próxima ao estacionamento do China Atacadista e o canteiro central em frente ao supermercado Primor.

A presença de tantos pontos em Ceilândia revela a dimensão territorial da vulnerabilidade. A população em situação de rua não está concentrada apenas em áreas centrais de Brasília. Ela aparece também nas regiões populosas, perto de transporte, comércio, equipamentos públicos e locais de circulação intensa.

Lago Sul terá seis endereços atendidos

No Lago Sul, a ação está prevista para seis pontos. Entre eles estão o comércio local da QI 11, o viaduto no SHIS QL 10 conjunto 11, a área embaixo da ponte Honestino Guimarães, próximo ao Pontão, e trechos da EPDB.

Também estão listados o SMDB Conjunto 28 e a área da EPDB depois da QI 29, próxima ao posto da Polícia Rodoviária, na subida para o Jardim Botânico.

A presença de pessoas em situação de rua em áreas de renda alta, como o Lago Sul, reforça uma realidade incômoda: a desigualdade não respeita CEP nobre. Ela apenas fica mais visível quando aparece em regiões onde muitos preferem não vê-la.

Política distrital prevê ação integrada

As ações de acolhimento integram a política distrital voltada à população em situação de rua. O plano do DF reúne marcos legais e diretrizes de inclusão social, cidadania, acesso a direitos e integração entre políticas públicas. A Lei Distrital nº 6.691/2020 é apontada como base normativa para promoção e efetivação desses direitos no Distrito Federal.

O plano também prevê eixos ligados à educação, habitação, trabalho, renda e gestão de dados. Entre as metas citadas estão ações para escolarização, acesso a programas habitacionais, qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho.

Esse arcabouço é importante porque impede que a ação seja lida apenas como operação urbana. A política pública correta não pode ser resumida a retirar estruturas de um ponto e espalhar a vulnerabilidade para outro. O objetivo deve ser construir saída real da rua.

Acolher exige mais do que retirar barracas

A ação desta sexta-feira pode ser útil se garantir atendimento individualizado, encaminhamento efetivo e preservação dos direitos das pessoas atendidas. O risco, como em operações desse tipo, é que a parte mais visível seja o desmonte, enquanto a parte mais importante — abrigo, renda, saúde, documentação e moradia — dependa de continuidade.

O poder público precisa cuidar da cidade. Mas cidade não é apenas calçada limpa. Cidade também é gente protegida. Quando esses dois objetivos entram em conflito, a Constituição costuma lembrar quem deve vir primeiro.

O teste da ação não estará no número de estruturas desmontadas. Estará em quantas pessoas conseguiram acessar abrigo, atendimento de saúde, documentação, qualificação, renda ou caminho habitacional. Sem isso, o Estado apenas muda o problema de lugar. Com isso, começa a enfrentar a causa.

Relacionadas, fontes e documentos:

– GDF dobra equipes para atender população de rua (Fonte em Foco)
– Fest Verão BSB terá arraiá gratuito no Gama (Fonte em Foco)
– Consumidor do DF ganha canal direto de denúncia (Fonte em Foco)
– Feira de Profissões abre caminhos na socioeducação (Fonte em Foco)
–  Lago Sul terá pontos de acolhimento da população em situação de rua nesta quinta (28) e na sexta (29) (Novacap)
– GDF reforça serviços para população em situação de rua (Sedes-DF)

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