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quarta-feira, 3 junho 2026, 15:33
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HBDF trata transtornos alimentares com equipe integrada

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Pacientes do SUS no DF têm atendimento especializado para transtornos alimentares

O Hospital de Base do Distrito Federal é a única unidade do SUS no DF com atendimento ambulatorial estruturado para pessoas com transtornos alimentares. O serviço, administrado pelo IgesDF, reúne psiquiatras, psicólogos e nutricionistas em acompanhamento integrado para pacientes que precisam de cuidado especializado.

O atendimento ganha destaque neste 2 de junho, Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares. A data reforça a importância do diagnóstico precoce, do acolhimento sem julgamento e do acesso a tratamento adequado para condições que envolvem sofrimento psíquico, relação difícil com a alimentação e distorções na percepção da própria imagem.

No mundo, mais de 70 milhões de pessoas convivem com algum distúrbio alimentar, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde. No Brasil, especialistas estimam que essas condições atinjam cerca de 11 milhões de pessoas, ou quase 5% da população.

Acolhimento ajudou paciente a iniciar recuperação

Foi no atendimento do Hospital de Base que Maria Eduarda, nome fictício usado para preservar sua identidade, encontrou apoio para iniciar o processo de recuperação. A preocupação com a aparência começou ainda na adolescência e, com o tempo, transformou a relação com a comida e com o próprio corpo em fonte de sofrimento.

Ela relata que chegou a um quadro de grande fragilidade física, com perda de autonomia e necessidade de ajuda para atividades simples. Mesmo assim, enfrentava uma contradição comum em alguns transtornos alimentares: reconhecia que precisava melhorar, mas ainda associava a perda de peso à autoestima.

Esse conflito mostra por que o tratamento exige mais do que orientação alimentar. Transtornos alimentares não são “frescura”, “vaidade” ou simples falta de força de vontade. São condições complexas, que podem envolver sofrimento psíquico intenso, risco clínico e necessidade de acompanhamento contínuo.

Tratamento não tem solução imediata

O psiquiatra Geison Machado, do HBDF, afirma que o tratamento começa pelo acolhimento e pela compreensão da história de cada paciente. A evolução depende do manejo adequado, do reconhecimento da doença e da construção de estratégias terapêuticas individualizadas.

Entre os transtornos alimentares mais conhecidos estão anorexia nervosa, bulimia nervosa e compulsão alimentar periódica. Eles podem aparecer de formas diferentes e nem sempre estão associados à magreza extrema.

Essa informação é essencial para reduzir atrasos no diagnóstico. Uma pessoa pode estar em sofrimento, adotar comportamentos alimentares de risco e ainda assim não corresponder ao estereótipo mais comum sobre o tema. Quando a família, a escola ou o próprio serviço de saúde só reconhecem o problema em casos extremos, a ajuda chega tarde.

Redes sociais ampliam pressão sobre adolescentes

A exposição constante a padrões de beleza nas redes sociais, associada à busca por resultados rápidos e à comparação permanente, pode aumentar a vulnerabilidade, especialmente entre adolescentes. O psiquiatra do HBDF avalia que a comparação faz parte do desenvolvimento humano, mas pode se tornar mais perigosa quando ocorre de forma precoce, intensa e sem mediação.

Maria Eduarda conta que passou a rever hábitos, conteúdos consumidos nas redes sociais e formas de lidar com impulsos. Esse processo faz parte da reconstrução da relação com o corpo, com a alimentação e com a própria identidade.

O ponto não é demonizar a internet, como se o celular fosse o vilão único da história. O problema é quando a tela vira espelho distorcido e começa a cobrar do adolescente um corpo que nem sempre respeita saúde, genética, fase de crescimento ou realidade emocional.

Equipe multiprofissional acompanha o paciente

No Hospital de Base, o atendimento é feito de forma conjunta por psiquiatra, psicólogo e nutricionista. A atuação integrada permite observar diferentes dimensões da doença, da saúde mental ao comportamento alimentar, passando pelo estado nutricional e pela capacidade do paciente de sustentar o tratamento.

Esse modelo é importante porque transtornos alimentares costumam exigir escuta qualificada, plano terapêutico individual e acompanhamento prolongado. O paciente precisa ser tratado como pessoa inteira, não como número na balança, diagnóstico isolado ou caso difícil empurrado de um consultório para outro.

Maria Eduarda relata que teve medo de não ser levada a sério na primeira consulta. Depois, sentiu-se acolhida e sem julgamento. Para quem carrega vergonha, culpa ou medo, essa diferença pode definir se o tratamento continua ou se a pessoa volta ao silêncio.

Como buscar atendimento no HBDF

O atendimento ambulatorial para transtornos alimentares no Hospital de Base está disponível à população do Distrito Federal. Para acessar o serviço, é necessário apresentar encaminhamento médico, da rede pública ou privada, para agendamento da consulta de avaliação.

A rede pública do DF também orienta que pessoas em sofrimento psíquico busquem atendimento em serviços de saúde mental, com portas de entrada que incluem atenção básica e unidades especializadas, conforme a necessidade de cada caso.

Em situações de risco imediato à vida, agravamento clínico ou emergência, a orientação é procurar atendimento de urgência. Transtorno alimentar pode parecer silencioso por fora, mas por dentro pode comprometer corpo, mente e rotina de forma grave.

Conscientização precisa virar acesso real

O Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares ajuda a tirar o tema da invisibilidade. Mas a data só cumpre sua função quando a informação chega às famílias, às escolas, aos profissionais de saúde e aos próprios pacientes sem estigma.

O serviço do Hospital de Base mostra um caminho importante dentro do SUS no DF: atendimento especializado, equipe multiprofissional e acolhimento. Ainda assim, a existência de um único ambulatório estruturado também revela o tamanho do desafio. A demanda é maior do que a capacidade de um único ponto da rede.

Transtorno alimentar não se enfrenta com bronca, comparação ou frase pronta. Exige escuta, cuidado clínico, saúde mental, nutrição, tempo e vínculo. O primeiro passo é reconhecer que a dor existe. O segundo é garantir que a ajuda não seja privilégio de quem consegue pagar.

Relacionadas, fontes e documentos:

Restaurantes do DF servem uma refeição a cada 2 segundos (Fonte em Foco)
Base zera pneumonia em UTIs por cinco meses (Fonte em Foco)
DNA-HPV melhora prevenção do câncer de colo no DF (Fonte em Foco)
Junho Vermelho amplia doação de sangue em Brasília (Fonte em Foco)
– Hospital de Base muda vida de pessoas com transtornos alimentares (Agência Brasília)
– Mais de 70 milhões de pessoas no mundo possuem algum distúrbio alimentar (Ministério da Saúde)

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