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segunda-feira, 15 junho 2026, 12:59
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InícioVida & DesenvolvimentoSaúdeSUS terá nova terapia para leucemia mieloide aguda

SUS terá nova terapia para leucemia mieloide aguda

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Tratamento ampliará opções para adultos que não podem receber quimioterapia intensiva

Adultos recém-diagnosticados com leucemia mieloide aguda e sem condições clínicas para receber quimioterapia intensiva terão uma nova opção de tratamento pelo Sistema Único de Saúde. A combinação de venetoclax com azacitidina deverá ser disponibilizada na rede pública em até 180 dias.

SUS incorporará combinação de venetoclax e azacitidina

O Ministério da Saúde decidiu incorporar ao SUS o uso combinado de venetoclax e azacitidina para pacientes adultos com leucemia mieloide aguda recém-diagnosticada.

A indicação é específica para pessoas consideradas inelegíveis à quimioterapia intensiva. Essa definição deverá ser feita pela equipe médica responsável, com base na condição clínica, na idade, nas doenças associadas e na capacidade do paciente de tolerar o tratamento convencional.

A incorporação foi formalizada pela Portaria nº 30/2026, publicada na segunda-feira, 15 de junho, após recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde.

A norma estabelece prazo de até 180 dias para que o tratamento seja efetivamente ofertado. Durante esse período, o Ministério da Saúde e os gestores do SUS deverão organizar aquisição, financiamento, distribuição e critérios assistenciais.

A publicação da portaria, portanto, não significa que os medicamentos já estejam disponíveis imediatamente em todas as unidades.

Nova terapia atenderá pacientes com maior fragilidade clínica

A quimioterapia intensiva é usada no tratamento de parte dos pacientes com leucemia mieloide aguda, mas pode provocar toxicidade elevada e exigir condições clínicas que nem todos apresentam.

Pessoas idosas, pacientes com outras doenças graves ou com estado geral fragilizado podem não suportar esse tipo de tratamento.

Para esse grupo, a combinação de venetoclax com azacitidina representa uma alternativa terapêutica menos intensiva. O objetivo é controlar a multiplicação das células doentes, favorecer a resposta ao tratamento e ampliar as opções disponíveis para pacientes que antes tinham possibilidades mais restritas.

A decisão não torna a combinação adequada para todos os casos. A leucemia mieloide aguda reúne diferentes alterações genéticas, condições clínicas e níveis de risco, que precisam ser avaliados individualmente.

Tratamento deverá ocorrer em unidade especializada

O acesso não será feito por retirada direta em farmácia comum do SUS.

O paciente deverá estar em acompanhamento em serviço habilitado para atendimento oncológico ou hematológico, onde a equipe médica confirmará o diagnóstico e verificará se os critérios da incorporação foram atendidos.

O tratamento exige monitoramento clínico e laboratorial. Medicamentos antineoplásicos podem causar efeitos adversos importantes, alterações nas células do sangue e maior risco de infecções.

A dose, os ciclos e a duração dependerão da resposta do organismo, dos exames realizados e da tolerância apresentada pelo paciente.

Pessoas já diagnosticadas não devem alterar o tratamento nem suspender medicamentos por conta própria. A nova possibilidade deve ser discutida com o hematologista ou oncologista responsável.

Leucemia mieloide aguda evolui rapidamente

A leucemia é um câncer que começa na medula óssea, tecido localizado no interior dos ossos e responsável pela produção das células do sangue.

Na leucemia mieloide aguda, células imaturas e alteradas se multiplicam rapidamente e ocupam o espaço das células saudáveis. Isso pode reduzir a produção normal de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

A doença é o tipo mais comum de leucemia aguda em adultos e ocorre com maior frequência em pessoas idosas.

Por ter evolução rápida, a suspeita precisa ser investigada sem demora. O diagnóstico é feito por exames de sangue, avaliação da medula óssea e testes complementares que ajudam a identificar as características da doença.

Sintomas precisam ser avaliados por profissional de saúde

Os sinais podem variar e também aparecem em outras doenças.

Entre as manifestações possíveis estão:

  • cansaço e fraqueza persistentes;
  • palidez;
  • febre;
  • infecções frequentes;
  • sangramentos sem causa aparente;
  • manchas roxas pelo corpo;
  • perda de peso;
  • falta de ar;
  • dores ósseas ou articulares.

A presença isolada desses sintomas não confirma leucemia. A orientação é procurar atendimento médico para avaliação e realização dos exames necessários.

O diagnóstico precoce não elimina a gravidade da doença, mas permite que o tratamento especializado comece mais rapidamente.

Conitec avaliou benefícios e impacto para o SUS

A incorporação passou pela análise da Conitec, órgão responsável por avaliar medicamentos, procedimentos e outras tecnologias que podem entrar no sistema público.

O processo considera evidências clínicas, segurança, custos, impacto orçamentário e capacidade de implementação na rede.

A combinação foi discutida em consulta pública, que recebeu contribuições de pacientes, familiares, profissionais de saúde, especialistas e instituições interessadas.

O relatório técnico final deverá detalhar as evidências consideradas, as condições de uso e os fundamentos da recomendação.

A incorporação também deverá ser refletida nas diretrizes assistenciais do Ministério da Saúde, que orientam diagnóstico, indicação, acompanhamento e avaliação da resposta ao tratamento.

Prazo de 180 dias exige organização da rede

A efetivação da oferta depende de etapas que vão além da decisão administrativa.

Será necessário definir o modelo de financiamento, negociar aquisição, organizar a distribuição e preparar os serviços habilitados para acompanhar os pacientes.

Também deverá haver clareza sobre os critérios de elegibilidade, os exames necessários e o fluxo para início do tratamento.

Em oncologia, incorporar um medicamento no papel é apenas o primeiro passo. Para o paciente, a política só se torna real quando a equipe especializada consegue prescrever, o hospital recebe o tratamento e o ciclo começa sem atraso evitável.

Ampliação reduz uma lacuna para pacientes mais frágeis

A nova terapia atende justamente pessoas que enfrentam uma condição clínica mais delicada e não conseguem passar pelo tratamento intensivo utilizado em pacientes com maior capacidade física.

A incorporação amplia o conjunto de alternativas disponíveis no SUS, mas seu resultado dependerá da implementação dentro do prazo, da distribuição regular dos medicamentos e da capacidade dos serviços de acompanhar os pacientes.

A leucemia mieloide aguda exige resposta rápida. O desafio agora é fazer com que os 180 dias sejam usados para preparar o acesso, e não para empurrar a urgência de quem já está esperando.

Relacionadas, fontes e documentos:

SUS amplia tratamento contra câncer com R$ 2,2 bi (Fonte em Foco)
Diabetes afeta saúde emocional de 70% no Brasil (Fonte em Foco)
Dor crônica ganha dia nacional e diretrizes no SUS (Fonte em Foco)
– Anvisa libera 1ª semaglutida sintética no Brasil (Fonte em Foco)
– Avaliação do venetoclax com azacitidina para leucemia mieloide aguda (Conitec)
– Leucemia mieloide aguda do adulto (Ministério da Saúde)
– Informações sobre leucemia (Instituto Nacional de Câncer)

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