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Agosto Dourado reforça apoio à amamentação no Brasil

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Amamentação protege a saúde e reduz desigualdades

A Semana Mundial do Aleitamento Materno de 2026, realizada de 1º a 7 de agosto, reforça a necessidade de proteger, promover e apoiar a amamentação desde o nascimento. O tema deste ano é “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”, definido pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA).

A campanha destaca a relação entre aleitamento materno, nutrição, segurança alimentar e redução da pobreza. A diretriz internacional da WABA também propõe o fortalecimento de medidas que já demonstraram resultados, como equipes capacitadas, apoio após a alta hospitalar, redes de suporte, licença adequada e condições para a amamentação no trabalho.

O Ministério da Saúde recomenda que o bebê receba somente leite materno nos primeiros seis meses de vida. Depois desse período, a orientação é introduzir alimentos complementares adequados e manter a amamentação até os dois anos ou mais, conforme as condições de cada família e da criança. Veja as orientações oficiais sobre amamentação.

Apoio familiar pode mudar a experiência

O nascimento de Elisa, há uma semana, trouxe para Lorrany Duarte a possibilidade de retomar um projeto interrompido na primeira maternidade. Mãe pela segunda vez, ela pretende oferecer leite materno em livre demanda e de forma exclusiva durante os seis primeiros meses.

A dona de casa associa a amamentação ao desenvolvimento e à proteção da filha. Na experiência anterior, porém, dificuldades fizeram com que a primeira criança passasse a receber fórmula infantil quando tinha cerca de um mês.

Lorrany relata que a filha enfrentou problemas de saúde e demorou para ganhar peso e se desenvolver. Para evitar que a história se repita, ela conta com a ajuda da irmã Marielly Duarte, mãe de três crianças.

Marielly tem orientado a irmã sobre a extração e o armazenamento do leite. O apoio prático, segundo ela, ajudou a tornar o processo mais fácil após os primeiros dias.

A experiência mostra que a amamentação não depende apenas da vontade individual da mãe. Informação correta, acompanhamento profissional e apoio dentro de casa podem ser decisivos para enfrentar dor, fissuras, ingurgitamento mamário e outras dificuldades comuns no início.

Desinformação aumenta a pressão sobre as famílias

Para Rossiclei Pinheiro, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, a desinformação e a promoção comercial de fórmulas infantis dificultam as decisões das famílias.

A pediatra afirma que a publicidade pode transmitir a ideia equivocada de que as fórmulas substituem o leite materno. Ela também alerta para a presença de estratégias de marketing em hospitais, redes sociais e consultórios.

A indicação de fórmula deve ser individualizada e feita por profissional habilitado, principalmente quando há contraindicação médica à amamentação, impossibilidade de realizar o aleitamento, dificuldades que não foram superadas com apoio adequado ou necessidades específicas da criança.

A recomendação não significa que famílias que utilizam fórmula devam ser culpabilizadas. O ponto central é garantir que a decisão seja tomada com informação, segurança e acompanhamento, sem pressão comercial ou julgamento moral.

Bicos artificiais podem interferir no aleitamento

A representante da Sociedade Brasileira de Pediatria também recomenda cautela com mamadeiras e chupetas. O uso desses produtos pode alterar a forma de sucção, reduzir o estímulo necessário à produção de leite e contribuir para o desmame precoce em algumas situações.

A chamada confusão de bicos ocorre quando a criança passa a utilizar mecanismos de sucção diferentes. A avaliação, entretanto, deve considerar cada caso, porque dificuldades de amamentação podem ter múltiplas causas.

No Brasil, a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância regula a publicidade, a rotulagem e a promoção comercial de fórmulas, mamadeiras, bicos e chupetas.

A legislação também impede que embalagens utilizem imagens ou expressões capazes de induzir dúvida sobre a capacidade das mães de amamentar. A Lei nº 11.265/2006 estabelece regras específicas para a comercialização desses produtos.

Brasil avançou, mas ainda está distante da meta

O Brasil registrou aumento expressivo nas taxas de aleitamento materno exclusivo nas últimas décadas. O índice passou de 4,7% na década de 1980 para 45,8% entre crianças menores de seis meses em 2019, segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani-2019).

O relatório do Enani também apontou que 60,3% das crianças menores de dois anos haviam sido amamentadas no período pesquisado.

Em 2024, o país assumiu a meta de alcançar 70% de aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida até 2030. O objetivo é superior à referência internacional de 50% estabelecida para o período anterior. A meta brasileira para 2030 foi divulgada pelo Ministério da Saúde.

Amamentação também é política pública

Rossiclei Pinheiro avalia que o crescimento das taxas brasileiras comprova a importância de políticas públicas permanentes, como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança.

A amamentação pode reduzir gastos familiares com fórmulas e doenças evitáveis, além de contribuir para a segurança alimentar e diminuir desigualdades. Para isso, porém, o apoio precisa ultrapassar as campanhas de agosto.

A continuidade depende de atendimento qualificado no pré-natal, parto e pós-parto, acesso a bancos de leite e consultorias, proteção contra práticas comerciais abusivas, licença-maternidade adequada e ambientes de trabalho compatíveis com a extração e o armazenamento do leite.

Análise

A Semana Mundial do Aleitamento Materno de 2026 desloca o debate da responsabilidade individual para a estrutura de apoio que cerca mães e bebês. A orientação para amamentar pode ser clara, mas perde força quando a mulher enfrenta dor sem assistência, precisa retornar ao trabalho sem condições ou recebe informações contraditórias.

Os dados brasileiros mostram avanço, mas também revelam a distância entre recomendação e realidade. Alcançar 70% de aleitamento exclusivo até 2030 dependerá menos de repetir slogans e mais de medir quais políticas funcionam, onde elas falham e quais famílias permanecem sem suporte.

O caso de Lorrany ilustra a importância da rede familiar. A meta nacional, contudo, exige uma rede muito maior: profissionais preparados, serviços acessíveis, proteção legal e ambientes que não transformem a amamentação em um teste de resistência individual. Saúde pública não deveria depender de heroísmo doméstico.

Relacionadas, fontes e documentos:

Anvisa manda apreender Mounjaro falso com série irregular (Fonte em Fooco)
OMS cita SUS como exemplo mundial em visita ao Andaraí (Fonte em Foco)
Anvisa aprova Datroway para câncer de pulmão avançado (Fonte em Foco)
Ampliados tratamentos pediátricos para lúpus e esclerose múltipla (Fonte em Foco)
Fiocruz conclui tecnologia para produzir remédio contra HIV (Fonte em Foco)
– World Breastfeeding Week 2026 (World Alliance for Breastfeeding Action)
– Amamentação (Ministério da Saúde)
– Aleitamento materno no Brasil em 2019 (Enani/UFRJ)
Semana Mundial do Aleitamento Materno marca início do Agosto Dourado (Agência Brasil)

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