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Opera DF chega a 5 mil cirurgias e Hran recebe obras

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Pacientes são encaminhados à rede complementar enquanto reformas buscam ampliar a capacidade e melhorar o atendimento hospitalar

Cinco mil pacientes já passaram por cirurgias eletivas dentro da atual estratégia do Governo do Distrito Federal para reduzir o tempo de espera no Sistema Único de Saúde. Outros 12 mil foram convocados, enquanto mais de 20 mil procedimentos foram contratados para execução pela rede pública e por hospitais complementares credenciados.

Os números foram apresentados nesta segunda-feira, 22 de junho, durante uma visita da governadora Celina Leão ao Hospital Regional da Asa Norte. A unidade recebe reformas e adequações que, somadas às intervenções planejadas, ultrapassam R$ 2,2 milhões.

A estratégia combina a contratação de cirurgias de menor e média complexidade para pacientes clinicamente estáveis com o reforço dos centros cirúrgicos públicos. A intenção é liberar estrutura, profissionais e horários da rede própria para casos que exigem maior complexidade assistencial.

Os resultados, entretanto, precisam ser lidos por etapa. Procedimento contratado ainda depende de regulação, exames, avaliação clínica, disponibilidade de equipe e comparecimento do paciente. Convocação também não equivale automaticamente a cirurgia concluída.

Rede complementar recebe procedimentos selecionados pela regulação

O Opera DF foi estruturado para ampliar a oferta de cirurgias eletivas sem retirar do SUS a responsabilidade pelo encaminhamento e pelo acompanhamento dos pacientes.

As pessoas atendidas já estão inseridas na rede pública e são selecionadas conforme os critérios do Complexo Regulador do Distrito Federal. O encaminhamento não depende de inscrição direta em hospital privado nem de escolha individual da instituição.

A rede complementar concentra procedimentos de pequena e média complexidade para pacientes com condições clínicas estáveis. Entre as áreas contempladas estão oftalmologia, urologia, cirurgia geral, cirurgia vascular e cirurgia de cabeça e pescoço.

“A lógica é pegar as cirurgias eletivas de menor complexidade e levar para a rede privada. Nós já contratamos mais de 20 mil. Hoje temos 12 mil pessoas convocadas e 5 mil operadas”, afirmou Celina Leão.

O uso de instituições credenciadas amplia temporariamente a capacidade disponível, mas não representa privatização do atendimento. Os procedimentos continuam financiados pelo SUS, regulados pela Secretaria de Saúde e sujeitos às exigências dos contratos públicos.

Contratação e cirurgia realizada são números diferentes

O anúncio reúne três indicadores que representam momentos distintos.

Os mais de 20 mil procedimentos contratados correspondem à capacidade prevista nos contratos. O número pode incluir cirurgias que ainda serão agendadas e executadas ao longo da vigência contratual.

Os 12 mil pacientes convocados representam pessoas chamadas para alguma etapa do atendimento. Parte ainda pode precisar de consulta pré-operatória, exames, avaliação anestésica ou atualização clínica.

As 5 mil cirurgias realizadas constituem o resultado efetivamente entregue até o momento.

Essa separação é necessária porque utilizar o total contratado como se toda a fila já tivesse sido atendida produziria uma conclusão incorreta. O desempenho do programa deve considerar quantos pacientes foram operados, quanto tempo esperaram, quantas convocações não resultaram em cirurgia e por quais motivos.

Dados atualizados evitam perda de convocação

A Secretaria de Saúde relatou dificuldades para localizar pacientes e faltas em procedimentos agendados.

“Estamos tendo abstenção, pessoas que estavam marcadas para operar e não estão aparecendo. Prestem atenção às notificações da regulação”, pediu a governadora.

O não comparecimento pode ocorrer por diferentes razões. Há pacientes que mudaram de telefone ou endereço, pessoas que já realizaram o procedimento por outra via e casos em que a condição de saúde mudou desde a entrada na fila.

Também podem existir dificuldades de transporte, falhas na comunicação, exames vencidos ou impossibilidade de comparecimento na data oferecida.

Por isso, telefone, endereço e e-mail devem permanecer atualizados. O recadastramento pode ser feito em uma Unidade Básica de Saúde, pelo telefone 160, opção 5, ou pelos canais do RecadastraSUS.

O paciente que não puder comparecer deve comunicar a unidade indicada na convocação. A desistência informada permite reorganizar o atendimento sem interpretar automaticamente a ausência como abandono do tratamento.

Limpeza retirou 3 mil registros da fila

Um trabalho de revisão das listas eliminou recentemente 3 mil registros de solicitações que já haviam sido atendidas ou canceladas.

A medida reduz duplicidades e aproxima o sistema do número real de pessoas que ainda precisam de cirurgia.

Essa depuração, porém, não equivale à realização de 3 mil procedimentos. Os registros retirados representam correções administrativas e precisam ser contabilizados separadamente das cirurgias executadas.

A qualificação também deve identificar pacientes que morreram, mudaram de endereço, perderam indicação clínica, foram operados em outro serviço ou permaneceram cadastrados mais de uma vez.

Uma fila confiável permite organizar prioridades com maior precisão. Também impede que gestores anunciem redução baseada em nomes que já não correspondiam a uma demanda ativa.

Anestesiologia amplia horários nos hospitais públicos

A falta de anestesiologistas é uma das limitações que podem manter salas cirúrgicas ociosas mesmo quando existem cirurgiões, equipamentos e pacientes preparados.

Para enfrentar esse problema, foram contratadas aproximadamente 5,4 mil horas de serviços de anestesiologia. Os profissionais atuam em hospitais da rede pública e permitem ampliar escalas, inclusive com funcionamento noturno em determinadas unidades.

O Opera DF alcança dez hospitais públicos administrados pela Secretaria de Saúde:

  • Hospital Materno Infantil de Brasília;
  • Hospital Regional da Asa Norte;
  • Hospital Regional do Gama;
  • Hospital Regional de Taguatinga;
  • Hospital Regional de Samambaia;
  • Hospital Regional de Ceilândia;
  • Hospital Regional de Brazlândia;
  • Hospital da Região Leste;
  • Hospital Regional de Sobradinho;
  • Hospital Regional de Planaltina.

A abertura de horários adicionais depende também de equipes de enfermagem, materiais, esterilização, leitos de recuperação e disponibilidade da unidade depois do procedimento.

Anestesista contratado, sozinho, não coloca uma sala em funcionamento. O centro cirúrgico precisa operar como uma cadeia em que cada recurso esteja disponível na mesma data e no mesmo turno.

Hran recebe R$ 411 mil em obras em andamento

As intervenções atualmente em execução no Hospital Regional da Asa Norte somam aproximadamente R$ 411 mil.

As obras alcançam a emergência do pronto-socorro, o refeitório dos servidores, os vestiários, o Centro Obstétrico e as enfermarias da maternidade.

Durante a vistoria, a reforma da emergência foi apresentada como mais avançada. As adequações do refeitório e dos vestiários estavam próximas da metade da execução informada.

A recuperação desses espaços não se limita à aparência. Instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias, fluxos internos, ventilação, segurança e acessibilidade interferem nas condições de trabalho e no atendimento aos pacientes.

“Nós sabemos que os hospitais são antigos e precisam dessa revitalização para trazer um ambiente mais seguro para os servidores e mais humanizado para a população”, afirmou o secretário de Saúde, Juracy Lacerda.

Novos investimentos previstos somam R$ 1,8 milhão

Além das obras em andamento, o governo prevê aplicar outros R$ 1,8 milhão no Hran.

O planejamento inclui:

  • recuperação do hall;
  • reforma de esquadrias;
  • melhorias nas enfermarias da Unidade de Queimados;
  • reforma do auditório;
  • adequações no Núcleo Regional de Atenção Domiciliar;
  • pinturas internas;
  • construção de novo abrigo de resíduos;
  • implantação de uma Sala de Simulação.

Somados aos R$ 411 mil já vinculados às obras em execução, os investimentos anunciados superam R$ 2,2 milhões.

O valor total, contudo, reúne estágios diferentes. Parte corresponde a serviços em andamento; outra parte ainda está prevista e dependerá dos procedimentos administrativos, contratações e cronogramas de execução.

Para que o investimento possa ser acompanhado, será necessário divulgar valores individualizados, empresas responsáveis, prazos e percentual de conclusão de cada frente.

Reforma hospitalar não reduz fila sozinha

A estrutura física interfere diretamente na capacidade assistencial. Uma sala interditada, uma rede elétrica inadequada ou um centro de esterilização insuficiente pode limitar o número de cirurgias.

A reforma, porém, precisa estar articulada com profissionais, equipamentos, insumos, regulação e disponibilidade de leitos.

O secretário afirma que os centros cirúrgicos foram mapeados para identificar necessidades de manutenção, materiais e reforço de equipes.

“Quando resolvemos essas questões, conseguimos potencializar os centros cirúrgicos para ter maior número de cirurgias”, declarou Juracy Lacerda.

A expectativa do governo é superar o maior volume anual já registrado pela Secretaria de Saúde. A confirmação desse resultado dependerá do encerramento do ano e da consolidação das cirurgias realizadas, não apenas das contratadas ou autorizadas.

Fila precisa ser medida por especialidade e tempo de espera

O avanço de 5 mil cirurgias representa atendimento concreto para pacientes que aguardavam tratamento. O número, isoladamente, não mostra quanto a fila diminuiu nem se as pessoas que esperam há mais tempo foram atendidas.

Uma avaliação completa precisa informar:

  • quantidade atual de pacientes por especialidade;
  • tempo médio e máximo de espera;
  • número de cirurgias contratadas, autorizadas e realizadas;
  • quantidade de pacientes convocados que não foram operados;
  • motivos das ausências e cancelamentos;
  • procedimentos realizados na rede pública e complementar;
  • evolução mensal das listas;
  • pacientes reinseridos após cancelamento clínico ou administrativo.

Também é necessário acompanhar a concentração dos contratos. A rede complementar pode ampliar rapidamente a produção, mas a capacidade pública precisa permanecer fortalecida para evitar dependência permanente de prestadores externos.

O Opera DF atua em dois pontos que historicamente limitam o atendimento: oferta insuficiente de procedimentos e capacidade incompleta dos centros cirúrgicos. O resultado mais importante não será o volume anunciado, mas a redução comprovada do tempo que cada paciente permanece aguardando.

Relacionadas, fontes e documentos:

Junho Violeta reforça proteção à pessoa idosa no DF (Fonte em Foco)
Rede de Cras atende 205 mil famílias no Distrito Federal (Fonte em Foco)
Vacina pneumo 20 chega ao SUS com proteção ampliada (Fonte em Foco)
Ovos do Aedes resistem à seca e mantêm alerta no DF (Fonte em Foco)
– Programa Opera DF (SES-DF)
GDF investe mais de R$ 2,2 milhões no Hran e acelera cirurgias com o programa Opera DF (Agêncioa Brasil)

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