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Dólar fecha a R$ 5,18 e Ibovespa sobe 0,52% no dia

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Moeda atinge maior nível desde março enquanto bolsa resiste à queda da tecnologia global

O dólar avançou 0,88% nesta terça-feira, 23 de junho, e fechou cotado a R$ 5,1866, no maior nível em quase três meses. O Ibovespa conseguiu reverter as perdas registradas pela manhã e terminou o pregão em alta de 0,52%, aos 171.249 pontos.

O movimento ocorreu em um dia de maior cautela nos mercados internacionais. A queda das ações de tecnologia nos Estados Unidos, as dúvidas sobre os próximos passos dos juros norte-americanos e as negociações envolvendo o petróleo aumentaram a procura por ativos considerados mais seguros.

No Brasil, os investidores também analisaram a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária. O documento detalhou a decisão que reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, mas reforçou que o Banco Central permanece preocupado com os riscos para a inflação.

Dólar acompanha procura global por proteção

A moeda norte-americana chegou a superar R$ 5,19 durante o pregão antes de perder parte da força.

A valorização ocorreu em um ambiente desfavorável às moedas de países emergentes. Quando cresce a incerteza sobre juros, inflação ou conflitos internacionais, parte dos investidores reduz posições consideradas mais arriscadas e direciona recursos para o dólar e para títulos do governo dos Estados Unidos.

Esse movimento não depende apenas da economia brasileira. O real pode perder valor mesmo sem uma notícia doméstica específica quando ocorre uma retirada mais ampla de recursos dos mercados emergentes.

Os investidores aguardam novos indicadores de inflação dos Estados Unidos, entre eles o índice de preços dos gastos com consumo pessoal. Conhecido pela sigla PCE, o indicador recebe atenção especial do Federal Reserve na definição dos juros.

Dados recentes mostraram uma economia norte-americana ainda resistente. Esse desempenho aumentou a percepção de que o banco central dos Estados Unidos poderá manter uma política monetária mais restritiva e, se necessário, voltar a elevar os juros para conter a inflação.

Taxas elevadas nos Estados Unidos tornam os ativos do país mais atraentes e reduzem o interesse por investimentos em outras economias. O efeito pode pressionar o câmbio brasileiro.

Ata do Copom reforça possibilidade de pausa

No cenário doméstico, a atenção ficou concentrada na ata da reunião realizada na semana anterior.

O Copom reduziu a Selic pela terceira vez consecutiva, novamente em 0,25 ponto percentual. O corte levou a taxa básica de 14,50% para 14,25% ao ano.

A ata mostrou, porém, que a continuidade da redução não está garantida.

O Banco Central indicou preferência por uma estratégia que possa combinar períodos de estabilidade dos juros com a retomada posterior dos cortes. A avaliação é que movimentos abruptos poderiam provocar volatilidade excessiva na economia e nos preços dos ativos.

O documento também apontou que o balanço de riscos para a inflação passou a apresentar maior assimetria para cima. Entre os fatores de preocupação estão os efeitos dos conflitos no Oriente Médio, as oscilações do petróleo e a possibilidade de novos choques de oferta.

Na prática, o Copom deixou aberta a decisão da próxima reunião. A autoridade monetária poderá manter a Selic em 14,25% ou realizar outro corte, dependendo da evolução dos preços, da atividade econômica, das expectativas de inflação e do ambiente internacional.

A mensagem afastou parte das apostas em uma sequência automática de reduções.

Ibovespa recupera perdas durante a tarde

O Ibovespa começou o dia pressionado pela queda das bolsas internacionais e pela leitura mais cautelosa da ata do Copom.

Ao longo da sessão, o índice recuperou terreno com o desempenho positivo de ações de bancos, empresas ligadas à economia doméstica e alguns papéis de grande peso na carteira.

A bolsa brasileira encerrou aos 171.249 pontos, depois de ter fechado a segunda-feira em 170.370 pontos.

A alta de 0,52% não significa que todas as empresas subiram. O Ibovespa funciona como uma média ponderada, na qual companhias de maior valor e liquidez exercem influência mais intensa sobre o resultado.

Bancos, Petrobras e Vale possuem participação relevante no índice. Movimentos nessas ações podem compensar perdas registradas por dezenas de outras empresas.

O comportamento da bolsa também refletiu um ajuste depois das perdas acumuladas nas semanas anteriores. O índice permanece distante das máximas registradas no primeiro semestre.

Tecnologia derruba Nasdaq

Nos Estados Unidos, o Nasdaq caiu 2,22% e atingiu o menor nível em mais de uma semana. O S&P 500 recuou 1,44%, enquanto o índice Dow Jones apresentou baixa mais moderada, de 0,09%.

As perdas ficaram concentradas nas empresas de tecnologia e nos fabricantes de semicondutores.

O índice que acompanha o setor de chips caiu quase 8%. Empresas que haviam acumulado forte valorização com o crescimento da inteligência artificial sofreram uma rodada de realização de lucros.

O mercado também passou a questionar o volume de endividamento utilizado por grandes companhias para financiar centros de dados, chips e infraestrutura computacional.

A preocupação não significa que os investimentos em inteligência artificial tenham sido interrompidos. O receio está na capacidade das empresas de transformar gastos elevados em receitas e lucros suficientes para justificar os preços alcançados pelas ações.

Papéis de fabricantes de memória e processadores registraram algumas das maiores quedas do dia.

A expectativa de juros norte-americanos mais altos por um período prolongado também afeta o setor. Empresas de crescimento costumam sofrer quando as taxas sobem porque parte relevante de seu valor depende de lucros projetados para os anos seguintes.

Petróleo recua com expectativa de maior oferta

Os contratos de petróleo encerraram o dia em baixa enquanto o mercado avaliava as negociações entre Estados Unidos e Irã e o possível aumento da oferta internacional.

O Brent com entrega em agosto caiu 1,1%, para US$ 77,08 por barril.

O contrato mais negociado, com vencimento em setembro, fechou a US$ 76,80, menor nível desde fevereiro.

O WTI para agosto recuou 0,9% e terminou cotado a US$ 73,21 por barril.

Os investidores acompanham as discussões sobre sanções ao petróleo iraniano e a normalização do transporte pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de energia.

Uma flexibilização das restrições pode permitir que mais petróleo iraniano chegue ao mercado. Ao mesmo tempo, a retomada regular do tráfego de navios reduz o risco de interrupção do abastecimento.

Essas possibilidades pressionam os preços para baixo.

As negociações continuam cercadas por incerteza. Um impasse diplomático ou uma nova escalada militar poderia voltar a aumentar o prêmio de risco incorporado ao barril.

Queda do petróleo tem efeitos mistos para o Brasil

O recuo do petróleo pode produzir consequências diferentes para a economia brasileira.

Preços menores ajudam a reduzir pressões sobre combustíveis, transportes e inflação. Esse efeito pode favorecer as expectativas para os juros caso seja mantido por um período prolongado.

Por outro lado, a queda do barril reduz a receita esperada de companhias produtoras e pode pressionar ações da Petrobras e de outras empresas do setor.

Também pode diminuir a entrada de dólares relacionada às exportações brasileiras de petróleo.

A reação do mercado depende da duração do movimento. Uma oscilação de poucos dias tem efeito limitado sobre preços internos, investimentos e decisões de política monetária.

Ata não define o próximo corte da Selic

A recuperação do Ibovespa não deve ser interpretada como aprovação inequívoca do mercado à ata do Copom.

A reação passou por diferentes fases. Pela manhã, o tom cauteloso do Banco Central e a queda internacional da tecnologia pressionaram os ativos brasileiros. Depois, compras em setores específicos permitiram que o índice terminasse no campo positivo.

O documento deixou claro que os próximos passos dependerão dos dados.

O Banco Central considera que reagir integralmente a choques temporários de oferta pode produzir oscilações desnecessárias na atividade e na inflação. Ao mesmo tempo, reconhece que os riscos de alta dos preços aumentaram.

A combinação dessas duas avaliações abre espaço para uma pausa no ciclo de redução da Selic sem encerrar definitivamente a possibilidade de novos cortes.

Mercado local resiste, mas permanece dependente do exterior

O fechamento positivo do Ibovespa em meio à queda das bolsas norte-americanas mostra que fatores locais e setoriais podem produzir trajetórias diferentes durante uma sessão.

Essa resistência não elimina a influência externa.

A valorização do dólar, o tombo das ações de tecnologia e a cautela com os juros dos Estados Unidos mostram que o ambiente internacional continua determinante para os ativos brasileiros.

Nos próximos dias, o mercado deverá acompanhar os dados de inflação norte-americanos, as negociações com o Irã, os preços do petróleo e as indicações sobre a política monetária dos dois países.

Para famílias e empresas, o câmbio mais alto pode elevar o custo de produtos importados, viagens internacionais, insumos industriais e dívidas denominadas em dólar.

A bolsa em alta produz uma leitura positiva do pregão, mas não altera essa pressão potencial.

O resultado desta terça-feira reuniu duas mensagens distintas. O Ibovespa mostrou capacidade de recuperação, enquanto o avanço do dólar revelou que a busca por proteção continuou predominando no mercado global.

Relacionadas, fontes e documentos:

– Agências do DF oferecem 811 vagas nesta quarta-feira (Fonte em Foco)
Biometria no INSS segue transição gradual até 2027 (Fonte em Foco)
Mercado passa a prever Selic de 13,75% no fim de 2026 (Fonte em Foco)
ANP amplia fiscalização contra abusos nos combustíveis (Fonte em Foco)
– Ata do Comitê de Política Monetária (Banco Central)
Dólar sobe para R$ 5,18 e atinge maior valor desde fim de março (Agência Brasil)

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